A zoeira virou, hein! O divórcio que ajudou o Monaco a recuperar sua origem e ser a sensação europeia

O Monaco é a grande sensação da temporada europeia. A equipe de Leonardo Jardim, afinal, tem acabado com reinados e surpreendido poderosos em 2016/17. Líder da Ligue 1 com o mesmo número de pontos que o PSG mas um jogo a menos, o time do Principado ameaça acabar com a hegemonia do atual tetracampeão. Já na Uefa Champions League, deixou o Manchester City de Pep Guardiola e o tradicional Borussia Dortmund para trás no mata-mata e está nas semifinais pela quarta vez em sua história, o que nenhuma outra equipe que disputa o futebol francês conseguiu.

Muito disso graças ao fenomenal setor ofensivo monegasco, que com destaques para Mbappé, Falcao, Bernardo Silva, Fabinho e Lemar, marcou incríveis 90 gols em 32 compromissos na Ligue 1, tendo o segundo melhor ataque das cinco grandes ligas europeias, atrás apenas dos 91 tentos do Barcelona em La Liga, e colocou 141 bolas na rede na temporada.

A fase do Monaco é sensacional, mas tudo começou, acredite ou não, por causa de um divórcio.

Não entendeu? Achou muito estranho? Pois é sério.

Em 2011, o milionário russo Dmitry Rybolovlev comprou o clube e, como ocorreu com Manchester City, Paris Saint-Germain e outras equipes, começou a investir pesado. Em 2013/14, por exemplo, ele gastou impressionantes R$ 500 milhões com reforços. Na lista de Rybolovlev no período gastão se destacam James Rodríguez (que custou 60 milhões de euros), João Moutinho (€ 25 mi) e Falcao García (€ 45 mi).

James Rodriguez Monaco

No entanto, após a temporada em que mais gastou, tudo mudou para o milionário russo. Em maio de 2014, uma decisão judicial na Suíça ordenou que Rybolovlev pagasse US$ 4,8 bilhões (cerca de R$ 10,6 bilhões na cotação da época) para sua ex-mulher Elena, com quem foi casado por 24 anos, após o divórcio do casal. O valor, naquele momento, representava nada mais nada menos que 54% do patrimônio do magnata, segundo a Forbes.

A perda de metade de sua fortuna logo afetou o Monaco. Rybolovlev não só parou de contratar grandes estrelas por altos valores, como vendeu praticamente todas que tinha contratado. James Rodríguez, por exemplo, foi para o Real Madrid por 80 milhões de euros, Abidal e Rivière foram negociados e Falcao García, para aliviar a folha salarial, foi emprestado ao Manchester United, que aceitou pagar seus salários durante o empréstimo.

Após gastar R$ 500 milhões com reforços em 2013/14, o russo não gastou nem R$ 67 milhões na temporada depois do divórcio e passou a apostar mais em promessas. E a nova realidade não só deu certo como fez bem ao Monaco, que recuperou a sua origem. Afinal, o clube é conhecido justamente por ser um dos principais reveladores de talentos da França. Foi do time do Principado que saíram jogadores como Thierry Henry e David Trezeguet.

(Old) Trezeguet & Henry - Monaco

Nos anos seguintes, os principais reforços do Monaco foram todos jovens: o meia português Bernardo Silva, o zagueiro brasileiro Jemerson, o lateral-esquerdo Mendy e o meia tupiniquim Boschilia. O clube ainda vendeu jovens talentosos como Kondogbia, Ferreira-Carrasco e Martial, mas todos por altos valores, o que fez Rybolovlev recuperar parte do dinheiro investido anteriormente e permitiu que as revelações do clube tivessem ainda mais espaço no time principal.

Com o excelente trabalho de Leonardo Jardim, que está desde 2014 no comando da equipe, o Monaco se transformou. O treinador foi montando uma equipe muito barata e jovem, mas de enorme talento, que tem dado resultado. Para se ter noção, todo o elenco monegasco junto custou menos que Kevin de Bruyne, uma das estrelas do Manchester City, eliminado pelo próprio Monaco nas oitavas de final da Champions.

Foi Jardim quem promoveu Kylian Mbappé, que estava desde 2013 na equipe B, ao time principal monegasco, e formou o setor ofensivo jovem e fenomenal do clube do Principado. Além do atacante de 18 anos, os outros destaques do Monaco são o talentoso e habilidoso meia português Bernardo Silva (22 anos), dono de muita qualidade técnica e que bate muito bem na bola; o brasileiro Fabinho (23), lateral-direito que tem jogado como volante e já faz por merecer uma oportunidade na Seleção Brasileira; e o agressivo meia-atacante Thomas Lemar (21).

Kylian Mbappe Falcao Monaco 19042017

(Fotos: Getty Images)

Outros jogadores de outras posições, porém, também estão brilhando. O excelente volante Timoué Bakayoko (22); o fantástico lateral-esquerdo Benjamin Mendy (22), habilidoso, muito veloz e excelente no apoio ao ataque; e o zagueiro brasileiro Jemerson (24), técnico, dono de ótimo posicionamento e perfeito nos desarmes e antecipações, outro que faz por merecer chance na Seleção. Não à toa, todos os citados estão na mira de gigantes do futebol europeu.

Além da garotada, do futebol ofensivo, bonito, veloz, com troca de posições, agressivo e ótimas combinações, mas também eficiente e muito organizado taticamente, Jardim se destaca por ter recuperado o experiente Radamel Falcao García, que vive sua melhor temporada desde a lesão que o tirou da Copa do Mundo de 2014. O Tigre tem 18 gols na Ligue 1, anotou tentos importantíssimos no Campeonato Francês e na Champions League e tem jogado demais.

Pode-se dizer que o divórcio salvou o Monaco, que encanta com belo futebol e excelentes resultados na temporada, sonha com o título da Ligue 1 e em fazer ainda mais história na Champions. E se dentro de campo tudo tem funcionado, imagina a bolada que Rybolovlev vai ganhar por cada destaque que vender. Apenas Mbappé, que pelo enorme talento, qualidade técnica e faro de gol, já é chamado de 'Novo Henry', por exemplo, já é cotado em quase R$ 240 milhões, isso sem falar nos outros jovens que estão na mira dos principais clubes do Velho Continente.

No fim das contas, pensando desta forma, o divórcio até que não foi tão ruim, hein.