Surfe: Onde nasceu a Tempestade Brasileira?

Bandeiras da Brazilian Storm podem ser vistas em todas as etapas da WSL (Foto: Kenneth Morris/WSL)
Bandeiras da Brazilian Storm podem ser vistas em todas as etapas da WSL (Foto: Kenneth Morris/WSL)

O ano era 2011, a praia era Trestles e o último dia de competição foi predominantemente brasileiro. O Nike Lowers Pro etapa da divisão de acesso do surfe, foi sediado nas areias (ou pedras?) da reserva militar americana. No calendário do WQS, era a etapa mais importante do calendário e quem pontuasse bem ali, passaria pra parte de cima do ranking, o que deixaria qualquer surfista mais próximo da elite.

Foi aqui que tudo começou, que os gringos apelidaram a gente de Brazilian Storm. É uma onda que não tem um favorecido, porque é uma onda que quebra para a esquerda e para a direita e você precisa fazer o seu melhor.Gabriel Medina, em entrevista em 2015

O evento começou na terça-feira e na sexta já era possível perceber que o clima era diferente. Um grupo unido e barulhento de surfistas falando português começou a conquistar não só o palanque, como as vagas nas quartas de final. Até mesmo o locutor das notas no palanque se rendeu ao - inédito - domínio brasileiro: “O mundo agora está contra os brasileiros”.

A partir desse momento australianos, americanos e havaianos perceberam que a hegemonia em uma tradicional onda foi quebrada. Enquanto isso, Jessé Mendes (3º colocado), Thiago Camarão (3º colocado), Heitor Alves (5º colocado), Junior Faria (5º colocado), Jadson André (5º colocado) ocupavam o último dia de etapa. A surpresa maior estava na final com um garoto de Itanhaém que venceu sua primeira etapa no WQS diante do queridinho da torcida, o americano Tanner Gudauskas.

Com o número crescente de brasileiros no topo WQS, a imprensa internacionalespecializada deu a essa grande presença brasileira Brazilian Storm, ou seja, a “Tempestade Brasileira”.

A hegemonia em Trestles começou a falar português e nos três anos seguintes apenas brasileiros venceram o WQS. Na primeira vez que essa geração brasileira disputou uma etapa de elite por lá, Gabriel Medina fez uma previsão que, seis anos depois, virou premonição.

“Pode ter uma final brasileira. Eu sou o único que estou em uma chave e os outros brasileiros estão na chave de cima. Eu espero que sim.” (Gabriel Medina, em entrevista em 2015)

Tempestade e bonança

Parece clichê, mas depois da tempestade veio a bonança. Com os surfistas fazendo sucesso nas temporadas seguintes, logo apareceu um dono do termo “Brazilian Storm”. Um empresário de Praia Grande (SP) registrou o termo em seu nome e assim vendeu vestuário e acessórios com a marca.

Os surfistas que participaram daquela campanha em Trestles se incomodaram com a situação ele reuniram para criar um comunicado explicando que não possuem vínculo com a marca. E completavam dizendo que “a expressão deixou de ser só uma referência da torcida e imprensa pra se tornar uma marca, que visa lucro com a venda dos produtos”. O grupo de atletas ainda fez questão de declarar apoio ao programa do canal de TV paga, OFF, que leva o mesmo nome.