Rivaldo avalia Brasil na Copa e diz que Hulk e Veiga teriam mais chances se estivessem na Europa


A contagem regressiva para a Copa do Mundo do Qatar 2022 já começou. Se lá fora jogadores como Kylian Mbappé acreditam que os europeus são favoritos, no Brasil o pensamento é que a Seleção tem grandes chances de levar o título. Pelo menos é o que diz Rivaldo, campeão mundial e camisa 10 em 2002, última vez que os brasileiros levaram a melhor. Em entrevista exclusiva ao LANCE!, o ex-jogador avaliou a possibilidade do fim do jejum de 20 anos.

- Eu acho que tem tudo, pelo trabalho que o Tite está fazendo, pela Seleção, pelo grupo, pelos jogadores que tem, tem tudo para conquistar. A gente sabe que Copa do Mundo não é Copa América, não é Olimpíada, não é amistoso, é muito difícil o Mundial. Por isso está indo para 20 anos de jejum. Mas o Brasil tem tudo, tem jogadores atuando em times que jogam Champions, então é favorito. O Brasil é sempre favorito em qualquer Copa do Mundo, onde estiver. Claro que é uma Copa, não é fácil, quando começa o mata-mata ali são 90 minutos, é difícil. Mas o Brasil tem que estar preparado.

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Só porque a Seleção Brasileira está entre as favoritas não quer dizer que a lista dos prováveis convocados é unanimidade. As vagas estão terminando e cada vez menos novidades aparecem nas escolhas de Tite. Entretanto, para Rivaldo, dois nomes poderiam se tornar opções para o treinador na Copa: Raphael Veiga, do Palmeiras, e Hulk, do Atlético-MG. O ex-meio-campista admite que é difícil eleger quem seria cortado para que os dois pudessem atuar, mas diz que teriam outra visibilidade se estivessem na Europa.

- Quem está de fora sempre fala "poderia ser fulano de tal", como o Veiga, que está jogando muito bem no Palmeiras, que é um grande clube, pelo qual eu tenho um carinho muito especial. Como todos os grandes clubes do Brasil, tem um jogador ou outro sendo convocado, mas se ele está no Real Madrid, no Barcelona, as coisas já são diferentes. São coisas do futebol. Como o Hulk também, com a idade que tem, fazendo um grande campeonato, tem jogado muito bem, mas está no Brasil, em um grande clube como o Atlético-MG. Se está na Europa e se está sendo o artilheiro, faz gol na Champions, com certeza o treinador dá mais atenção para aquele jogador, porque está jogando em um campeonato em que estão a maioria dos jogadores das seleções europeias, aquele jogador está mais preparado - afirmou.

- Às vezes o treinador olha mais para esse lado do que para os jogadores aqui no Brasil. Mas tanto o Hulk quanto o Veiga poderiam estar no grupo. Claro que a gente não sabe quem ele poderia tirar, isso é difícil de opinar. Quem tirar para colocar esses dois? Mas eu acredito que ainda não tenha fechado. O treinador tem mais ou menos o seu grupo, mas muita coisa pode acontecer ainda, temos mais cinco meses até lá. Às vezes os jogadores machucam, não vão bem, e o treinador tem que pegar sempre os melhores naquele momento para levar ao Mundial. Pode acontecer de o Hulk e o Veiga ainda terem chance - completou.

Raphael Veiga e Hulk
Raphael Veiga e Hulk

Raphael Veiga e Hulk são pedidos na Seleção (Montagem Lance!Fotos: Cesar Greco / Palmeiras; Pedro Souza/ Atlétic)o-MG

Assim como Rivaldo em 2002, Neymar chega até a Copa do Mundo com 30 anos. O meio-campista disputava sua segunda, enquanto o jogador do Paris Saint-Germain vai para a terceira da carreira. O craque brasileiro da atualidade viveu a pior temporada desde que chegou à Europa, fazendo apenas 28 partidas, 13 gols e oito assistências. Atrapalhado por lesões novamente, o camisa 10 ficou fora da equipe entre novembro de 2021 até o meio de fevereiro de 2022. Mesmo assim, Rivaldo acredita que o Mundial do Qatar pode ser a chance dele brilhar.

- Eu acho que já está dividindo um pouquinho a responsabilidade, isso é muito bom para o próprio Neymar. Mas ele é o cara, ele é o 10, o cara que vai decidir essa Copa do Mundo para o Brasil. Claro que quando você tem jogadores se destacando junto dele. Quando as coisas não estiverem indo bem para ele, há outros grandes jogadores que se destacaram bastante na Champions. Então podem brilhar também. Mas hoje ele é o nome. Está com 30 anos, é um momento muito bom. Foi com a idade que eu fui campeão em 2002. É o momento dele agora, porque não sabemos o que vai acontecer daqui quatro anos, então ele tem que se empenhar ao máximo junto com os companheiros para tentar conquistar esse título para o Brasil.

Rivaldo Copa 2002
Rivaldo Copa 2002

Rivaldo foi campeão com a Seleção em 2002 (Foto: Luca Bruno / AP Photo)

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Qual jogador você acha que pode dividir a responsabilidade com o Neymar?


Eu acho que o Vini Jr., que está muito bem. Tem que dar uma oportunidade para esse menino jogar, está com vontade, mesmo com 21 anos. Já mostrou que é um grande jogador, que tem personalidade... Enfim, tem um grupo muito bom, muito forte, grandes jogadores, que não vão ter medo de jogos decisivos na Copa do Mundo. Acredito que o Brasil está com um grupo fechadinho, bem unido. Acho que pode chegar na final e conquistar, porque aí já te dá uma tranquilidade enorme e poderemos esperar alguns anos mais.

Vai ser muito legal essa Copa do Mundo, e eu espero que o Brasil conquiste, porque não é fácil aguentar a pressão, é muita pressão, quem joga sabe a responsabilidade, você joga uma Copa América, Olimpíada, amistoso, ganha de 5 a 0, reclama que o time era fraco, se perde para uma seleção mais forte, é porque ainda não está preparado. Sempre vai haver críticas para os jogadores, para o treinador. Quando você conquista uma Copa do Mundo acabam as críticas, acabou tudo. Isso aconteceu comigo e eu acredito que neste ano também vai com o título do Brasil. O treinador vai ser o melhor treinador, o Neymar vai ser o top, todos os jogadores serão sensacionais. Com um título mundial todas as polêmicas acabam.

O torcedor brasileiro ficou mal acostumado com a Seleção Brasileira?

Eu acho que quando você conquista, tudo fica muito mais fácil, então você conquista e as pessoas começam a fazer comparação, mas é outra época, são outros jogadores. Eu mesmo vejo o Brasil bem favorito para o Mundial, com os jogadores que têm, que estão jogando bem. Passamos momentos muito difíceis nas Eliminatórias para poder classificar (em 2002), ninguém confiava no Brasil e hoje a gente está entre as melhores seleções de todas, ou a de 1970, ou de 1982. Isso porque ganhamos. É a mesma coisa agora, se vai lá e ganha, acho que todo mundo já começa a esquecer e dá moral para aqueles que estão hoje. Quando se ganha, é normal.

Agora, mesmo a Seleção ganhando, nas Eliminatórias, o povo critica, porque é Copa do Mundo. Acho que isso é ruim no Brasil, porque o que vale no Brasil não é Olimpíada, não é Copa América, nada é tão importante quanto o Mundial. O povo brasileiro fica parado quando a Seleção joga a Copa do Mundo. O treinador está fazendo um grande trabalho, tem grandes jogadores, mas tem que conquistar o Mundial, quando conquista, acabou. Todos vão falar muito bem e vão fazer comparação com 2002, com 1982, com 1970, quando não se ganha, todo mundo, torcedores, imprensa, ficam com saudade da Copa do Mundo 2002, quando se ganha se esquece. É normal.

Rivaldo Copa 2002
Rivaldo Copa 2002

Rivaldo foi vice-artilheiro da Seleção na Copa de 2002 (Foto: Luca Bruno / AP Photo)

Você tem concordado com as listas de Tite?

É difícil opinar no sentido de criticar o que o treinador está fazendo, mas minha opinião não é tirar jogador da Seleção e falar que aquele ou esse não merecem. Eu posso dizer aqueles que merecem, os que não merecem eu acho injusto da minha parte, porque o jogador chegou na Seleção por ter mérito, por estar dentro dos 23 jogadores da escolha do treinador. Mas a gente sabe quem merecia. Quem sai é difícil, porque tem a escolha do treinador, jogador de confiança, e no final, se perde, a responsabilidade é do treinador. Quem fica de fora dá o palpite, mas se o treinador levar um jogador e se equivocar, sabemos que a responsabilidade é toda dele.

Em 2019 você fez um desabafo quando o Paquetá usou a camisa 10, dizendo que a comissão técnica poderia ter protegido ele. Na época o Neymar até curtiu. Mantém essa opinião? Pode falar mais sobre o que pensou naquele momento?

Jamais eu critiquei o jogador em si, foi mais a maneira de o treinador ter substituído ele, por estar jogando com a 10. Muitos jogadores usaram, adoro o Paquetá como jogador, mas foi com ele. Na época eu quis dizer que o 10 tem que estar dentro de campo, tem que jogar. Era uma responsabilidade muito grande para o Paquetá. Hoje ele está bem preparado, pode colocar a 10 caso Neymar não possa jogar, porque ele dá conta do recado. Está jogando muito bem, merece estar no Mundial, é um jogador que eu admiro muito, joga muito fácil, vai ajudar muito a Seleção Brasileira neste Mundial. Acredito que vai estar dentro dos 23 jogadores, então jamais tive a intenção de criticar o jogador, não é do meu perfil fazer isso porque eu joguei. Quando a gente joga, tem que ter respeito com jogadores, com companheiros que estão jogando hoje. É mais o momento de proteger o jogador, porque é um grande atleta e poderia estragar ele para o futuro. Hoje ele está preparado, caso o Neymar não queira a 10, ele pode jogar com a 10 que dá conta do recado.

O Twitter ficou movimentado com o debate sobre você ser maior que o Zico. Concorda com essa afirmação?

Eu fico feliz de escutar, isso mostra que eu fiz um bom trabalho na Seleção Brasileira, joguei duas Copas do Mundo os 14 jogos, duas finais, uma perdi, outra ganhei, fiz oito gols em Copas. A gente escuta muito isso, eu fico feliz, eu sou o único campeão com a 10. Teve o Raí, mas ele estava no banco em 1994, se eu não me engano, depois do Pelé, foi o Rivaldo no sentido de estar jogando uma Copa do Mundo com a camisa 10. Então eu fico feliz por estar nesse grupo. Só tem feras, grandes jogadores, mas o importante é que eu fiz a minha participação muito bem na Seleção Brasileira. Eu não me preocupo com essas coisas de quem foi o melhor, o importante é que você fez o seu trabalho naquele momento, naquela época. Não quero ser melhor do que ninguém. O que eu tinha que fazer, fiz na Seleção Brasileira, joguei tudo ali para conquistar. Queria realizar o sonho de ser campeão do mundo, conquistei.

Tive uma responsabilidade muito grande de jogar com esse número 10, que muita gente fala que não pesa, mas pesa. Eu lembro que em 1998 o Zico foi no meu quarto e falou que eu ia jogar com a 10. A gente fala "tudo bem", mas no final é uma responsabilidade e ele que veio me dar a notícia. Depois disso você tem que superar dentro de campo, porque a 10 é visada, no sentido de fazer grandes jogadas dentro de campo, você tem que dar assistência, porque você é o 10, é visado pela torcida, pela imprensa. Tem que fazer gols e dar assistências para os seus companheiros. E você sabendo que lá atrás passaram grandes jogadores, Zico, Raí, Silas, Pelé, Rivellino e outros. Não é fácil. Fiz oito gols, que são poucos que jogam com a 10 e fazem oito gols em Copas. Tive esse privilégio de ter feito minha parte e acredito que fiz muito bem.

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