ONGs pedem que patrocinadores apoiem indenizações a operários das obras da Copa

Várias organizações de defesa dos direitos humanos fizeram nesta terça-feira um apelo aos patrocinadores da Copa do Mundo de 2022 para que apoiem sua campanha que pede à Fifa que indenize os operários das obras de infraestrutura para o torneio no Catar, citando abusos e condições difíceis de trabalho.

As ONGs vêm criticando regularmente as condições de trabalho dos operários mobilizados há anos nas diferentes obras da Copa, prevista para começar no dia 20 de novembro.

Dez das 14 empresas patrocinadoras da Fifa não fizeram promessas públicas de indenização, nem responderam aos pedidos para discutir os "abusos ligados ao torneio", lamentam Human Rights Watch, Anistia Internacional e FairSquare em um comunicado conjunto.

"Faltando apenas dois meses para o primeiro jogo, os patrocinadores deveriam usar sua considerável influência para pressionar a Fifa e o Catar para que estes assumam suas responsabilidades em matéria de direitos humanos em relação aos trabalhadores", explica Minky Worden, diretora de iniciativas mundiais na Human Rights Watch.

Somente quatro empresas patrocinadoras do Mundial, Adidas, Coca-Cola, McDonald's e AB InBev, se comprometeram a apoiar uma compensação financeira, informam as três ONGs.

Visa, Hyundai-Kia, Qatar Energy, Qatar Airways, Vivo, Hisense, Mengniu, Wanda Group, Crypto e Byju's são os colaboradores e patrocinadores que não responderam ao pedido das ONGs.

O Catar colocou em prática sistemas de indenização a trabalhadores, mas estas medidas foram tardias e não beneficiaram a todos, lamenta Ella Knight, investigadora sobre os trabalhadores migrantes na Anistia Internacional"

"Indenizações foram pagas a alguns trabalhadores, mas é preciso pensar em todos os que abandonaram seu país", e por isso não puderam se beneficiar, apesar de salários não pagos e outros abusos, declarou Knight em entrevista coletiva online.

O Catar é acusado de minimizar o número de mortes e acidentes de trabalho. As organizações, que realizam algumas reformas sociais, reprovam também as lacunas em matéria de proteção dos operários, além de um problema recorrente de falta de pagamento aos trabalhadores.

Por sua vez, o governo do Catar realiza reformas trabalhistas, especialmente com a instauração de um salário mínimo, a redução da dependência dos empregados em relação aos empregadores e a imposição de medidas de proteção mais estritas durante o forte calor dos verões.

Como no Catar, os ricos países árabes do Golfo contam com muita mão de obra barata vinda de Ásia, África e Oriente Médio.

Segundo uma pesquisa recente da YouGouv, encomendada pela Anistia Internacional, 73% das 17 mil pessoas perguntadas são "totalmente a favor" ou "muito favoráveis" ao pagamento de uma indenização por parte da Fifa aos trabalhadores migrantes pelas violações de seus direitos.

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