Zico torce para Arão ser herói do Flamengo, mas histórico do Mundial mostra que é difícil

Mineiro, do São Paulo, justamente contra o Liverpool, é a grande exceção de um volante que decidiu o título com gol
Mineiro, do São Paulo, justamente contra o Liverpool, é a grande exceção de um volante que decidiu o título com gol

Gabigol é o artilheiro do Brasil e bateu recordes em sua temporada 2019, além de ter anotado os gols do título da Libertadores. Bruno Henrique é, estatisticamente, o jogador do Flamengo que mais participa de gols decisivos nesta temporada. Mas se depender da torcida de Zico, Willian Arão será o grande herói de uma sonhada vitória sobre o Liverpool, no Mundial de Clubes.

“Muitas vezes os grandes nomes são muito bem marcados. Aí, sobra espaço para um que menos se espera. Eu, sinceramente, gostaria que fosse o Arão um cara decisivo. Por uma série de coisas que aconteceram na história dele. Mas, nesse jogo, ele terá mais trabalho na defesa. Mas ele se infiltra muito bem. Pode ser surpresa”, disse o maior ídolo da história do Fla em entrevista para o jornal O Globo.

Willian Arão, de fato e assim como todos seus companheiros de time, faz a melhor temporada de sua carreira neste 2019. Ao lado de Gerson, embora mais recuado, dominou o meio-campo do time campeão carioca, brasileiro e da Libertadores. Tem como característica, também, saber chegar com qualidade no ataque para finalizar – seja com o pé ou de cabeça.

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Acontece que o histórico do Mundial de Clubes da FIFA, assim como o raio-x de gols sofridos pelo Liverpool na atual temporada, mostram que o sonho do Galinho de Quintino não será nada fácil de ser realizado.

Mineiro, do São Paulo, é a única exceção

Considerando apenas o Mundial de Clubes com a tutela da FIFA, apenas uma vez um meio-campista escalado em uma função mais defensiva conseguiu fazer exatamente o que disse Zico: em 2005, Mineiro apareceu como fator surpresa do São Paulo na vitória por 1 a 0 justamente sobre o Liverpool.

Nos outros anos, ainda que tenham acontecido surpresas, como o atacante Adriano Gabiru, do Internacional, em 2006, nenhum volante apareceu como surpresa para decidir com gols nos jogos entre europeus e sul-americanos.

Liverpool sofreu apenas um gol desta forma

Na atual temporada, embora não tenha a segurança defensiva que apresentou na anterior, o Liverpool não costumou levar gols de jogadores com a característica de Willian Arão.

Até aqui foram apenas dois casos, mas na realidade apenas um deles acaba valendo. Na vitória por 3 a 1 sobre o Arsenal, em agosto, o uruguaio Lucas Torreira entrou dentro da área e fez o único gol de sua equipe, ainda que na reta final do confronto, quando o time de Klopp já havia praticamente garantido os três pontos.

O exemplo que acaba não valendo muito aconteceu contra o Chelsea, em setembro. Os Reds já venciam por 2 a 0 quando o N’Golo Kanté diminuiu, mas a questão aí é que, assim como vinha acontecendo desde a temporada passada, o jogador francês atuava mais adiantado no meio-campo (e não como volante mais próximo da linha defensiva).

O histórico mostra que a torcida de Zico por Arão pode ser mais difícil do que parece, mas conhecendo bem o que é o futebol não dá para cravar nada. E convenhamos: se o Flamengo voltar a vencer o Liverpool no Mundial, neste sábado (21), o Galinho de Quintino estará feliz de qualquer jeito. Em 1981, apesar de ter sido o craque da vitória, o camisa 10 também não fez gols (foram dois de Nunes e um de Adílio, todos com participação de Zico).

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