Petrobras reduz em 4,9% preço da gasolina a partir de quarta-feira; primeiro corte em 2022

Placa com preços de combustíveis em Brasília

(Reuters) - A Petrobras anunciou, nesta terça-feira, uma redução de 4,9% no preço médio da gasolina vendida para as distribuidoras, de 4,06 reais o litro para 3,86 reais, que passa a valer a partir de quarta-feira.

É a primeira redução feita pela petroleira desde dezembro do ano passado e retoma o patamar médio de preços das refinarias que era praticado entre maio e junho.

O movimento ocorre enquanto o presidente Jair Bolsonaro continua a pressionar intensamente a liderança da empresa para reduzir os preços na bomba antes das eleições de outubro.

Mais cedo, Bolsonaro afirmou a um grupo de apoiadores que a companhia passaria a dar "boa notícia".

"Acho que a Petrobras vai achar seu rumo agora, com o novo presidente. Vai começar a dar boa notícia para a gente", disse ele referência à chegada de Caio Paes de Andrade, que tomou posse na presidência executiva da estatal no final do mês passado.

O último reajuste sobre os preços da gasolina foi realizado em 18 de junho, com aumento de 5,18%, ainda sob a gestão de José Mauro Coelho.

Em comunicado nesta terça-feira, a Petrobras informou que a redução acompanha a evolução dos preços internacionais de referência, "que se estabilizaram em patamar inferior para a gasolina".

Segundo a companhia, a medida é coerente com sua prática de preços, que busca o equilíbrio junto ao mercado global, mas também repassa aos valores internos a volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio.

A estatal afirmou ainda que, considerando a mistura obrigatória de 73% de gasolina A (pura) e de 27% de etanol anidro para a composição da gasolina, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará, em média, de 2,96 reais para 2,81 reais a cada litro vendido na bomba.

A redução de 0,20 real anunciada, porém, ficou abaixo da diferença positiva entre os preços praticados no Brasil e os do mercado internacional. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), na segunda-feira, antes do anúncio da Petrobras, o preço interno estava 0,30 real acima do produto importado.

Com diversos acontecimentos em todo o mundo que têm impacto direto na oferta e demanda do produto --como a guerra na Ucrânia, expectativa de recessão da economia global e lockdowns na China causados pela Covid--, as cotações do petróleo têm apresentado forte volatilidade.

Na segunda-feira, o petróleo Brent, usado como referência pela Petrobras, fechou com alta 5%. No dia 12, havia recuado 7,11%, ficando abaixo de 100 dólares pela primeira vez em três meses.

Na B3, as ações preferenciais da empresa subiam cerca de 1,7% durante a tarde, contra alta de 1% do Ibovespa.

(Por Rafaella Barros e Gabriel Araujo)