Por que o vencedor das 500 Milhas de Indianápolis bebe leite?

Tony Kanaan foi um dos brasileiros que venceu as 500 milhas de Indianápolis e tomou leite para comemorar.  Foto: Robert Laberge/Getty Images
Tony Kanaan foi um dos brasileiros que venceu as 500 milhas de Indianápolis e tomou leite para comemorar. Foto: Robert Laberge/Getty Images

As 500 Milhas de Indianápolis são especiais por vários motivos, mas sem dúvida um dos detalhes mais curiosos é a forma como os vencedores comemoram a vitória. Não há pódio habitual e o vencedor só é homenageado na ‘Victory Lane’, além de ser presenteado com uma coroa de flores à moda antiga e o champanhe é substituído por leite.

Para explicar como começou a tradição de celebrar o vencedor da Indy 500 bebendo leite temos que voltar a 1936. Louis Meyer, tricampeão naquele ano, tinha o hábito de beber leite desnatado, algo que sua mãe oferecia na infância como incentivo em dias quentes.

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Um empresário da área de marketing na indústria de laticínios viu fotos do momento no pós-corrida e fez investidas para que os vencedores das 500 Milhas bebessem leite a partir de então.

A situação não se estabeleceu principalmente porque quando as corridas voltaram a acontecer após a II Guerra Mundial, outro tricampeão, Wilbur Shaw, já atuando como chefe da pista, deu água ao vencedor. Bastou Shaw morreu em um acidente de avião em 1954, para que o leite voltasse ao protagonismo.

Foi quando a Indústria Americana de Laticínios decidiu oferecer 400 dólares ao vencedor e mais 50 ao seu mecânico chefe desde que eles bebessem o leite no Victory Lane, valor que era um grande incentivo para a época.

A coisa ficou tão séria que atualmente existe até uma pessoa, o 'Veteran Milk Man', especialmente designado para cuidar da carga preciosa com as 33 garrafas de leite à escolha de cada piloto, que chegam ao autódromo no domingo de manhã com escolta policial. Garrafas que, em muitos casos, os vencedores guardam como complemento do troféu.

Os pilotos têm que escolher previamente a variedade de leite que beberão se conseguirem a vitória que tanto almejam, escolha que fizeram antes de iniciar as duas semanas em que o evento acontece. E não adianta nem tentar quebrar a tradição porque seria considerado um sacrilégio.

Isso aconteceu em 1993 com Emerson Fittipaldi, que teve a ideia de tentar trocar o leite por suco de laranja, uma bebida que, por coincidência, era produzida por uma de suas empresas. Ele foi imediatamente obrigado a beber leite e sua audácia foi fortemente criticada pelos fãs. Foi a primeira e (provavelmente) última vez que alguém se atreveu a fazer algo assim.

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