O dia em que Júlio Baptista arrasou como modelo

Julio Baptista durante sua passagem pelo Orlando City, dos Estados Unidos, em 2016 (Foto; Alex Menendez/Getty Images)
Julio Baptista durante sua passagem pelo Orlando City, dos Estados Unidos, em 2016 (Foto; Alex Menendez/Getty Images)

Júlio Baptista integrou o time do São Paulo que fez a melhor campanha da fase de classificação do Campeonato Brasileiro de 2002 e depois foi eliminado pelo Santos, de Robinho e Diego, o último colocado.

O Santos foi o campeão.

O São Paulo, dirigido por Oswaldo de Oliveira, que tinha Kaká, Ricardinho, Rogério Ceni e mais um punhado de jogadores da primeira prateleira do futebol brasileiro, entrou em crise.

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Naquele time, Júlio Baptista chegou a atuar de lateral-direito, uma invenção absurda do técnico Oswaldinho do Tricolor.

Hoje Júlio Baptista treina a equipe B do Real Valladolid, o clube espanhol que tem Ronaldo Fenômeno como dono. Júlio Baptista é muito amigo do Fenômeno. Jogou com ele no Real Madrid e na Seleção Brasileira.

Júlio era considerado um jogador rústico por parte da imprensa esportiva e torcedores. Diziam que ele não tinha muita técnica. Que só tinha força.

O fato é que fez sucesso no futebol do exterior.

Enfileirou elogios por onde passou.

Foi um sucesso no Sevilla, mas atuou também, além do Real Madrid, no Arsenal, Roma, Málaga, Orlando City, CFR Cluj e Cruzeiro.

Revelado pelo São Paulo, “La Bestia”, como era chamado no Sevilla, saiu de cena como jogador em maio de 2019. Chegou a disputar a Copa do Mundo de 2010.

Mas muito antes, quando estava iniciando a carreira no Tricolor, Júlio brilhou em uma passarela.

Ele apareceu na redação do Estadão com várias mudas de roupas debaixo do braço para desfilar no estúdio fotográfico do jornal.

Quando entrou no prédio do Grupo Estado, no Bairro do Limão, Zona Norte de São Paulo, chamou logo a atenção dos funcionários.

Negro alto, forte, estiloso, distribuiu sorrisos, deu um show de simpatia.

Deu autógrafos, foi generoso com os fãs, são-paulinos ou não.

Júlio Baptista tinha fama no Tricolor de andar sempre bem vestido. E de alegrar os companheiros de time com o seu vozeirão.

Adorava cantar para quebrar a monotonia das concentrações.

Propus a ele posar de modelo para o “Jornal da Tarde”, onde eu trabalhava como repórter.

Desfilou com camisas pretas bem coladas ao corpo, com furos no peito. Com calças bem apertadas, largas, enfim, foi uma tarde fashion de Júlio, no melhor estilo Paulo Zulu, que era o modelo brasileiro mais conhecido no mundo da moda no início da década de 2000.

No dia seguinte, a matéria, com uma imensa chamada de capa, mostrou um Júlio Baptista que só os que conviviam com ele diariamente conheciam, tinham intimidade.

Mas também criou polêmica pelas declarações que ele fez.

Descontraído e bem solto, Júlio contou na entrevista que morava com a sua mãe. Falou que achava a modelo Daniela Sarayba, sucesso na época, muito bonita.

E que a parte do corpo dela de que ele mais gostava eram seus olhos.

Disse que há alguns anos não tinha namorada. E que tinha um amigo de infância que ia quase todos os dias em sua casa.

E mais: que a mãe dele levava comida para que os dois pudessem comer no quarto, enquanto jogavam videogame.

No dia seguinte, fui ao CT do São Paulo.

Júlio Baptista veio falar comigo.

Falou que que a matéria tinha provocado muitas brincadeiras entre os jogadores.

“Mas eu não estou nem aí”, afirmou, deixando claro que estava tudo bem, que eu tinha escrito exatamente tudo o que ele havia falado.

A matéria foi um sucesso de leitura.

Os leitores do JT ficaram conhecendo um Júlio Baptista que só seus amigos conheciam.

Um arraso.