Principal nome do kitesurf no Brasil, Bruna Kajiya vibra com esporte na Olimpíada: “Traz visibilidade”

Bruna Kajiya (Foto: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool)
Bruna Kajiya (Foto: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool)

Por Guilherme Faber (@fabergui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

A kitesurfista Bruna Kajiya, de 35 anos, marcou presença na cerimônia do prêmio de Rider do ano na categoria feminina do esporte, cujo título é destinado para as atletas destaque da temporada 2021/22. Entre as finalistas, Bruna não levou o troféu. O prêmio ficou com Mikaili Sol, de 15 anos. Ela é norte-americana naturalizada brasileira e considerada uma das promessas da modalidade.

O resultado foi anunciado no final de junho com premiação em meio a etapa da modalidade Big Air do Campeonato Mundial de Kitesurf, em Tarifa, na Espanha. A escolha da vencedora do prêmio Rider foi feita entre público, que teve oportunidade de votar na atleta favorita, especialistas, juízes e parceiros da GKA Kite World Tour.

Bruna Kajiya é atleta profissional do kitesurf desde 2004. Com quase 20 anos de carreira, a brasileira celebra o reconhecimento que conquistou no esporte. “Já são muitos anos de carreira e é sempre muito gratificante quando o nosso trabalho duro e dedicação do dia a dia são reconhecidos. Mesmo após todos esses anos, manter-me entre as melhores kitesurfistas do mundo é um motivo de orgulho para mim”, afirmou Bruna em entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes.

A paulista é a única mulher que completou a manobra “Backside 315”, façanha que combina a rotação de 540 graus com dupla passagem de alça, uma das mais difíceis do kite surf. Em termos de conquistas, Bruna é pentacampeã brasileira e bicampeã do “Triple-S Invitational” em 2010 e 2011, considerado o principal torneio do mundo à época. Organizado pela empresa estadunidense Real Water Sports, foi disputado até 2020.

Esse histórico de conquistas alimenta o sonho da Kajiya de ser referência para as mulheres no esporte. “Espero que com todos os meus anos de carreira, eu possa servir de espelho para outras mulheres que sonham em viver do esporte. Ajuda ainda mais a estabelecer o nosso legado”, pontuou.

Atualmente, a kitesurfista nascida em Ilhabela (SP), ocupa a segunda colocação do ranking mundial da GKA World Tour na modalidade freestyle. Na disputa válida pela primeira etapa do mundial de kitesurf, Bruna fechou o circuito de Salinas Del Rey, na Colômbia, em segundo lugar.

A próxima etapa do mundial de kitesurf acontecerá na cidade Tarifa, na Espanha, entre os dias 1 e 6 de agosto. Tarifa pertence a província de Cádiz, está situada na região da Andaluzia e é reconhecida como a capital do kitesurf espanhol devido aos ventos fortes, boas ondas e longos quilômetros de praias.

“Estou feliz que o mundial vai ser em Tarifa. É um lugar que eu já conheço, sinto-me muito confortável e confiante. Claro que as condições do vento mudam e o Big Air não é a modalidade que eu sempre pratiquei, mas sei que treinei muito. Então, estou tranquila”, complementou.

CARREIRA

Bruna desfruta de prestígio na modalidade e automaticamente conseguiu visibilidade fora das ondas. A kitesurfista é patrocinada pelas marcas RedBull, Mystic, North Kiteboarding, FILA e XP Investimentos. Para chegar até o lugar que tem hoje, Bruna precisou “driblar” empresas que queriam explorar sua imagem para outro fim.

“Evitei trabalhos com marcas que queriam fazer apenas fotos minhas posando de biquíni, sem mostrar nenhuma manobra ou nem precisar entrar na água para ilustrar o esporte em si. Não vejo nenhum problema em tirar fotos bonitas de biquíni ou até mesmo sentir-se sexy, mas tem que ressaltar o lado atleta nesses casos. A luta de todas as mulheres faz com que esse tipo de situação diminua cada vez mais. Quando comecei 90 ou 95% dos atletas do kitesurf eram homens e esse número mudou. Hoje em dia quando vou ao mar percebo a diferença na quantidade de mulheres praticando. Quero continuar aumentando a representatividade feminina no esporte. Mostrar que é possível uma mulher ser uma atleta de alto nível. Dessa forma, as mulheres acreditam em si mesmas. Além das marcas, público e mídia passam a enxergar isso também”, lembrou.

OLIMPÍADA

As classes de vela iQFoil e Fórmula Kite estarão nas Olimpíadas de Paris 2024. Essa entrada foi permitida somente em 2018. Quem representa a modalidade no país é a CBVela (Confederação Brasileira de Vela). Bruna, no entanto, não é especialista nas classes. Portanto, não vai disputar os Jogos. Mesmo assim, a brasileira vibra com a presença do kitesurf na capital francesa.

“O kitesurf nas Olimpíadas é uma ótima notícia. Esse evento traz muita visibilidade para o esporte e como ainda é “novo” em comparação com a maioria será importantíssimo para evolução. A categoria feminina foi extremamente valorizada durante as Olimpíadas [Tóquio]. Principalmente porque as mulheres mandaram muito bem, muitas delas inspiram a acompanhar o esporte e trazer a admiração de outros públicos as categorias femininas”, concluiu.