Requião tenta desidratar Ratinho Jr. em busca de segundo turno no Paraná

*Arquivo* BRASÍLIA, DF, 26.04.2017 - O ex-governador do Paraná Roberto Requião. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*Arquivo* BRASÍLIA, DF, 26.04.2017 - O ex-governador do Paraná Roberto Requião. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Principal candidato de oposição na disputa pelo Governo do Paraná, o ex-senador Roberto Requião (PT), 81, enfrenta prognósticos pouco positivos. Em disputa polarizada, ele vê o atual governador, Ratinho Jr. (PSD), 41, liderar com folga nas pesquisas, numa eleição que pode ser definida já em primeiro turno.

O cenário nacional também desfavorece Requião: seu candidato à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enfrenta a maior rejeição no Paraná, enquanto Jair Bolsonaro (PL), que apoia Ratinho, deve ser o mais votado no estado. Ainda assim, aposta numa "virada épica" após apresentar seu plano de governo.

A julgar pelas pesquisas, se a virada acontecer, ela de fato será épica. Na sondagem mais recente --do Ipec, divulgada na terça (23)--, Ratinho aparece com 46% das intenções de voto, ante 24% de Requião. Os outros candidatos somam 8%, enquanto 11% estão indecisos e 12% pretendem anular ou votar em branco.

"O que as pesquisas mostram são só um retrato do momento. As pessoas ainda não sabem que sou candidato. Vamos chegar bem e ganhar a eleição. É um imperativo, um feito épico dar essa virada e salvar o Paraná dessa selvageria liberal em que o Rato [Ratinho Jr.] nos jogou", diz Requião.

Mesmo com uma campanha mais curta em relação aos períodos eleitorais em que saiu vencedor, Requião disse acreditar que haja tempo hábil para sensibilizar o eleitorado. Para tal, compara sua trajetória política --foi prefeito de Curitiba, governador três vezes e senador outras duas-- à do atual governador.

"O Rato tem outorgas de 104 antenas de rádio e TV e destinou R$ 161 milhões para verba de propaganda. Mas não tem um programa de Estado para a população", afirma ele. "Comparado a governos anteriores, o Paraná não teve investimento. Meu último governo teve 340 programas sociais. Ele não tem como discutir o estado, está na perspectiva do liberalismo selvagem. O Rato é uma fake news."

Requião foi um dos fundadores do MDB do Paraná, partido em que consolidou sua carreira política. Sem cargo eletivo há quatro anos, desfiliou-se, com críticas de que a legenda teria sido tomada por Ratinho e Bolsonaro, após perder a disputa pela presidência da sigla para o deputado estadual Anibelli Neto.

Depois, passou a integrar o PT, em evento que contou com a presença de Lula, com quem o ex-senador sempre manteve certa proximidade.

Em paralelo, no Palácio Iguaçu, sede da administração paranaense, Ratinho Jr. conduz uma campanha, até agora, sem ameaças. O governador não foi ao primeiro debate, promovido pela Band, em 7 de agosto, detonando críticas dos adversários. Alegou ter um compromisso assumido anteriormente, com lideranças femininas.

Ao longo de seu mandato, Ratinho enfrentou polêmicas, como a implantação de colégios cívico-militares, a mudança no modelo de escolha de diretores de escolas estaduais, a reestruturação de órgãos ligados à proteção ambiental e a privatização da Copel Telecom, subsidiária da companhia elétrica Copel.

Com maioria na Assembleia Legislativa, porém, teve poucos incômodos práticos. Nesta campanha, tenta evitar o clima de "já ganhou".

O que Ratinho chama de "jeito moderno de governar", opositores classificam de "ficar em cima do muro". Ao longo da pandemia de coronavírus, por três vezes ele ficou de fora de manifestações coletivas de governadores que cobravam atuação mais firme de Bolsonaro na crise sanitária.

Por outro lado, em março deste ano, quando Lula esteve no Paraná, mandou um recado ao ex-presidente: não é seu inimigo. Agora, reafirmou apoio incondicional a Bolsonaro na eleição presidencial.

"É público o meu relacionamento com o presidente Bolsonaro. Foi ele quem mais investiu no Paraná nos últimos 30 anos. Farei campanha para ele", disse Ratinho.

"Não assinei as cartas dos governadores porque tinham mais cunho político-eleitoral do que efeito prático. Sobre meu recado ao Lula, é o meu jeito, trato todo mundo bem. Hoje [dia 22], a Simone Tebet [MDB] esteve em Curitiba, e a recebi no palácio."

O governador é filho do apresentador Ratinho, do SBT, que detém um grupo de comunicação com rádios e emissoras de TV. Ele rebate a tese de Requião de que tenha se valido da liberação de verba para obter apoio. "Esse candidato [Requião] é conhecido como grande divulgador de fake news. Essa é só mais uma."