STJD exclui do futebol suspeitos de manipulação no Brasileirão A1

Decisão do STJD puniu um funcionário do Santos e dois do RedBull Bragantino. Foto: (Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)
Decisão do STJD puniu um funcionário do Santos e dois do RedBull Bragantino. Foto: (Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu por excluir do futebol um funcionário do Santos e dois do RedBull Bragantino envolvidos em um esquema de manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro Feminino deste ano.

O julgamento, realizado na última quinta-feira, determinou que Fabrício de Paula, ex-preparador de goleiras do Santos, Anastácio Rio, ex-roupeiro do Bragantino, e Laudice Oliveira Ramos (conhecido como Alemanha), ex-massagista do Bragantino, fossem banidos do esporte, além da aplicação de multa de R$ 60 mil para Fabrício e R$ 20 mil para Laudice e Anastácio. Na decisão, que foi comunicada em uma sessão itinerante durante a Brasil Futebol Expo, o auditor Mauro Marcelo de Lima e Silva, relator do processo, afirmou que: "A manipulação é um problema muito complexo e difícil de ser combatido. Nós não vamos conseguir aniquilar totalmente, mas a Justiça Desportiva deve manter o foco e trabalhar contra... O depoimento da atleta foi consistente, coerente e com detalhes impossíveis de serem construídos falsamente. Além do depoimento da atleta, temos prints de conversas do denunciado oferecendo o dobro da proposta. O recorrente Fabrício foi demitido do Santos e os demais, desligados do Bragantino. O que foi apurado demonstra que não estamos diante de meros indícios".

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Entenda o caso

No mês de junho, uma grave denúncia foi feita pelo presidente do Santos, Andrés Rueda, em entrevista coletiva. A acusação de um funcionário do clube paulista de tentar subornar uma jogadora do RedBull Bragantino em uma partida do Campeonato Brasileiro Feminino fez com que o profissional fosse expulso e uma investigação instaurada no Santos. Buscando esclarecer os fatos, Rueda confirmou que um funcionário buscou subornar a atleta para que ações em sites de apostas fossem realizadas e ganhas: "A gente teve um fato lamentável comprovadamente nesse fim de semana que talvez seja a cabeça de um iceberg do que está acontecendo no nosso futebol. Um funcionário do nosso clube, do futebol feminino, utilizando-se de um intermediário do Bragantino, tentou subornar uma jogadora do Bragantino para arranjar um resultado elástico já no primeiro tempo do jogo para efeito de apostas".

Na ocasião, a jogadora do Bragantino procurou o diretor executivo do clube do interior paulista, Thiago Scuro, e relatou o fato: "A alegação é de que o Bragantino já estava eliminado. A jogadora prontamente recusou a proposta e comunicou seus superiores, que têm uma relação muito forte com o Thiago, apresentando inclusive provas materiais, prints de conversas. Tão logo chegou ao nosso conhecimento, junto com o Thiago, a gente tomou algumas providências. Providências que tomamos de imediato: demissão por justa causa de todos os envolvidos. Oficiamos imediatamente a CBF, colocando as provas, os prints". Lucas Musetti, jornalista do UOL, publicou um vídeo em seu perfil oficial no Twitter onde identifica o profissional e mostra a entrega de um envelope para a quarta árbitra, Adeli Mara Monteiro.

Na súmula da partida, no campo de observações eventuais, nada foi relatado. De acordo com o funcionário acusado, ele teria afirmado que entregou uma capa de chuva à árbitra.