Queda com a Ponte e dispensa do Furacão: por que Dedé não consegue retomar a carreira?


A carreira de um jogador de futebol pode ser repleta de glórias e histórias para contar, porém também existem os obstáculos físicos. O zagueiro Dedé faz parte desse grupo de atletas que tenta retomar a carreira depois de uma série de cirurgias no joelho. Na última terça, o jogador deixou o Athletico-PR depois de apenas 45 minutos jogados.


CURTA PASSAGEM PELO FURACÃO E BUSCA POR NOVO CLUBE


O defensor falou por meio de uma nota, via assessoria, que a decisão foi tomada em comum acordo e que irá buscar um novo clube ainda nesta temporada - a janela fecha no dia 15 de agosto. Ele chegou a viajar com grupo para Belo Horizonte, mas não foi utilizado pelo técnico Felipão - só atuou contra o Tocantinópolis, pela Copa do Brasil.

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– Não venho tendo muitas oportunidades e faz parte. Respeito, completamente, a decisão do treinador, mas, em comum acordo com o clube, vou buscar novos caminhos, aproveitando o período da janela de transferências. Preciso jogar e me sinto pronto para isso. Agradeço, demais, ao Athletico, que me abriu as portas e ao presidente Mario Celso Petraglia - disse o atleta.

FALHAS E POUCO TEMPO DE JOGO NA MACACA

Antes da curta passagem pelo Furacão, Dedé voltou aos gramados depois de dois anos (desde outubro de 2019) e defendeu as cores da Ponte Preta. No entanto, entrou em campo apenas contra Água Santa e Inter de Limeira, ambos no Moisés Lucarelli, e ficou marcado por falhas. Um pênalti e um recuo curto, que gerou o gol do triunfo do Netuno.

O fim de sua curta passagem pela Macaca ficou marcado por falhas e o rebaixamento no Campeonato Paulista. Ele voltou a sofrer com lesões e ficou de fora por problemas musculares na parte posterior da coxa esquerda.

OBSTÁCULOS FÍSICOS E FALTA DE REGULARIDADE

Movido pela fé, o zagueiro se apega à crença para retomar a carreira e lutar contra a dor e todos os problemas físicos. Aos 34 anos, Dedé se diz pronto para um novo desafio e sabe que precisa reconquistar a confiança para ter mais regularidade e ritmo de jogo. Com as camisas de Ponte e Athletico, as oportunidades foram escassas.

Diante das dores e dos obstáculos físicos, o jogador tem pela frente desafios que vão além das quatro linhas. Ficar tanto tempo longe do gramado afeta diretamente o mental - e traz à tona a possibilidade de pendurar as chuteiras mais cedo do que gostaria.

Dedé
Dedé

Dedé em ação com a camisa da Ponte Preta (Divulgação/Ponte Preta)

Em 2018, as boas atuações no Cruzeiro o levaram a pré-lista de 12 atletas para a Copa do Mundo, na Rússia. Caso algum dos zagueiros presentes na Seleção fossem cortados, ele disputaria com Rodrigo Caio uma vaga com a camisa amarelinha.

Anos se passaram e tudo mudou na vida e carreira do jogador. O sonho de disputar uma Copa deu lugar à busca por uma nova chance. Um reinício é duro e demandará tempo e espaço para praticamente provar que ainda pode jogar de forma competitiva.

TÍTULOS NA RAPOSA, MAS INÍCIO DO CALVÁRIO

Revelado pelo Volta Redonda, Dedé despontou no futebol brasileiro com grande destaque no Vasco. Chamado de 'mito' por torcedores cruz-maltinos, o zagueiro estava no elenco campeão da Copa do Brasil em 2011. Na sequência da carreira, acertou com o Cruzeiro e por lá enfileirou títulos, mas começou a enfrentar seu calvário.

Enquanto esteve na Raposa, foram quatro cirurgias no joelho e 1.729 dias longe dos gramados. No auge, além de ter figurado na pré-lista para a Copa do Mundo 2018, o jogador teve propostas de Juventus (ITA) e Lyon (FRA), mas ficou no time mineiro.

Com a camisa do time celeste, Dedé atuou em 188 partidas, marcou 15 gols e conquistou sete títulos. Bicampeão Brasileiro (2013 e 2014), Bicampeão da Copa do Brasil (2017 e 2018) e três Mineiros. Por fim, o defensor fez parte da campanha do rebaixamento da equipe mineira em 2019.

A saída, porém, ficou marcada com uma batalha de liminares quando acionou o Cruzeiro na Justiça e pediu mais de R$ 35 milhões para rescindir seu contrato. Seis meses depois, ambas as partes entraram em acordo, e a Raposa acertou o pagamento de R$ 16,6 milhões, em 60 parcelas, a partir de janeiro de 2022.

Dedé não pôde jogar na estreia da Libertadores pela expulsão na edição de 2018, contra o Boca Juniores, nas quartas de final
Dedé não pôde jogar na estreia da Libertadores pela expulsão na edição de 2018, contra o Boca Juniores, nas quartas de final

Dedé conquistou sete títulos pelo Cruzeiro (Vinnicius Silva/Cruzeiro)