Trabalhadores informais correm risco de exploração no Catar durante a Copa do Mundo, diz autoridade dos EUA

A subsecretária de Estado para Segurança Civil, Democracia e Direitos Humanos, Uzra Zeya, em conversa com a Reuters na embaixada dos EUA em Doha, no Catar.

Por Andrew Mills

DOHA (Reuters) - Os trabalhadores da economia informal do Catar estão especialmente em risco de exploração durante a Copa do Mundo deste ano, e Doha deve se esforçar para processar traficantes de pessoas e identificar suas vítimas, disse à Reuters a subsecretária de Estado dos Estados Unidos, Uzra Zeya.

O país árabe está sendo intensamente observado e vem recebendo críticas de grupos de direitos humanos por seu tratamento aos trabalhadores migrantes na preparação para sediar o torneio no próximo mês, na primeira ocasião em que um país do Oriente Médio irá recebê-lo.

"A Copa do Mundo apresenta um desafio em termos de maior probabilidade, ou possibilidades, de explorar trabalhadores migrantes vulneráveis, e é ainda mais importante fazer cumprir as leis em vigor e ver mais esforços para processar os perpetradores do tráfico humano", disse Zeya no domingo durante uma visita a Doha.

"Este é muitas vezes um crime oculto e especialmente para aqueles que estão na economia informal... que têm menos acesso, digamos, à aplicação da lei ou a outras instituições encarregadas de proteção", acrescentou Zeya, subsecretára norte-americana de Segurança Civil, Democracia, e Direitos Humanos.

Trabalhadores migrantes e outros estrangeiros compõem a maioria dos 2,8 milhões de habitantes do país do Golfo, que está recrutando milhares de trabalhadores temporários no exterior para aumentar sua força de trabalho durante a Copa do Mundo de um mês, quando espera 1,2 milhão de visitantes.

O governo do Catar disse que seu sistema de trabalho ainda está em desenvolvimento, mas negou um relatório de 2021 da Anistia Internacional de que milhares de trabalhadores migrantes ainda estavam sendo explorados no país.

Zeya elogiou as reformas trabalhistas introduzidas pelo Catar nos últimos anos, mas reconheceu "desafios" na implementação das novas regras, que incluem proteções contra o não pagamento de salários, um salário mínimo mensal de 1.000 riais (275 dólares) e permissão para que os trabalhadores mudem de empregador com mais facilidade.

(Reportagem de Andrew Mills)