Paralisia de Bell: saiba o que é o distúrbio facial que faz Patrick de Paula desfalcar o Botafogo


Patrick de Paula desfalcará o Botafogo contra o Fortaleza, às 16h deste domingo, em jogo válido pela 25ª rodada do Brasileirão, por um problema um tanto quanto raro no mundo do futebol. O volante foi diagnosticado com Paralisia de Bell, um distúrbio que pode ser considerado como uma paralisia facial parcial.

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O meio-campista sequer viajará para a capital cearense porque está tomando remédios considerados pesados. As medicações possuem uma substância que é considerada proibida pela CBF, o que poderia acusar Patrick em um eventual exame de antidoping - e gerar consequentes punições.

A Paralisia de Bell se dá pelo enfraquecimento de um dos lados da face. O tratamento se dá quase sempre como completo. Patrick, no caso, já iniciou a parte terapêutica para retornar aos gramados.

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O LANCE! consultou Renan Coutinho, neurologista pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que deu detalhes mais amplos sobre a Paralisia de Bell.

O que é?
"A Paralisia de Bell é o resultado da função inadequada do nervo facial, que é o nervo que controla os músculos da face. Através da contração desses músculos que podemos sorrir, fechar os olhos, demonstrar reações positivas e negativas - o que chamamos de mímica facial. Na Paralisia de Bell, essa disfunção inflamatória do nervo facial é considerada idiopática, ou seja, sem um agente causal, embora esteja muito relacionada com o herpes vírus.

Alguns estudos mostram que a Paralisia de Bell pode estar associada a reativação do herpes vírus no trajeto do nervo facial. Ele fica adormecido e no momento favorável, poderia se reativar."

Tem a ver com estresse/parte mental?
"O estresse e outras situações que potencialmente podem baixar a imunidade, em tese, poderiam facilitar o desenvolvimento da Paralisia de Bell pela reativação viral do herpes vírus, mas não é a causa da paralisia."

Quais os sintomas?
"Geralmente, o paciente com Paralisia de Bell pode apresentar dor no pavilhão auricular alguns dias antes da paralisia facial, alteração no paladar, que correspondem a outras funções/estruturas inervadas pelo nervo facial, que não só motoras.

Diferentemente do AVC, na Paralisia facial de Bell, toda a hemiface (metade da face) é comprometida, enquanto que no AVC, quase sempre ocorre perda da função motora apenas na parte inferior da face, e por isso, o desvio da boca ou do que chamamos de comissura labial."

Como funciona a recuperação?
"Na Paralisia de Bell (paralisia facial idiopática), a recuperação é quase sempre completa, dentro de algumas semanas. Algumas terapêuticas como corticóide e determinados antivirais quando indicados no tempo certo, podem acelerar a recuperação e o desfecho, embora não haja evidencias conclusivas a respeito.

O principal tratamento da Paralisia de Bell envolve fisioterapia e cuidados com a proteção ocular, pois com a dificuldade de fechar os olhos, ocorre diminuição da lubrificação lacrimal e ressecamento, podendo levar a inflamações graves que podem culminar com perda visual em casos extremos."