OPINIÃO: O problema não são as danças, o problema é o Vini Jr

Vini Jr vem sendo tema de discussão na Espanha por conta de suas danças (Foto: THOMAS COEX / AFP)


Desde o último fim de semana, Vini Jr vem sendo tema na imprensa espanhola por incomodar seus adversários devido as suas danças em comemorações de gols. Na quinta-feira passada, o atacante foi alvo de racismo por Pedro Bravo, presidente da Associação Espanhola de Empresários de Jogadores durante o programa "El Chiringuito".

No entanto, o problema não são as danças. O problema é o Vini Jr. Nascido em São Gonçalo, o atleta driblou os caminhos mais perigosos e conseguiu ascender de classe, colocar sua família para viver na Europa e ser protagonista do Real Madrid, o maior clube do mundo.

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O problema não são as danças. O problema é o Vini Jr. Após três anos levando muita porrada, sendo criticado por conta de sua deficiência em finalização, o atleta deu volta por cima. Com 22 gols, sendo um na final da Champions League, e 20 assistências na última temporada, o atleta incomoda as pessoas que adoravam bater em um jovem que acabava de sair da adolescência.

O problema não são as danças. O problema é o Vini Jr. Até porque se as pessoas realmente estivessem incomodadas com os "bailes" em comemorações de gols, Antoine Griezmann, atacante do Atlético de Madrid, deveria ter sido alvo há muitos anos por conta de suas performances ao imitar personagens de Fortnite.

O problema não são as danças. O problema é o Vini Jr. Pois ver um negro nascido na América do Sul fazer sucesso na Europa não deve ser fácil para os que possuem uma mentalidade retrógrada e de quem acha que ainda vive em séculos passados. Até porque quando é um francês dançando, ninguém diz nada.

Mas apesar da indignação causada pelo racismo contra Vini Jr, acredito que ninguém esteja surpreso. As pessoas perderam a vergonha de dizer o que realmente pensam, respaldadas em autoridades públicas.

Enquanto Luis Rubiales, presidente da Federação Espanhola de Futebol, é acusado de tirar dinheiro da entidade para promover orgia para prazer próprio e de amigos, o debate gira em torno de um menino de 22 anos que dança ao comemorar gols.

Enquanto uns "machões", como Javier Aguirre, técnico do Mallorca, surgem para instruir que seus atletas batam em Vini Jr, ou como quando Pedro Bravo utiliza o termo "macaquice" para se referir ao atacante, outros fazem do futebol da Espanha um bordel. Mas na hora de falar de assunto sério, os "machões" se tornam meninos.