STJD absolve Rafael Ramos em caso de injúria racial

Auditores do Supremo entenderam que as perícias não puderam garantir que Rafael Ramos praticou crime contra Edenílson.
Auditores do Supremo entenderam que as perícias não puderam garantir que Rafael Ramos praticou crime contra Edenílson. Foto: (Silvio Avila/Getty Images)

O Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) considerou que não houve provas conclusivas para que Rafael Ramos, lateral direito português que atua pelo Corinthians, fosse condenado pela possível injúria racial cometida contra Edenílson, meio-campista do Internacional, na partida envolvendo as duas equipes no dia 14 de maio deste ano.

Julgado pela 2ª Comissão Disciplinar do STJD na manhã desta terça-feira, os auditores do Supremo, de forma unânime, decidiram por absolver o português porque, segundo eles, as perícias não puderam garantir que Rafael Ramos praticou crime contra Edenílson. Através de nota oficial publicada em seu site, o Corinthians declarou que: "O Corinthians reforça o seu compromisso na luta contra o racismo. Desde o início, o clube deu todo o suporte necessário a Ramos e, agora, deseja uma sequência plena nas carreiras desportivas de ambos os atletas".

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Ramos é réu na Justiça Comum

No mês de agosto, Rafael Ramos se tornou réu no processo criminal referente à denúncia de injúria racial. O juiz Marco Aurélio Martins Xavier, que capitaneia a 14ª Vara Criminal e Juizado do Torcedor e Grandes Eventos do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, recebeu na última terça-feira a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul. No recebimento, o juiz afirmou que: "O fato contido na peça acusatória foi veiculado em imagens, captadas, inclusive, em rede nacional: ainda que passíveis de exame percuciente, na fase probatória, permitem a conclusão da ocorrência substancial do fato e dos indícios da autoria delitiva, atribuída na denúncia. Com efeito, é plenamente viável a pretensão acusatória".

Relembre o caso

No empate em 2 a 2, o jogador colorado, que tem passagem vitoriosa pelo clube do Parque São Jorge, acusou o defensor português de tê-lo chamado de "macaco" em uma disputa de bola na lateral do gramado do Estádio Beira-Rio. Após a partida, o corintiano foi detido em flagrante pela polícia, ainda na casa do Inter, e teve de pagar fiança de R$ 10 mil para ser liberado.

As punições esportivas previstas para o caso poderiam ser de suspensão de 5 a 10 partidas e ser multado de R$ 100 a R$ 100 mil. O Corinthians poderia ser expulso do Campeonato Brasileiro, caso a infração fosse considerada de extrema gravidade.