Novo técnico de Neymar no PSG já foi suspenso por agredir Gallardo

Christophe Galtier fala com Neymar. Foto: JACK GUEZ / AFP) (Photo by JACK GUEZ/AFP via Getty Images
Christophe Galtier fala com Neymar. Foto: JACK GUEZ / AFP) (Photo by JACK GUEZ/AFP via Getty Images

Figura escolhida para revolucionar o vestiário do Parque dos Príncipes, Christophe Galtier é o rosto de um novo PSG que, embora ainda galáctico, tenta deixar as grifes de lado na construção de um time que possa, enfim, conseguir o objetivo de trazer o título da Champions League para Paris.

Pouco conhecido do público fora da França, o ex-jogador que treinou o Nice na última temporada será o encarregado por domar Neymar, Lionel Messi, Kylian Mbappé e companhia.

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Os primeiros sinais têm sido positivos, ainda que, na Ligue 1, o técnico de 55 anos seja conhecido, entre outras coisas, pelas coletivas explosivas e por possuir um pavio curto com o que o desagrada no dia a dia.

Galtier é especialmente famoso por um episódio que aconteceu logo após se aposentar dos gramados para passar a trabalhar em seguida como auxiliar no Olympique de Marselha. Nas rodadas finais do Campeonato Francês de 1999/2000, os donos da casa receberam o Mônaco que lutava para se sagrar campeão da temporada naquele dia.

O nervosismo era grande, sobretudo, porque o OM corria risco de rebaixamento e precisava somar pontos para afastar o fantasma da segunda divisão.

Com a tensão dominando, o argentino Marcelo Gallardo, maestro do Mônaco, acabou sendo caçado em campo e viu o rival espanhol Ivan de La Peña mais um colega de equipe, o francês Philippe Léonard, serem expulsos ainda no primeiro tempo. Na saída para o intervalo, enquanto entrava no túnel do estádio Vélodrome, Gallardo foi, então, surpreendido por Galtier, que estava no seu aguardo.

Com a ajuda de seguranças, Gallardo recebeu diversos socos e pontapés do agora treinador do PSG e ficou jogado no chão. A cena foi flagrada pelo quarto árbitro, que surpreendentemente decidiu expulsar não só Galtier, mas também o comandante do River Plate.

“Acabou a etapa inicial e fomos entrando no túnel. Nessa época, não costumávamos sair todos juntos de campo. E foi, então, que aconteceu a emboscada. Na porta do túnel, estavam algumas pessoas da segurança privada. Eu fui um dos últimos a entrar e, ao passar, notei que os seguranças fecharam a passagem de outras pessoas. Galtier estava me esperando, veio falando um pouco em espanhol, me agarrou pelo cabelo, eu me fiz de sonso e tentei sair. Quando vi que ia me vai bater, dou um murro na cara dele e é nessa hora que chegam os seguranças por trás, me seguram e vêm os jogadores do Marselha para me bater sem parar. Não sei ao certo, mas foram 15, 20 segundos em que me agrediram por todos os lados”, contou o argentino no livro “Gallardo Monumental”.

O ex-camisa 10 deixaria o estádio direto para o hospital e ficaria em observação por toda a madrugada em virtude de gravidade dos ferimentos.

Com a vantagem numérica no gramado, o Marselha acabaria vencendo em campo por 4 a 2 e se salvando mais adiante da queda.

Galtier, no entanto, seria suspenso por seis meses dos estádios e ficaria marcado como protagonista de um escândalo que chegaria às mais altas instâncias do governo francês, com a ministra dos esportes, Marie Buffet, condenando tudo se passou no Vélodrome.

Nada do que aconteceu no estádio naquele dia terminou sendo gravado porque o OM havia tirado do vestiário as câmeras do Canal+, detentor dos direitos de transmissão, antes do jogo. O então treinador local, Bernard Cassoni, negou qualquer ato premeditado por parte do clube. “Gallardo é um provocador e teve o que merecia”, disse na época. Galtier nega até hoje a versão contada pelo argentino.

Não foi, de qualquer modo, um incidente isolado naquela temporada, o que rendeu ao Marselha a manchete no jornal El País, da Espanha: “um túnel muito perigoso”.

Nada disso impediu, ainda assim, que Galtier prosseguisse com a sua carreira, virasse treinador principal e alcançasse agora o seu auge com o PSG.

(DE LISBOA)