Soberana na América, seleção feminina tem desafio de crescer além do continente

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Foi com 20 gols marcados e nenhum sofrido que o Brasil conquistou a Copa América feminina. Dificuldade mesmo houve apenas na final, na noite de sábado (30), diante da anfitriã Colômbia.

O equilíbrio na decisão foi mais fruto do nervosismo das visitantes diante de um estádio cheio, em Bucamaranga, do que propriamente de uma paridade técnica entre as equipes. Debinha sofreu e cobrou o pênalti que definiu o triunfo verde-amarelo por 1 a 0.

Foi uma campanha sólida no primeiro desafio sem Formiga, 44, aposentada, e Marta, 36, em recuperação de lesão séria no joelho. Como obviamente atestam os números, a defesa se mostrou confiável ao longo de todo o torneio.

"Foi impressionante não sofrer gols", afirmou a técnica Pia Sundhage. "Cada tirada de bola é um gol que não entra. Então, isso tem que ser comemorado", disse Antônia, 28, que se firmou na lateral direita e vibrou muito com seus desarmes contra as colombianas.

O título foi celebrado efusivamente no estádio Alfonso López. Segundo a lateral esquerda Tamires, o lema do time na competição foi "não tomar nada como garantido", motivo pelo qual o torneio, mesmo de menor importância em relação aos que virão, foi bastante valorizado.

As jogadoras não deixaram de lamentar, no entanto, as arquibancadas vazias na maior parte do campeonato, pouco divulgado na Colômbia. A final teve casa cheia, com cerca de 28 mil espectadores, mas a média de público do certame foi de 6.889 pessoas por jogo.

Há um contraste evidente com a Eurocopa feminina, decidida no domingo (31). A vitória por 2 a 1 da Inglaterra sobre a Alemanha foi acompanhada por 87.192 torcedores em Wembley. É o recorde da Euro, incluídas nas contas as partidas masculinas do tradicional torneio.

Também é inegável a diferença geral na qualidade técnica exibida nos gramados europeus. Se serviram para alimentar a confiança das jogadoras, vitórias como a sobre o Peru, por 6 a 0, não foram exatamente um teste para os confrontos duros no horizonte da seleção brasileira.

O próximo desafio mais complicado para a equipe verde-amarela está marcado para 2023, entre julho e agosto. Na Copa do Mundo da Oceania, Pia Sundhage conta com a evolução de jovens que se apresentaram bem na Copa América, como Duda Sampaio, 21, e a estabilidade das mais experientes, como Tamires, 34. A ideia da treinadora sueca é também voltar a ter no grupo a craque Marta.

Além dos ajustes táticos, Pia tem como preocupação ver suas atletas mais calmas. Há três anos à frente do time, ela ainda se surpreende com o estado emocional oscilante de suas comandadas.

"As jogadoras brasileiras jogam muito com emoção, especialmente as mais jovens. Se a emoção sobe em um bom sentido, isso é fantástico. Mas, se a emoção mostra que o time está ficando para baixo, é preciso buscar a concentração na parte tática. Para isso, a gente precisa ter jogadoras mais experientes e se acostumar a ter grandes adversários", declarou a treinadora.

Se não houve grandes rivais na Copa América, eles estarão à espera na Copa do Mundo —e nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.

Até lá, Pia torce pela recuperação plena da meio-campista Angelina, 22, que vinha jogando bem. Na final, ela sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior e do menisco lateral do joelho direito.

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