O que ficou de reflexão do Mundial de Vôlei? O esquadrão de Zé Roberto responde

Seleção feminina foi até a final do Mundial de Vôlei (Foto: Rene Nijhuis/Orange Pictures/BSR Agency/Getty Images)
Seleção feminina foi até a final do Mundial de Vôlei (Foto: Rene Nijhuis/Orange Pictures/BSR Agency/Getty Images)

Passada a decisão do Mundial Feminino de Vôlei, com a sensação de ressaca após a derrota por 3 a 0 para as sérvias, a seleção brasileira aos poucos vai ‘juntando os cacos’ para repercutir sobre o que aconteceu no último sábado (15), após uma campanha quase irretocável, vencendo a forte Itália por 3 a 1 e o dramático embate contra as japonesas, decidida apenas no tie break.

Após a partida, o técnico Zé Roberto viu com bons olhos a performance do Brasil no Mundial de Vôlei. “Demos passos largos para chegar aonde a gente chegou, uma renovação que tá vindo aí. Eu mesmo achei que fosse precoce, a gente fez mais do que pudéssemos fazer. Essas jogadoras são muito importantes, porque são jovens e ainda têm um grande caminho pela frente. Jogar nesse nível para elas vai ser muito importante”, destaca.

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Sobre a caminhada até Paris, Zé deixa nas entrelinhas o espaço para quem estiver melhor no momento, mesmo tendo um plantel bem definido: “Elas poderiam ter disputado por posição, seja a Julia, seja a Diana, a própria Aninha. Eu acho que a gente não pode fechar a porta pra ninguém. Está tudo aberto e nós temos que ter o melhor time para a classificação para Paris e se classificarmos em Paris. Acho que o caminho é esse. Eu acredito muito nessas meninas e no trabalho. Não tem outra forma”.

Paris é logo ali

Carol Gattaz valoriza a prata, mas queria o ouro. A central do Minas é um dos nomes de confiança do Zé. Mesmo aos 41 anos, é um nome que não está totalmente fora dos planos para Paris.

“Tenho muita gratidão por estar aqui. Foi recebido maravilhosamente bem. Eu acho que foi incrível a campanha que nós fizemos, só a gente sabe o que passamos, o quão a gente batalha e é um grupo assim, sem vaidades. É aquilo que todo mundo vê de fora. A gente sai satisfeito, mas queríamos o ouro porque merecíamos, o grupo. Temos alguns pilares dentro da seleção, mas a gente sabe que esses pilares trabalham para o grupo. A todo momento, a gente sabia que não ia se largar. E eu fico muito feliz de estar fazendo parte desse grupo, dessa renovação”, em tom de brincadeira recorda.

A final

O jogo se manteve equilibrado nos dois primeiros sets, com as equipes se alternando no marcador. Com muita dificuldade no fundamento bloqueio, o Brasil pouco fez. Gattaz e Carol, que tiveram participação ímpar em toda competição, desta vez, encontraram dificuldade em acompanhar o forte ataque sérvio, liderado por Boskovic.

A recepção foi outro ponto que pesou muito na decisão. Com a dificuldade no passe, jogando por uma bola, o bloqueio das europeias sucumbiu qualquer pretensão das brasileiras. Bem-marcadas, Gabi, Rosamaria, Lorenne, atuaram de forma mais tímida.

O técnico Zé Roberto tentou, mexeu como e quando podia, fez diversas inversões, colocando Roberta Tainara. Pri Daroit entrou para tentar resolver o problema de passe. Ambas conseguiram em certo momento engajar a seleção a novas perspectivas, entretanto, insuficientes, devido a partida quase impecável pelo lado sérvio.

Imparável

Boskovic atuou, desfilou, atacou pela saída, entrada, no fundo, pelo meio, a oposta, eleita MVP da competição, confirmou o auge momento na carreira, definiu a partida, com 24 pontos, ou seja, quase um set inteiro para ela. Com uma média acima de 30 pontos, passou como um trator pelas defesas adversárias.

Cabeça erguida

O Brasil de Zé Roberto se definiu de vez como uma equipe que vem ganhando casca para as decisões. No meio de um processo de renovação, Zé e cia conseguiram o que poucos ou nenhum fizeram: manter a seleção equilibrada e altamente competitiva. Liga das Nações, Olimpíadas, Mundial, decisões relevantes que mostram para o mundo que a renovação chegou, com excelência, capacidade e qualidade. Sem contar ainda com Julia Bergman e Ana Cristina (pediram dispensas da seleção semanas antes da disputa do Mundial), só mostra que o sonho pelo ouro olímpico é real e a chance por diversas conquistas é algo próximo.