Vinicius Júnior não marca, mas baila sobre o racismo em vitória do Real Madrid

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Vinicius Junior não fez gol, mas bailou mesmo assim. O mesmo aconteceu com o Real Madrid, vencedor por 2 a 1 do clássico da capital espanhola contra o Atlético neste domingo (18). Partida que ficou marcada por ameaças ao atacante brasileira e ofensas racistas antes do jogo.

A polêmica foi tão grande que colocou em segundo plano o fato de o Real ter reassumido a liderança do Campeonato Espanhol, com 18 pontos, dois de vantagem sobre o arquirrival Barcelona.

A principal imagem da partida aconteceu aos 18 minutos, quando o Rodrygo recebeu lançamento de Tchouaméni e completou para o gol. Mas a finalização não foi o principal. Ele esperou a chegada de Vinicius Junior e os dois fizeram uma dança próximo a bandeira de escanteio. Foram logo abraçados pelos demais jogadores enquanto eram alvos de objetos atirados pela torcida no Wanda Metropolitano, estádio do Atlético de Madrid.

O sistema de som do estádio pediu calma ao público, sem causar qualquer efeito. Aos 36, Valverde anotou o segundo.

A usual celebração do atacante brasileiro se tornou polêmica do dia para a noite graças ao comentário de Pedro Bravo, agente e presidente da Associação Espanhola de Empresários de Jogadores. Ele disse que as danças do brasileiro eram desrespeitosas e fez um comentário racista.

"Aqui o que você tem de fazer é respeitar os companheiros de profissão e deixar de fazer macaquice", falou.

Jogador do Atlético de Madrid, Koke afirmou que caso Vinicius fizesse gol no clássico, eventual dança poderia causar confusão.

Uma das lembranças feitas como resposta foi que o francês Antoine Griezmann, branco, atacante do Atlético, há muito tempo comemora seus gols com dança e isso jamais foi colocado como um problema.

O caso monopolizou as discussões antes do jogo e o brasileiro recebeu solidariedade de Pelé, Neymar, Xavi (técnico do Barcelona) e vários jogadores. A hashtag #BailaVinir foi criada no Twitter. O volante Bruno Guimarães, do Newcastle e da seleção brasileira, pediu prisão para Bravo, que depois explicou ter feito uma "metáfora" ao usar o termo "macaquice".

Vinicius Júnior gravou um vídeo, postado em suas redes sociais. Prometeu não parar.

"Dizem que a felicidade incomoda. A felicidade de um preto brasileiro, vitorioso na Europa incomoda muito mais", afirmou.

Antes da partida, vídeos foram postados no Twitter de torcedores do Atlético de Madrid cantando repetidas vezes que "Vinicius é um macaco".

De acordo com o diário espanhol Marca, a organizada da equipe da casa gritou "Vinícius morra."

"Eu quero que o Vinícius Júnior me ensine a sambar. Tenho que ir ao Brasil nos próximos carnavais do Rio de Janeiro. Preciso aprender a sambar e quero que ele me ensine. Não vejo nenhum problema nas danças. Os jogadores se manifestam como querem", afirou o presidente do Atlético, Enrique Cerezo, a tentar diminuir a polêmica.

No segundo tempo, com a vitória quase assegurada, o brasileiro tentou dar uma lambreta, drible que o jogador levanta a bola com os calcanhares para dar chapéu no adversário, no belga Witsel, mas não conseguiu. Foi muito vaiado pelo público. Pouco depois, Hermoso descontou para o Atlético.

Durante a partida, Vinicius Júnior teve discussões com adversários, especialmente com o argentino Rodrigo De Paul.

Nos minutos finais, os donos da casa pressionaram pelo empate, sem resultado. Hermoso foi expulso nos acréscimos.