Planos de presidenciáveis para o esporte vão de artes marciais e estatizar a CBF

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os dois candidatos que estão na frente nas pesquisas na disputa para presidente têm propostas vagas para o esporte. As promessas dos outros nove passam por programa de incentivo às artes marciais, recriação do Ministério do Esporte e estatização da CBF.

A reportagem analisou os documentos apresentados pelos candidatos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) detalhando seus planos de governo. Os que não citaram o tema foram questionados pela reportagem.

Dos 12 postulantes à Presidência, Ciro Gomes (PDT), Felipe D'Avila (NOVO), Léo Péricles (UP), Sofia Manzano (PCB) e Vera (PSTU) não citaram o esporte em suas propostas.

Após questionamentos da reportagem, Vera não respondeu.

Líder na última pesquisa do Datafolha (45%), divulgada na quinta-feira (1º), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cita a necessidade de "democratização e descentralização do acesso ao esporte" porque as modalidades "promovem desenvolvimento, combatem violência e constroem a cidadania".

Também diz que o "protagonismo dos atletas e o fortalecimento da gestão pública e transparente do sistema esportivo" serão incentivados, mas não entra em detalhes.

Segundo colocado (32%) e candidato à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem apenas, como propostas concretas, a regulamentação do trabalho do profissional de educação física, a aprovação do Plano Nacional de Desporto e o fortalecimento do Sistema Nacional do Desporto.

Ele comenta sobre o desejo de "difundir o paradesporto", mas também sem explicar como.

"Primeira tarefa será restabelecer o Ministério do Esporte. Quando o governo [Bolsonaro] extinguiu o ministério, desvalorizou-o e deu invisibilidade à agenda do esporte", afirma Aldo Rebelo, candidato ao Senado em São Paulo pelo PDT e designado pela campanha para falar sobre as propostas de Ciro Gomes.

Segundo Rebelo, Gomes, terceiro lugar no Datafolha (9%), também vai aumentar o orçamento para o esporte e dar novo fôlego aos programas das bolsas medalha e pódio. Também quer valorizar os jogos estudantis.

Outro candidato que defende a recriação do Ministério do Esporte é Pablo Marçal, do Pros (1%). Ele promete expandir o crédito para o esporte com o objetivo de formar atletas de alta performance. Sua candidatura ainda está sub judice.

O Ministério do Esporte foi extinto em 2019, e suas atribuições foram repassadas ao Ministério da Cidadania. O tema passou a ficar a cargo da Secretaria Especial do Esporte.

Com 5% no Datafolha, Simone Tebet, do MDB, apresentou plano em que afirma a intenção de "incentivar e fortalecer as políticas de incentivo ao esporte" como forma de inclusão social. Também quer integrar os recursos do esporte de alto rendimento ao de formação de atletas, mas não entra em detalhes.

Felipe D'Avila (1%), do NOVO, diz que o esporte é assunto que deve ser tratado "primariamente" pelos governos estaduais e municipais.

"Ao governo federal cabe apenas algum programa de suporte ao esporte olímpico, de alto rendimento. Apoio o retorno das competições escolares, que desde cedo proporcionaram aos jovens um sentido de competição e disciplina atrelada ao esporte", afirma D'Avila, por meio de sua assessoria.

O candidato também defende um novo modelo de governança aos clubes de futebol inspirado nos clubes europeus. Ele foi o único que mencionou esse tema.

O futebol brasileiro vive fase de discussão a respeito da criação da liga de clubes, com divergências sobre a divisão do dinheiro entre as agremiações. A aprovação da Lei da SAF, que possibilita aos times se transformar em sociedades anônimas, abriu um novo flanco para busca de dinheiro com parceiros dispostos a investir na modalidade. Clubes tradicionais, como Botafogo e Cruzeiro, aderiram.

No cenário dos esportes olímpicos, o Brasil obteve no ano passado, nos Jogos de Tóquio, o melhor resultado de sua história, com 21 medalhas. Dos 302 atletas da delegação brasileira nas Olimpíadas, 242 receberam recursos do Bolsa Atleta, que foi reajustado neste ano para valores que vão de R$ 570 a R$ 21 mil mensais.

Apenas Soraya Thronicke (1%), do União Brasil, entregou ao TSE um plano que tem capítulo específico para o esporte. Ela defende o fomento da prática de artes marciais no Brasil da infância à terceira idade.

Entre seus outros projetos estão a elaboração de cadastro de técnicos esportivos para que seja acompanhada sua evolução profissional e a redução da carga fiscal de toda linha de suprimentos utilizados na prática de esportes.

Léo Péricles (0%), do UP, propõe a valorização do profissional da educação física, a criação de centros regionais, o fortalecimento dos Jogos Indígenas e mais recursos para o esporte.

"Grande parte das escolas públicas no Brasil não possui piscinas. Quem quer fazer natação, que é um esporte muito importante para o desenvolvimento de uma pessoa, tem que procurar academias ou clubes", ressalta.

Eymael (0%), do DC, quer universalizar o acesso ao esporte amador por meio de um plano chamado "pró-amador".

As propostas de Sofia Manzano (0%), do PCB, passam pela estatização de CBF (Confederação Brasileira de Futebol), COB (Comitê Olímpico do Brasil) e CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), "com gestão que contemple a participação popular, das entidades dos atletas e dos clubes".

"Serão ampliados recursos com o incentivo da escola de tempo integral, dos quais as atividades físicas deverão fazer parte da grade curricular", defende a candidata.

As propostas dos candidatos a presidente para o esporte*

Lula (PT)

- Inserir o fomento ao esporte e ao lazer na agenda nacional;

- incentivar o protagonismo dos atletas e tornar transparente a gestão do sistema esportivo;

- fortalecer o Sistema Nacional do Desporto.

Jair Bolsonaro (PL)

- Ampliar e fortalecer a política nacional de esporte e o fomento ao exercício físico;

- difundir o paradesporto;

- aprovar o Plano Nacional de Desporto e fortalecer do Sistema Nacional do Desporto.

Ciro Gomes (PDT)

- Recriar o Ministério do Esporte;

- fortalecer o orçamento destinado aos programas esportivos;

- valorizar jogos estudantis e universitários como ferramenta de formação de esportistas de ponta.

Simone Tebet (MDB)

- Fortalecer as políticas de incentivo ao esporte como forma de promover a inclusão social dos jovens;

- melhorar condições de infraestrutura e manutenção das estruturas esportivas atuais;

- integrar recursos do esporte de alto rendimento, formação e base.

Soraya Thronicke (União Brasil)

- Tornar o Profesp (Programa Força no Esporte) uma política de Estado;

- implementar um plano de gestão e desenvolvimento de esporte e lazer;

- fomentar a prática de artes marciais desde a infância até a terceira idade.

Pablo Marçal (PROS)

- Recriar do Ministério do Esporte;

- expandir o crédito esportivo para a formação de atletas de alta performance;

- criar plataformas digitais dos programas esportivos existentes para facilitar acesso e divulgação.

Felipe D'Avila (NOVO)

- Ter programas de suporte ao esporte olímpico, de acordo com a necessidade;

- Apoiar retorno das competições escolares;

- defender um novo modelo de gestão dos clubes de futebol.

Vera (PSTU)

- Investir no esporte para possibilitar a "inclusão da energia física e criativa da juventude do país".

(Não há outras propostas no plano de governo da candidata e os contatos da reportagem com o PSTU

não propiciaram respostas.)

Sofia Manzano (PCB)

- Estatizar CBF (Confederação Brasileira de Futebol), COB (Comitê Olímpico do Brasil) e CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro);

- vincular o Bolsa Atleta ao salário-mínimo do Dieese;

- promover ampla política de investimentos nas áreas urbanas e rurais, com criação de espaços de convivência comunitária e popular.

Constituinte Eymael (DC)

- Universalizar o acesso ao esporte amador;

- implantar o Pró-Amador (Plano Nacional de Apoio ao Esporte Amador Competitivo);

- promover políticas públicas para integração da criança e do adolescente na prática do esporte.

Léo Péricles (UP)

- Aumentar os investimentos públicos no esporte, principalmente no educacional;

- valorizar o profissional da educação física;

- aumentar o orçamento para o Esporte.

Roberto Jefferson (PTB)

Não apresentou proposta para o esporte em seu plano de governo. Teve o registro de sua candidatura negado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

*Ordem de acordo com a colocação na última pesquisa do Datafolha