O dia em que, furioso, Felipão bateu em um repórter

Felipão durante sua passagem pelo Palmeiras no fim dos anos 90 (Foto: Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images)
Felipão durante sua passagem pelo Palmeiras no fim dos anos 90 (Foto: Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images)

Luiz Felipe Scolari está sempre sorridente. Nas entrevistas coletivas, mostra uma alegria esfuziante. Sinal de satisfação pelos ótimos resultados que o Athletico Paranaense mostra no gramado.

Finalista da Copa Libertadores da América, o time de Felipão exibe um futebol de encher os olhos. A equipe tem a marca registrada de Felipão. É competente na defesa e veloz no ataque.

Chega com facilidade à meta adversária.

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Estes fatores fazem de Felipão uma pessoa mais leve.

Segura, que trata bem os repórteres.

Mas nem sempre foi assim.

Em 1998, Luiz Felipe Scolari perdeu a calma diante de uma pergunta absolutamente normal feita pelo repórter Gilvan Ribeiro, que na época trabalhava no Diário Popular.

Gilvan questionou se havia partido de Luiz Felipe Scolari a ordem para que a imprensa fosse impedida de assistir aos treinos do Palmeiras, que passava por uma péssima fase.

Felipão fez cara feia e retrucou.

Disse que não havia sido ele que havia mandado fechar os portões para os jornalistas.

Gilvan Ribeiro não se contentou com a resposta do treinador.

Mas ficou calado.

Scolari continuou xingando o repórter. Gilvan Ribeiro resolveu devolver os xingamentos.

Furioso, Felipão então deu um soco no rosto de Gilvan Ribeiro.

Gilvan tentou reação, mas foi impedido por outros jornalistas.

A intervenção de outros jornalistas para que a briga terminasse, não foi suficiente para conter Felipão.

Entrevistado por outros repórteres, Scolari afirmou que se as câmeras de TV não estivessem no local, “encheria o repórter de porrada”.

O técnico atribuiu a sua atitude a uma suposta perseguição da imprensa.

“Vocês abusam. Parece coisa combinadinha”, afirmou, ainda espumando de raiva.

Entrevistado após a agressão, Gilvan Ribeiro, visivelmente amedrontado, afirmou: “Só fiz uma pergunta, e ele já partiu pra cima”, disse Ribeiro, que registrou um boletim de ocorrência na delegacia de Barueri.

Após a agressão, o diretor de futebol do Palmeiras, à época, Sebastião Lapolla, pediu desculpas ao repórter em nome do clube.

Vale lembrar que Gilvan Ribeiro já havia sido agredido por Serginho Chulapa, em 1994, no Pacaembu, quando o ex-atacante era técnico do Santos.

As imagens da agressão de Serginho Chulapa em Gilvan Ribeiro foram chocantes e correram o mundo.

Foi logo após um clássico entre Corinthians e Santos.

Durante o jogo, Serginho Chulapa já mostrava descontrole emocional e foi expulso pelo árbitro do jogo.

Assim que a partida terminou, com a vitória corintiana por 2 a 0, Gilvan foi para o vestiário do clube da Baixada Santista para entrevistar os jogadores e o técnico Serginho Chulapa.

Como Scolari, Serginho também não gostou de uma pergunta feita por Gilvan e partiu para a agressão. Agarrou o repórter pelo pescoço e, após caminhar alguns intermináveis passos, desferiu uma violenta cabeçada no rosto de Gilvan Ribeiro.

Mesmo com o repórter sangrando muito, Serginho Chulapa não queria soltá-lo. Quem salvou Gilvan foram os seguranças do clube e o ex-atacante Macedo, que ajudou o repórter a pular o muro do vestiário e se livrar do ensandecido Serginho Chulapa.

A agressão que sofreu de Serginho Chulapa foi relatada com detalhes pelo próprio Gilvan Ribeiro no livro O artilheiro indomável, as incríveis histórias de Serginho Chulapa, que escrevi e está na terceira edição.

Na Seleção Brasileira, Felipão também mostrou o seu lado de homem mau. Antes de ser pentacampeão do mundo em 2002, Scolari se envolveu em um episódio em que provou que não costuma pensar duas vezes quando avalia ter sido confrontado pelos seus adversários.

Ele saiu em defesa do assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, que partiu para a briga com alguns jogadores chilenos após um jogo pelas Eliminatórias Sul Americanas. Rodrigo Paiva teria agredido o atacante chileno Pinila.

Felipão apoiou a atitude de Paiva.

Felipão também ficou marcado por uma briga com Vanderlei Luxemburgo.

Foi em 1995.

Felipão era o técnico do Grêmio.

Luxa dirigia o Flamengo.

No duelo da semifinal da Copa do Brasil, foi acusado por Luxemburgo.

“Ele me deu um soco! Ele está completamente louco!”, disparou Vanderlei Luxemburgo nos microfones de TV e de emissoras de rádio durante o segundo tempo da partida, que terminou com a vitória e a classificação gremista.

Após a partida, Scolari admitiu que passou dos limites ao confrontar o treinador do Fla, mas negou ter dado um soco no rival.

“Eu não dei soco. Eu o empurrei com as duas mãos porque ele me chamou de maluco por mandar bater nos adversários”.

Felipão também já foi flagrado pelas emissoras de televisão quando, no vestiário do Palmeiras, mandou seus jogadores chutarem a bunda do atacante Edílson, antes de um clássico com o Corinthians.

“Quem é que no começo do jogo vai dar uma catarrada na cara do Edílson? Eu tenho um grupo de jogadores rodados, experientes, que na hora do bem-bom não sabem dar um pontapé, um cascudo, um chute na bunda do Edílson, para irritá-lo”, bradou Felipão, que concluiu o seu discurso de guerra.

“Tem de ser esperto com o Edílson. Tem de ter malandragem com ele, que é malandro mas é covarde, cafajeste”, bradou o treinador gaúcho.