Perícia oficial diz não ser possível identificar o que Rafael Ramos disse

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Laudo produzido pelo Instituto Geral de Perícias concluiu não ser possível identificar o que o jogador do Corinthians disse.
Laudo produzido pelo Instituto Geral de Perícias concluiu não ser possível identificar o que o jogador do Corinthians disse. Foto: (Silvio Avila/Getty Images)

Produzido pelo Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul, o laudo de leitura labial encomendado pela Polícia Civil gaúcha concluiu que não foi possível identificar o que o lateral direito Rafael Ramos, do Corinthians, falou para Edenílson, meio-campista e capitão do Internacional, na partida entre as duas equipes válida pela sexta rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.

No empate em 2 a 2, o jogador colorado, que tem passagem vitoriosa pelo clube do Parque São Jorge, acusou o defensor português de tê-lo chamado de "macaco" em uma disputa de bola na lateral do gramado do Estádio Beira-Rio. Após a partida, o corintiano foi detido em flagrante pela polícia, ainda na casa do Inter, e teve de pagar fiança de R$ 10 mil para ser liberado.

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De acordo com o documento produzido pelo órgão público do Rio Grande do Sul, é inviável confirmar que o português tenha dito termos racistas ao jogador colorado: "É tecnicamente inviável localizar todos os vestígios que definem a sequência de consoantes e vogais emitidas (...) Por essas razões, é impróprio que a perícia criminal oficial do Estado afirme, com responsabilidade do ponto de vista processual e científico, o que foi proferido pelo jogador na cena questionada".

Leia a nota do IGP-RS na íntegra:

O Instituto-Geral de Perícias remeteu hoje à 2ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre o Laudo Pericial sobre o pedido de perícia de leitura labial acerca dos fatos ocorridos em jogo no Estádio Beira Rio em 14 de maio.

Quatro vídeos foram enviados para análise. Um deles foi selecionado, por apresentar maior extensão da cena questionada e melhor qualidade de sinal. As imagens foram tratadas com softwares de melhoramento e apresentaram qualidade suficiente para análise. Da cena questionada, foram extraídos 41 frames.

Não sendo possível identificar os movimentos realizados na porção interna da cavidade oral do jogador de camiseta branca, é tecnicamente inviável localizar todos os vestígios que definem a sequência de consoantes e vogais emitidas. A maior parte dos gestos que compõem a fala ocorrem justamente no ambiente intraoral ou em outras porções internas, como a faringe e a laringe. Nem em vídeos com excelente qualidade de imagem é possível obter as informações do que se passa na parte não visível do aparelho fonador.

Sobre o pedido de exame pericial de leitura labial, ressalta-se que não foi encontrada metodologia científica, aplicada à análise forense de vídeos, que sustente esse tipo de trabalho. Existem apenas publicações sobre percepção visual da fala e aprendizagem de leitura labial. Além disso, o registro enviado não possui o som das falas que interessavam à investigação, tornando impossível a perícia de áudio.

Por essas razões, é impróprio que a perícia criminal oficial do Estado afirme, com responsabilidade do ponto de vista processual e científico, o que foi proferido pelo jogador na cena questionada. O Laudo afirma que “sem que haja o respectivo sinal sonoro para realização de adequada análise percepto-auditiva e acústica, é conceitualmente inviável a definição confiável e inequívoca da pauta sonora proferida por um indivíduo a partir, exclusivamente, das informações relativas aos gestos articulatórios componentes que sejam exteriormente visíveis (como os de lábios e mandíbula)”. O documento afirma ainda que “resultados advindos da tentativa de mapeamento do que teria sido enunciado por um locutor questionado em uma imagem sem o áudio de fala associado (e consequente sinal acústico) seriam meramente exploratórios, representando muito mais conjecturas em torno de possibilidades anatomofuncionais do que evidências materiais per se”.

O Laudo Pericial possui 40 páginas e é assinado por dois peritos criminais da Seção de Áudio e Imagens do Departamento de Criminalística do IGP

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