ANÁLISE: Vasco deve comemorar a vitória, mas sem deixar de tirar lições

Eguinaldo apareceu pouco, mas levou perigo quando teve oportunidade (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)


A vitória de virada sobre o Operário, por 3 a 2, manteve o Vasco no G4 da Série B e encerrou uma sequência de oito derrotas consecutivas como visitante. As comemorações por parte da comissão técnica, jogadores e torcedores foram eufóricas e justificáveis, já que amenizou a pressão. No entanto, o rendimento precisa ser revisto assim como as convicções do técnico Jorginho.

A começar pelo substituto de Yuri Lara, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Sem o volante, que é o maior ladrão de bolas das Séries A e B, Jorginho optou por Zé Gabriel, que estava há nove partidas sem jogar. A última foi no dia 9 de agosto, derrota para a Ponte Preta, por 3 a 1, fora de casa.

A falta de ritmo de Zé Gabriel foi sentida desde o primeiro minuto, com o volante totalmente perdido na marcação e na saída de bola. Não foi à toa que foi substituído no intervalo, quando o Vasco estava perdendo por 1 a 0. Coincidentemente (ou não), antes do Operário, o Cruz-Maltino jamais tinha vencido com Zé Gabriel de titular na Série B. Em cinco jogos, foram três empates (Vila Nova, CRB e Chapecoense) e duas derrotas (Vila Nova e Ponte Preta).

A escolha por Zé Gabriel pode ser explicada por duas razões: falta de coragem ou de conhecimento de Jorginho, que tinha a opção de recuar Marlon Gomes para jogar como volante, ao lado de Andrey Santos, sem abrir mão de Figueiredo, que foi titular na partida. O time ganharia em ofensividade e entrosamento, tendo em vista que Marlon e Andrey jogam juntos desde a categoria Sub-17 do Vasco.

Vale lembrar que o Operário conquistou apenas uma vitória nas últimas 11 rodadas da Série B, está na zona de rebaixamento e tem a defesa mais vazada da competição. Portanto, não tinha a necessidade de ser tão cauteloso, ao ponto de se escolher um volante como Zé Gabriel, que se limita a marcar, sem ser efetivo como o titular da posição, para barrar Marlon Gomes, que se notabiliza por dar dinamismo ao time.

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Marlon Gomes acabou jogando com um tempo de atraso e mesmo sem ser brilhante, melhorou consideravelmente o Vasco na volta do intervalo, porém a entrada do meia não foi a única alteração. Alex Teixeira, que viria a ser o herói da noite com dois gols, também foi a campo, no lugar de Nenê. O camisa 10, que tem muita moral com Jorginho, com quem trabalhou em 2015 e 2016 no próprio Cruz-Maltino, pouco produziu e foi sacado. Mérito do treinador.

- Quando eu senti que a equipe não estava jogando bem no primeiro tempo eu tive uma decisão muito difícil de tirar o Nenê, porque a presença do Nenê em campo, além de todo o potencial dele, a qualidade, a técnica, o passe, a finalização, a bola parada, o adversário respeita também a presença dele em campo. Mas eu vi que não estava acontecendo, precisava mudar dentro do jogo e o Nenê entendeu super bem - explicou Jorginho.

A vitória, do jeito que foi, aumentou o moral dos jogadores e renovou a confiança do torcedor no acesso. Faltando cinco rodadas e com o Vasco no G4, o aspecto anímico pode ser o suficiente para conquistar o acesso, porém um pouco mais de organização e coragem não fará mal nenhum nos jogos que restam. Ainda mais nos confrontos diretos com Sport, Criciúma, Sampaio Corrêa e Ituano.

O Vasco volta a jogar no próximo sábado, contra o Novorizontino, em São Januário. Os ingressos para a partida estão esgotados.