O dia em que Fernando Diniz driblou as árvores da “Fazendinha”

Hoje adversário, Fernando Diniz já passou pelo Corinthians (Foto: Andre Borges/Getty Images)
Hoje adversário, Fernando Diniz já passou pelo Corinthians (Foto: Andre Borges/Getty Images)

Sim, Fernando Diniz jogou no Corinthians. Foi em 1997. Era reserva em um time que tinha Ronaldo Giovanelli, Antonio Carlos, Fábio Augusto, André Luiz, o falecido Gilmar, Marcelinho Carioca, Souza, Mirandinha, Donizete Pantera, entre outros.

O clube tinha o Banco Excel como patrocinador. Para alegrar a Fiel Torcida, e disputar com boas chances de sucesso o mercado financeiro paulista e paulistano, o Excel investiu na contratação de jogadores como Túlio Maravilha e Donizete Pantera. Fernando Diniz e o desconhecido volante Romeu vieram na esteira das grandes contratações da instituição financeira.

O dinheiro do investidor foi importante para o Corinthians conquistar o título do Campeonato Paulista de 1997.

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A decisão foi contra o São Paulo e o timão ganhou por 1 a 0, gol do lateral esquerdo André Luiz, formado nas categorias de base do São Paulo.

Pelo Corinthians, Fernando Diniz disputou 50 partidas, sendo 17 como titular.

Foram 23 vitórias, 13 empates e 14 derrotas.

O hoje técnico do Fluminense, marcou dois gols pelo Timão.

Conto isso para relembrar um fato engraçado que aconteceu quando Diniz atuava pelo Corinthians.

O elenco corintiano tinha, além dos citados acima, Neto, atual apresentador da TV Bandeirantes.

É interessante lembrar que Túlio Maravilha desembarcou no Parque São Jorge como uma grande estrela. Havia sido campeão brasileiro pelo Botafogo dois anos antes, em 1995, na final contra o Santos, aquela em que o clube carioca foi beneficiado pela arbitragem de Márcio Rezende de Freitas.

Com moral, Túlio era a grande aposta do Banco Excel. Atuava com a camisa 12, em alusão aos 12 dias sem juros, uma das apostas financeiras da instituição.

O Corinthians, na época, não tinha a estrutura que tem hoje.

Mandava seus jogos no Pacaembu e treinava no velho e aconchegante estádio do Parque São Jorge, na Zona Leste de São Paulo, reduto de corintianos.

A construção do Centro de Treinamentos era apenas um sonho. Assim como também era um sonho distante ter o seu próprio estádio.

No velho Parque São Jorge, muitas vezes, os jogadores corintianos eram vistos treinando entre as árvores e as alamedas da velha Fazendinha.

Numa tarde, Fernando Diniz pegou a bola e começou a driblar a própria sombra.

E as árvores.

Isso mesmo, sozinho, Diniz, que atuava de meia direita, ia de uma árvore à outra, driblando para a direita, para a esquerda, para a direita...

Fernando Diniz não era de falar muito.

Demorou para arranjar amigos no elenco corintiano, que tinha estrelas em ascensão, como Donizete Pantera e Marcelinho Carioca, e uma estrela cadente, o meia Neto, que atualmente faz questão de ser chamado de Craque Neto, que aliás virou até o nome de sua rádio.

Em uma rodinha de jogadores, estavam Neto, Donizete e Henrique.

Observavam o treino solitário de Fernando Diniz.

Enquanto Fernando Diniz ia de um lado para outro, driblando as árvores, Neto disse: “Do jeito que o Fernando Diniz é grosso, daqui a pouco será desarmado por uma árvore”.

A gargalhada naquele cair de tarde no Parque São Jorge foi geral.

Fernando Diniz ouviu.

Mas seguiu em frente com o seu treino, tendo as árvores como adversárias.

Hoje, 25 anos depois, ele é um técnico inovador.

E é possível afirmar que, ao driblar árvores e a própria sombra, Fernando Diniz estava, na verdade, implantando a filosofia de trabalho que o diferencia hoje da imensa maioria dos treinadores brasileiros.

Nascia ali, entre as árvores, o Dinizismo, a grande marca registrada de Fernando Diniz no futebol brasileiro.