Popular e carismático, Federer mudou a cara e a economia do tênis

Internaionali di Roma


Por Ariane Ferreira - Roger Federer, tal como Serena e Venus Williams, representa uma mudança de paradigma definitivo no tênis. Algo que vai muito além de suas 310 semanas como número 1 do mundo e 20 títulos do Grand Slam em simples.

Nas duas últimas décadas, Federer tornou-se sinônimo de “tênis” tanto para quem torce e acompanha o esporte quanto para quem nunca viu uma bolinha amarela quicando. Pesquisas de mercados sobre popularidade do tênis, reconhecimento de marcas e eventos, publicadas em diferentes períodos apontaram dados como: ‘Federer é prontamente reconhecido como grande campeã por pessoas que afirmam nunca ter visto uma partida de tênis’ (Nielsen Sports 2013).

De acordo com a revista norte-americana Forbes, Federer chegou em 2022 como o tenista mais bem pago do mundo pelo 17º ano consecutivo, com o detalhe de que desde julho de 2021 o suíço não jogou uma partida profissional e por isso não somou valores de premiações. Federer é há 18 anos um dos 10 tenistas mais bem pagos do mundo em contratos publicitários.

Considerando o início da carreira de Federer, 1998, e pegando o Brasil como recorte o tênis era apenas o 8º esporte mais popular do país, vivendo o início do auge da Era Guga, que deixou o tênis como o 5º mais popular. De 2004 pra diante, no Brasil, o tênis cresceu e tornou-se o 4º esporte mais praticado e reconhecido pelo brasileiro, mesmo sendo considerado esporte de elite. O tênis ainda tornou-se o segundo esporte com maior tempo de emissão televisiva no país, perdendo apenas para o futebol. Dos esportes considerados de elites e caros, o tênis é o melhor aceito em todas as classes sociais e 81% das pessoas no Brasil aceitam o esporte. Muito graças a figuras como Federer, apontaram diferentes estudos de mercados assinados por IBOPE, Delloite Brasil e Nielsen entre 2012 e 2018.

O fenômeno de popularidade de Federer fez crescer a procura por escolas do esporte para crianças não apenas em seu país natal, mas em toda a Europa. Dados a Tennis Europe, organização regional que representa 50 federações nacionais do continente, reportaram em 2010 um crescimento exponencial em todas as nações sob seu guarda-chuva.

Já a Federação Francesa de Tênis (FFT) apontou no mesmo ano um crescimento de mais de 20% de crianças federalizadas no país, a suspeita da FFT era a popularidade do suíço, somada ao seu título em Roland Garros 2009 em que igualou o recorde de Pete Sampras em 14 Grand Slams e a consolidação da geração francesa liderada por Richard Gasquet, Jo-Wilfried Tsonga e Gael Monfils.

Na Suíça, em 2014 foi anunciado um plano de 10 anos para a formação de novos tenistas. O programa recebeu o apoio do governo local e de diversas marcas do país. O intuito foi começar a promover o tênis nas escolas do país. O programa nasceu em 2008, com a conquista olímpica de Federer e Stan Wawrinka. De lá pra cá duplicaram o número de clubes com quadras de tênis no país helvético, são mais de 2 mil de acordo com o último balanço da Swiss Tennis, que fechou 2008 ano recorde de conquista de patrocínio com ativos em 6,9 milhões de francos para 15,1 milhões de francos em plena a pandemia de 2020, ultimo relatório.

Diante de dados e do evidente crescimento do interesse do público em geral entre 2006 e 2010, que a ATP traçou um plano de mudanças administrativas e comerciais entorno da figura do suíço. O projeto de crescimento do tênis começou modesto, com objetivo de 8% numa década, a contar de 2008 na reestruturação dos torneios, porém, ganhou corpo e clara visão com a chegada de Brad Drewett ao comando da ATP em 2012. Ex-tenista, Drewett sabia que mais ainda estaria por vir de Federer, que já possuía 17 títulos do Grand Slam deixando com folga o histórico recorde de Pete Sampras e seus 14 Slams.

Drewett faleceu em 2013 de complicações de uma doença degenerativa, mas deixou um plano mercadológico traçado para que seu sucessor, Chris Kermode, alterasse de vez o esporte. Com apoio de Federer no conselho dos jogadores e jogando grandes partidas em quadra, Kermode ampliou os objetivos da ATP e em 5 anos fez o esporte crescer globalmente na casa dos 20%. Diante da cada vez mais iminente aposentadoria do suíço, a associação passou a trabalhar com ‘legado’, ainda na administração Kermode, e tem se estruturado nisso sob comando do italiano Andrea Gaudenzi, que tem a missão de manter o tênis de pé após a saída de Roger Federer de quadra.