Sem pontos no ranking, Wimbledon atrai tenistas com tradição e prestígio

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Começa nesta segunda-feira (27) mais uma edição do velho Torneio de Wimbledon, apegado às suas tradições. Disputado desde 1887, o campeonato continua prestigiado no circuito mundial de tênis, mas terá uma disputa atípica, sem pontuação no ranking, sem alguns jogadores importantes e, após muito tempo, com atleta do Brasil entre nomes importantes da chave de simples.

A competição deste ano foi precedida de incertezas. No contexto da invasão do território da Ucrânia por parte da Rússia, com apoio de Belarus, o All England Club vetou a participação de russos e belarussos. Para evitar que isso tivesse peso em suas classificações a ATP e a WTA (associações masculina e feminina, respectivamente) decidiram que a disputa não valerá pontos.

A escolha da entidade que organiza o certame foi criticada. O sérvio Novak Djokovic, 35, que ocupa a terceira colocação na lista masculina e teve sua participação possível com o fim da obrigatoriedade de vacinação contra a Covid-19 antes imposta pelo governo inglês, pronunciou-se a favor dos excluídos.

Um deles é o russo Daniil Medvedev, 26, número um do mundo. Ele chegou à final de dois dos torneios da temporada de grama, considerados preparatórios para Wimbledon, mas não poderá repetir o feito em Londres. Já sua compatriota Natela Dzalamidze, 29, trocou de nacionalidade e entrará em quadra, na chave de duplas, sob a bandeira da Geórgia.

O anúncio de que não haveria pontuação desestimulou a participação de alguns dos atletas do circuito. Mas o prestígio do tradicionalíssimo campeonato fez o espanhol Rafael Nadal, 36, e a norte-americana Serena Williams, 40, lutarem contra problemas físicos para entrar em quadra. Já a japonesa Naomi Osaka desistiu e deu lugar à brasileira Laura Pigossi, 27.

O grande nome do Brasil, no entanto, é Bia Haddad Maia, 26, que chega embalada por ótimo desempenho na temporada de grama. A paulistana venceu em sequência seus dois primeiros torneios da série WTA, em Nottingham e em Birmingham. Na semana seguinte, chegou às semifinais em Eastbourne.

Os resultados a alçaram à 28ª colocação do ranking, a melhor posição de uma brasileira na WTA –Maria Esther Bueno liderou a lista da Federação Internacional, nos anos 1950 e 1960, antes da criação da atual associação. Ela será a cabeça de chave número 23 e estreará nesta segunda, contra a eslovena Kaja Juvan.

A partida será a segunda da quadra 12, cuja programação terá início às 7h (de Brasília). Transmitida pelo SporTV 3, pela ESPN 2 e pelo Star+, a competição terá ainda um representante do Brasil na disputa de simples masculina. Thiago Monteiro espera avançar além da segunda rodada pela primeira vez, objetivo buscado também por Bia.

A ideia, especialmente com Haddad, é evocar os grandes momentos de Maria Esther, tricampeão de simples em Wimbledon. Entre os homens, o máximo foram as quartas de final. Gustavo Kuerten, tricampeão em Roland Garros, alcançou essa fase em 1999. Três anos depois, foi a vez do azarão André Sá. Armando Vieira, em 1951, e Thomas Koch, em 1967, atingiram a mesma etapa.

O rápido piso de grama do campeonato não tem sido gentil com os brasileiros. Mas a aura da tradicional competição continuou atraente. A brasileiros, a não brasileiros e até a quem não é exatamente um apaixonado por tênis, uma vez que Wimbledon é também um evento social, com nobres, políticos e famosos na plateia.

A nata se reúne no Royal Box, espécie de camarote inaugurado em 1922, com 74 assentos. Até 2003, era necessário que os tenistas prestassem mesura aos convidados, algo que continua valendo quando está presente a rainha da Inglaterra ou o príncipe de Gales. Em 2015, por não estar de terno e gravata, o piloto britânico Lewis Hamilton foi impedido de ver a final masculina.

O código também é rígido para os tenistas. O guarda-roupas é regrado desde 1890, com uma exigência clara: tudo branco. Creme só acompanhado de morango, petisco tradicional do campeonato —são 190 mil porções servidas nos arredores das quadras anualmente.

Detalhes coloridos são permitidos em expressão mínima, como partes de golas e barras e logotipos com não mais do que um centímetro. Pede-se também que o uso de equipamentos de saúde coloridos seja evitado.

Até a sola dos tênis é uma questão. Roger Federer –maior campeão, com oito títulos, neste ano fora do torneio pela primeira vez em 23 edições– já teve que trocar seu calçado, em 2013, porque o solado era laranja. Andre Agassi, no início dos anos 1990, chegou a se rebelar e boicotar o evento, em parte, justamente por causa do "dress code", que tem origens classistas.

A roupa é parte tão importante da competição que estilistas da alta-costura fizeram suas incursões. Em 2003, a belga Diane von Furstenberg desenhou um vestido com a tenista norte-americana Venus Williams.

Faz parte do show. De branco, lesionados, quase aposentados ou novatos esperançosos estarão em ação a partir desta segunda no All England Club. Sem pontos no ranking, mas com o encanto da tradição.

*

MAIORES CAMPEÕES DE WIMBLEDON

Títulos a partir de 1968, na era aberta

Roger Federer - 8 (2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2009, 2012, 2017)

Pete Sampras - 7 (1993, 1994, 1995, 1997, 1998, 1999, 2000)

Novak Djokovic - 6 (2011, 2014, 2015, 2018, 2019, 2021)

Bjorn Borg - 5 (1976, 1977, 1978, 1979, 1980)

John McEnroe - 3 (1981, 1983, 1984)

MAIORES CAMPEÃS DE WIMBLEDON

Títulos a partir de 1968, na era aberta

Martina Navratilova - 9 (1978, 1979, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987, 1990)

Steffi Graf - 7 (1988, 1989, 1991, 1992, 1993, 1995, 1996)

Serena Williams - 7 (2002, 2003, 2009, 2010, 2012, 2015, 2016)

Venus Williams - 5 (2000, 2001, 2005, 2007, 2008)

Billie Jean King* - 4 (1968, 1972, 1973, 1975)

*Venceu também em 1966 e 1967

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos