'Palmeiras, minha vida é você': 108 anos marcando a história do futebol e da torcida


26 de agosto, dia em que se comemora a realização de um sonho. Com o impulsionamento de grande parte dos imigrantes italianos que viviam na cidade de São Paulo em 1914, a Sociedade Esportiva Palmeiras foi fundada como forma de representação. E assim segue até hoje, sendo o retrato perfeito do futebol e de quem se retrata nisso.

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Após algumas reuniões e discussões acerca do novo clube, em 26 de agosto de 1914, no extinto Salão Alhambra, e na presença de 46 interessados, foi fundado o Palestra Italia – a palavra Palestra, de origem grega, significa em tradução livre da língua italiana “academia ou escola onde se pratica atividades físicas”. Só não sabiam, ou não poderiam prever, que as gerações das academias iriam muito além do significado literal.

Sem saber o que viria pela frente, a torcida que canta e vibra precisou entrar em campo e lutar

A primeira Academia do Palmeiras, formada por Ademir da Guia e companhia, rendeu aos palmeirenses mais velhos um período de inúmeras conquistas e respeito no certame nacional. Mais para a frente, a chamada ‘era Parmalat’ fez com que esse amor antigo fosse passado de geração em geração até o grandioso título inédito da Libertadores de 1999.

Mas, com o fim da parceria entre clube e marca, em dezembro de 2000, o Verdão precisou superar mais um árduo período de reconstrução política e administrativa, que estagnou as conquistas nos primeiros anos do Século XXI, trazendo também um dos momentos mais difíceis para entidade e torcida.

Em 2002, portanto, o Alviverde foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. A boa e única notícia da temporada foi a permanência do goleiro Marcos, que havia acabado de ser pentacampeão mundial com a Seleção Brasileira meses antes.

Palmeiras - rebaixamento 2002
Palmeiras - rebaixamento 2002

Em 2002, o Palmeiras foi rebaixado pela primeira vez (Foto: Reprodução/Palmeiras)

Mas isso não fez com que a torcida palmeirense desaparecesse ou deixasse de lado a paixão por aquele que já havia dado tantas alegrias. Pelo contrário, a família Palmeiras sabia que nos próximos anos ‘tudo seria diferente’, como o Matheus Ozelin, que sempre repetia essa previsão em forma de mantra para seu saudoso pai. O senhor, inclusive, que deixou o filho e a paixão pelo Palestra por conta de um problema nos rins, decretava a redenção em todas as derrotas.

Em 2012, um novo rebaixamento e processo doloroso para todos que não esperavam que o raio pudesse cair duas vezes no Palestra Italia. No ano seguinte, a volta à elite do futebol nacional, a chance de fazer tudo ser o completo oposto do que acontecia em momentos anteriores. “Ano que vem vai ser diferente, pai”. Em 2014 essa frase foi repetida por Matheus e tantos outros, que acertaram.

O Alviverde inteiro soube ser brasileiro e ressurgiu ainda mais imponente

No segundo semestre de 2014, no mesmo local do solo sagrado do Estádio Palestra Italia, surgiu o Allianz Parque como presente de Centenário à torcida palmeirense. Neste mesmo período, o clube passou por um enorme processo de profissionalização de setores importantes da instituição, visando retornar ao topo da história.

Em 2015, os reflexos da nova casa e de uma parceria com a Crefisa já deram as caras. Naquele ano, o Verdão conquistou a Copa do Brasil em cima do rival Santos em um momento em que a tensão parecia extrapolar pelas arquibancadas recém criadas. De pênalti, em uma bola, dos pés do goleiro Fernando Prass, o recomeço alviverde começava a se desenhar.

02/12/2015 – Santos 1 (3) x (4) Palmeiras – Copa do Brasil – Allianz Parque
02/12/2015 – Santos 1 (3) x (4) Palmeiras – Copa do Brasil – Allianz Parque

Fernando Prass converteu a última cobrança e sacramentou o título da Copa do Brasil (Foto: Ari Ferreira/Lancepress!)

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Depois, em 2016, uma nova taça foi levantada para cravar, ainda mais, o fim dos anos sombrios e o início de algo que nem todos acreditavam que poderia significar tanto. E como significava ganhar aquele Brasileirão… Claro que uma vida não pode ser resumida pelo amor pelo Palmeiras, mas o amor pelo Palmeiras pode resumir uma vida.

E o amor resume a vida de Tancredo Gama. O palmeirense oriundo da Bahia enfiou os pés pelas mãos e se endividou para tentar acompanhar de perto os braços dos capitães erguendo um troféu tão importante. No final, talvez tenha sido ele que obteve o maior sucesso. Em um confronto contra o Botafogo, ainda nada do título ser confirmado, mas um encontro de almas parece ter tido uma validação.

O duelo diante da Chapecoense naquele ano passaria a ser considerado o jogo do Enea. Além da partida, Tancredo ganhou um beijo daquela que, hoje, é a sua esposa e derrubou a teoria de que o Palmeiras é um “único amor”. É mais que isso.

O decacampeonato do time veio em 2018, longe do Allianz Parque, mais precisamente no Rio de Janeiro, em São Januário. No sacrifício, Willian Bigode consegue um passe para Deyverson, que empurra para o fundo do gol e sacramenta, de vez, que a dureza do prélio jamais tardará.

Entre jogos, detalhes, histórias marcantes, sempre havia um pouco de torcida e um pouco de Palmeiras. Sempre havia uma mistura perfeita de quem sempre se segurou em meio ao caos e comemorou os momentos bons. O Alex Lopes sabe bem qual é esse sentimento. Em 2019, seu pai descobriu um câncer terminal. Se o verde é a cor da esperança, o time que a representa foi o fio dela e o elo que ligou os melhores amigos até o final.

Mesmo em uma cama de hospital, “o amor que sentem pelo Palmeiras foi sim passado de pai e para filho” e se fez presente. Ali, no triunfo alviverde sobre o rival São Paulo, com direito a classificação na Libertadores de 2021, a última comemoração conjunta, mas longe de ser o final da memória e da glória que sempre será eterna.

Cabeça fria e coração quente para sair vencedor e corresponder todo apoio

Em outubro de 2020, Abel Ferreira chegou ao Palmeiras. Em pouco mais de um ano e meio, cinco títulos conquistados, incluindo um bicampeonato da Libertadores da América. O primeiro, em seus meses iniciais de clube, onde não era o favorito destacado. Entregou o resultado. Passou pelo River Plate antes de ganhar o título do Santos e começar a viver a ‘era de ouro’.

Abel Ferreira
Abel Ferreira

Abel Ferreira se consolida, dia após dia, como um dos maiores do Palmeiras (Foto: Cesar Greco/SE Palmeiras)

Além disso, os palmeirenses ainda puderam comemorar a conquista da Copa do Brasil e, no ano seguinte, o segundo título continental, desta vez sobre o Flamengo. Na atual temporada, um Paulistão e uma Recopa Sul-Americana, com fortes indícios de que isso ainda não é o suficiente.

O amor pelo Palmeiras sempre foi capaz de levar o time aos lugares mais altos possíveis, mesmo depois de sair de baixo. Abel parece ter aprendido isso rápido. Assim como Leonardo Sandrini, que pediu a mão de sua amada em Dubai, local da disputa do Mundial de Clubes, que o Verdão ainda não conquistou, mas isso se tornou apenas consequência.

Quem também entende essa sensação de amar algo ou alguém mais do que a si mesmo, além de ter que lidar com derrotas e mais derrotas até, enfim, chegar ao topo do que merece, é Renan Lucas, junto de sua mulher.

Depois de três perdas, Pedro veio ao mundo, mais precisamente no dia 15 de dezembro de 2021. Mas ele com certeza não seria um bebê qualquer em uma história qualquer. Ele recebeu um sobrenome vitorioso, de fibra e de sucesso coletivo.

Pedro Abel
Pedro Abel

Bebê recebe sobrenome de 'Abel' em homenagem ao treinador português (Foto: Renan Lucas)

Se “todos somos um”, o filho de Renan é o reflexo disso. Pedro Abel, como é chamado e certificado, ilustra perfeitamente o momento palmeirense e a certeza de que, independente de qualquer coisa, há sempre uma chance de renascer. Há um clube, há um treinador, há uma torcida, há um Palmeiras.

O dia 26 de agosto de 1914 ficou marcado na história, assim como as histórias ficaram marcadas pelo Palmeiras. Em 108 anos, a lealdade se tornou padrão, a luta o aguardou, imponente ele surgiu e, de fato, é campeão.