OPINIÃO: Abel Ferreira não sai da boca de quem não o tira da cabeça

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras (Foto: IMAGO / ZUMA Press)


Na última terça-feira, o nome de Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, novamente apareceu em manchetes fora do campo de jogo. Quem visitou o site do LANCE!, certamente acompanhou o noticiário. Aqui, porém, não citaremos os casos, nem os nomes envolvidos, mas faremos uma discussão de como o sucesso do treinador o mantém sempre nos comentários, nas críticas, nos elogios e nas polêmicas.


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Um comandante que chega no Brasil e em pouco tempo de trabalho transforma seu time no melhor da América do Sul chamaria a atenção de qualquer forma, principalmente conquistando duas Libertadores, uma Copa do Brasil, um Paulistão e uma Recopa. Mas ele também é acima da média quando tem o microfone em mãos.

Aí, quando junta o talento para montar times, os resultados que isso traz, e a qualidade para falar do jogo e outros assuntos, a consequência é incomodar companheiros de profissão, adversários e até mesmo profissionais da imprensa, que por alguma razão não vão com a cara de Abel, que é o que mais chama a atenção nisso tudo.

O problema é que muitas vezes os comentários fogem do "campo e bola", mas fogem muito mesmo. Talvez os argumentos encontrados para falar do jogo já estejam batidos e não são mais levados em conta, porque passaram para o nível de perseguição. O jeito mesmo é buscar outros elementos para jogar a crítica no técnico palmeirense.

Aqui não entraremos no mérito da liberdade de imprensa ou do conteúdo do comentário, a questão é quando isso passa para preconceitos, ofensas pessoais e similares, aí não há defesa para esse tipo de opinião. Mas o fato é que falar de Abel Ferreira gera cliques, dá audiência, oferece engajamento, então é interessante tocar no assunto, seja falando mal, seja falando bem, mas a que preço?

Quando tocamos nesse ponto, podemos levá-lo a outros níveis, não apenas ao que toca Abel Ferreira, mas em determinadas situações em que essa febre do "engajamento", da "notoriedade" supera a nossa principal função, como profissionais de comunicação, que é dar relevância ao fato e não a quem transmite as notícias.

Por exemplo: o setorista do clube X não precisa necessariamente torcer para o clube X para ser um bom repórter. O setorista não trabalha para o clube, ele trabalha para o veículo e o leitor desse veículo não torce necessariamente para esse clube X. Ou seja, eu não preciso demonstrar que eu sou de uma determinada torcida para gerar engajamento, eu preciso passar a informação com credibilidade. É a notícia a protagonista e não o setorista.

Quando essas situações se misturam, a mensagem que passamos tende a ficar comprometida, porque ela já vem contaminada por interesses pessoais e não mais profissionais. Falar de Abel tem fugido da base jornalística e partido para o patamar do engajamento. As principais discussões se perdem, viram passionais e o legado, que poderia ser gigantesco, é comprometido por polêmicas vazias.

Por isso, no título destacamos que Abel Ferreira está na boca de quem não o tira da cabeça. O treinador do Palmeiras mexe com muitas coisas que envolvem o futebol e já marcou época no Brasil, queiram os haters ou não. A esperança é que esses episódios sirvam para repensarmos a forma com que temos tratado o jornalismo. Cliques são importantes, mas viciam e por vezes nos tiram de nossa consciência. Sempre será mais prudente pensar duas vezes.