Tatiana Weston-Webb mira título mundial e medalha olímpica: 'Pressão em Tóquio'

Tatiana Weston-Webb comemora o título da etapa de J-Bay na atual temporada (Foto: Beatriz Ryder/World Surf League via Getty Images)
Tatiana Weston-Webb comemora o título da etapa de J-Bay na atual temporada (Foto: Beatriz Ryder/World Surf League via Getty Images)

Por Guilherme Faber (@fabergui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

Porto-alegrense, 26 anos, única representante da América do Sul na elite do surfe e vice-campeã mundial em 2021, Tatiana Weston-Webb iniciou o segundo semestre deste ano entre as três melhores da WSL (World Surf League) atrás apenas da havaiana Carissa Moore e da francesa Johanne Defay.

A “região” do Top 5 é o alvo de qualquer competidora por conta da vaga garantida nas finais. Viagens, cumprimento de treino e compromissos profissionais o deixam ainda mais atarefada. Apesar desse “turbilhão” de atividades, Tati detalhou como faz para atender os pedidos de sua agenda.

“São muitos desafios durante a rotina, né? Temos que estar sempre atentos durante o período de competições, constantemente estamos fazendo viagens, que são muito desgastantes, mas estamos trabalhando com o nosso corpo e com a nossa mente. Então, eu busco equilibrar uma rotina de treinos e também manter uma boa alimentação para estar sempre preparada”, comentou Tatiana com exclusividade para o Yahoo Esportes.

Não bastassem as viagens com duração de até 40 horas, muitas vezes os fatores climáticos também interferem durante a realização de algumas etapas como a variação de ondas dentro do mar, que é o ponto que diferencia o estilo de surf de cada atleta profissional.

“Acho que a parte de ficar longe da família, longe de casa e também o tempo que cada viagem leva, são pontos desafiadores e de grandes sacrifícios na vida de um atleta. Também existe toda essa parte de alimentação que temos que nos adaptar em diferentes regiões. Temos que aprender a ser flexíveis e saber contornar algumas situações para manter o foco durante o período de competições”, explicou Tati.

Esperança de título no Mundial e nas Olimpíadas de Paris 2024, a surfista está ciente da expectativa em torno do seu nome e para afastar qualquer efeito negativo em cima dessa torcida baseia-se no trabalho diário para estar concentrada nas competições.

“É difícil manter-se entre os melhores durante muito tempo. Tento sempre estar preparada para realizar o melhor desempenho durante as etapas. A preparação nem sempre é suficiente e precisamos dar sempre o máximo. O Championship Tour é muito disputado, para permanecer no top 10 temos que estar sempre surfando em alto nível, cada detalhe importa para o ranking, então vamos sempre focados e com força total tentando manter a concentração durante cada bateria, pois durante a etapa todas as notas são importantes no momento final”, admitiu Tatiana.

WSL

Tati foi campeã da etapa de Jeffrey's Bay, na África do Sul. Nas quartas de final, editou uma “batalha” acirrada com Hennessy em torno da vantagem e no fim ganhou a nota de 9.27, que a credenciou para semi. Novamente enfrentou Carissa nessa etapa, dessa vez se deu bem e na decisão mediu forças com a australiana Tyler Wright.

Na final, Weston-Webb realizou duas manobras em partes críticas da onda, puxou mais um ar para dentro, 8,50 e 9 foram as suas notas e no total somou 17.50 contra 15.67 de Wright. Feito que o colocou no status de ser a única com duas etapas vencidas no ano. As notas mencionadas acima ficaram acima do padrão “excelente” da WSL.

“Eu não estava sentindo muita pressão e me sentindo super bem de energia com o surf encaixadinho nessa etapa. Também tínhamos uma boa previsão, então estava esperando boas ondas. Acho que tudo isso junto ajudou a acontecer da forma que aconteceu e foi muito especial. Deus me ajudou bastante com tudo isso, foi um resultado que eu não esperava, fico muito feliz de ter vencido e agora estar no Top 5 para esta última etapa do ano”, relembrou.

Questionada se esses embates recentes com Carissa Morre deixaram essa conquista saborosa em Jeffrey’s Bay, Tati elogiou a sua adversária americana, até citou que houve gosto diferente, mas disse que o seu trabalho é focado no aprimoramento diário e não com embasamento em uma concorrente.

“A Carissa Moore é uma grande surfista. Já tive o privilégio de enfrentá-la e fazer grandes baterias com ela. Com certeza uma vitória traz mais confiança e um gostinho especial, mas tento manter o foco e a preparação independente da adversária. Algumas vezes mudamos um pouco nosso estilo e sabemos que será ainda mais difícil por estarmos competindo com grandes atletas”, explicou.

A última etapa do WSL está agendada de 11 até 21 de agosto em Teahupo´o, vila situada na região sudoeste do Taiti, considerada como a onda mais temida do mundo, algo que não assusta Weston-Webb.

“Toda preparação ‘pré-competição’ é intensa e com muito foco, mas no caso de Teahupo’o tem que ser mais específica com mais estudo e também cautela durante os treinos. Normalmente temos que tomar alguns cuidados e ficar preparados para o swell (conjunto de ondas marinhas lisas e uniformes), que vamos encarar. Neste caso, uma boa estratégia pode fazer a diferença. É desafiador justamente por ser um pouco diferente, mas estou preparada e com certeza serve para motivar ainda mais. Essa motivação vai me ajudar a realizar um grande surf e conseguir um bom desempenho”, falou.

As finais do WSL 2022 vão acontecer de 8 a 16 de setembro em Trestles, na Califórnia, nos Estados Unidos. Avança para esta fase decisiva quem fizer parte do ranking Top 5.

OLIMPÍADAS

Cotada para ser medalhista nas Olimpíadas de Tóquio 2020, Tatiana foi eliminada para a japonesa Amuro Tsuzuki nas oitavas de final. Tati pontuou que a novidade do surf no circuito olímpico gerou certa ansiedade, disse que se entregou 100% e que o momento só o faz visualizar a edição de Paris 2024.

“Por ser a primeira vez do surf como modalidade olímpica, foi uma pressão e gerou grande ansiedade para todos os atletas. Isso afeta no modo que encaramos a competição. E, claro, que gostaria de poder ter trazido essa medalha para o nosso país, mas fiz meu melhor, o nível ali é alto, como em toda competição, mas as Olimpíadas trouxeram grande visibilidade ao esporte. Isso me deixou mega feliz de ver que mais meninas do mundo afora estão curtindo o surfe. Agora é focar e ir em busca de uma medalha em Paris 2024”, concluiu.