O que o mundo corporativo pode aprender com o estilo de liderança de Felipão

Felipão comandou o Athletico-PR na vitória contra o Palmeiras neste sábado (Foto: José Tramontin/athletico.com.br)


Ganhar do maior e melhor time do campeonato brasileiro de futebol da atualidade – na casa deles – parecia um sonho. Como torcedora do Furacão, estava rezando por um empate contra o Palmeiras, nesse memorável 2 de julho. Jamais imaginaria uma vitória, ainda mais sem nenhum gol do Verdão, que lutou muito em campo. Só que o goleiro Bento foi gigante na defesa, enquanto o atacante rubro-negro, Vitor Roque, foi no ataque. Mas o maior de todos os gigantes, que se encontraram nesse duelo, estava fora do campo: Luís Felipe Scolari.

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Dos aplausos das duas torcidas aos abraços, cheios de afeto, do jogador palmeirense Dudu e do técnico rival, Abel Ferreira: a admiração era geral. Esse reconhecimento todo me fez refletir sobre o que faz do Felipão esse grande líder, quais as habilidades que o fizeram trazer um diferencial competitivo ao clube do Paraná, sair vencedor desta partida eletrizante e ainda ser ovacionado por todos.

Para começar, Scolari tem experiência, conhecimento técnico e habilidade tática. Para este jogo específico, ele conhecia profundamente o adversário. Estava bem familiarizado tanto com o estilo do técnico Abel, quanto com o elenco e o espírito palmeirense. Isto porque já havia contratado Abel no passado em Portugal e tem uma história vencedora com o Verdão: em 1999 levou o Palestra Itália a campeão da Libertadores e lá deixou seu legado. Esse conhecimento detalhado do atual rival, somado a toda sua experiência e anos de estrada, foram decisivos para desenhar uma estratégia imbatível, que surpreendeu em campo e neutralizou a ofensiva do Palmeiras.

Felipão é efetivo e afetivo: um técnico que tem régua alta, que cobra, exige, grita e gesticula na beira do campo, treina muito e espera sempre a superação dos jogadores. Mas tudo isso embalado com afeto, motivação, respeito e um coração gigante. Ele cuida do seu time, celebra com eles, empodera, confia, acolhe nas derrotas e orienta; constrói junto - fórmula perfeita para conseguir o melhor de cada um.

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Aliás, ele fez os jogadores athleticanos acreditarem que era possível ganhar do gigante Palmeiras. Entraram empoderados na casa do adversário. O que todos viram em campo foi um Furacão aguerrido do começo ao fim do jogo, ousado, bem arrumado e atento a cada oportunidade – que não se intimidou e que saiu com a vitória, com mais três pontos no campeonato, assumindo a inédita vice-liderança neste Brasileirão.

Todas essas habilidades do Felipão, que fazem dele um líder tão admirado, podem muito bem ser replicadas por nós, no mundo corporativo. Como é importante conhecer nosso público-alvo, fazer o time acreditar que é possível vencer, acolher nossa gente nas derrotas, deixar legados por onde passamos e tratar bem e com respeito todos com quem nos relacionamos, aliados e adversários.

Os anos de estrada e a experiência também fazem a diferença para entregar resultados excepcionais. Além da importância de celebrar cada vitória. Falando nela, depois desse resultado contra o Verdão, começo a acreditar que o Athletico Paranaense pode sim pular da posição de vice para a liderança do Brasileirão. É muita ousadia? Talvez seja. Mas Felipão, depois desses dois a zero contra o Palmeiras e de doze jogos sem perder, fez surgir no time e em nós, torcedores, uma força tão grande que agigantou nossos sonhos e nosso querido Furacão.

*Malu Weber, jornalista, é Diretora Executiva de Comunicação do Grupo Bayer no Brasil.

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