Zé Roberto Guimarães consegue patrocínio para o Barueri após desabafo

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 08-03-2013, 11h00: José Roberto Guimarães, técnico da seleção brasileira de vôlei feminino e de Campinas, posa para foto, em Campinas (SP).  Ele retornou ao pais depois de duas temporadas na Turquia e tenta evitar uma nova final entre Rio e Osasco, que aconteceu nas últimas oito edições da Superliga. O time de Ze Roberto enfrenta o Osasco no sabado, pelas semifinais.  (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 08-03-2013, 11h00: José Roberto Guimarães, técnico da seleção brasileira de vôlei feminino e de Campinas, posa para foto, em Campinas (SP). Ele retornou ao pais depois de duas temporadas na Turquia e tenta evitar uma nova final entre Rio e Osasco, que aconteceu nas últimas oito edições da Superliga. O time de Ze Roberto enfrenta o Osasco no sabado, pelas semifinais. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - José Roberto Guimarães, 67, reuniu as jogadoras na quadra e, em vez de dar início ao treino, pediu que os diretores de duas empresas abrissem aquela sessão com a tão esperada notícia. O Barueri Volleyball Club, após desabafo público do técnico, tem agora o patrocínio de duas marcas do grupo Alelo.

Trata-se da Veloe, empresa especializada em soluções para mobilidade urbana, e o aplicativo de delivery Pede Pronto.

"Quando recebi a notícia eu tive, e ainda tenho, a vontade de chorar. Preciso levantar as mãos e agradecer a Deus, porque a gente precisa disso [patrocínio] para sobreviver", diz Zé Roberto.

"Eu pedi que eles [executivos] dessem a notícia. Eu ficaria ainda mais emocionado na hora de anunciar, e eles estavam felizes demais. As jogadoras ficaram orgulhosas, com a sensação de que estavam sendo olhadas. Com a sensação de que estão sendo valorizadas. Foi uma luz no final do túnel."

Ainda não é o suficiente para garantir a aquisição dos naming rights da equipe, que seguirá como Barueri na disputa da Superliga, e nem o patrocínio máster. A luta por novos parceiros continua, mas agora com mais tranquilidade.

"É muito difícil arrumar patrocinador máster nesse período. Tudo é bem-vindo. Quem puder ajudar, independentemente do valor, o fato de agregar a marca é muito importante. Tem outras empresas que ficaram de estudar", afirma Zé Roberto.

O projeto, que completou cinco anos em outubro, vivenciou pela primeira vez o risco de encarar uma temporada sem aporte financeiro. Assim, o técnico da seleção brasileira feminina de vôlei se viu obrigado a utilizar recursos próprios para manutenção do Barueri Volleyball Club, bancando salários das atletas e da comissão técnica.

Atualmente, a equipe é a oitava colocada da Superliga, com duas vitórias (sobre Curitiba e Valinhos) e três derrotas (Pinheiros, Sesi Bauru e Osasco). Em seu sexto jogo na competição, nesta terça-feira (23), o time paulista recebe o Brasília, às 17h, no ginásio José Correa, em Barueri.

Zé Roberto temia a possibilidade de ter que dispensar as atletas e fechar as portas após a atual edição. Técnico tricampeão olímpico com a seleção brasileira (1992, 2008 e 2012), ele conta com a ajuda da esposa Alcione e da filha Anna Carolina para liderar o time dentro e fora das quadras, na região metropolitana de São Paulo.

No centro de treinamento, o Sportville, construído pela família em Barueri, moram 20 atletas desde as categorias de base até o profissional. O projeto também se compromete com a educação escolar das jovens e conta com a presença de psicólogos e fisioterapeutas.

Apesar das dificuldades financeiras, o jovem elenco do Barueri, apelidado de "Chiquititas" pela torcida, terminou o Campeonato Paulista em segundo lugar, derrotado na decisão do título pelo Osasco.

Na semifinal, Barueri desbancou o então favorito Sesi. Após aquele confronto, no dia 12 de outubro, Zé Roberto fez um desabafo que comoveu torcedores e a comunidade do voleibol. "Precisamos de ajuda e apoio para esse projeto tão bonito não morrer", afirmou ainda em quadra, ao vivo no SporTV.

Nas três primeiras temporadas, a equipe tinha como principal parceira a empresa Hinode. Nas duas seguintes, contou com o São Paulo Futebol Clube --relação frustrada após a agremiação tricolor deixar de pagar o valor acordado durante todo o último ano de vínculo.

Aquele clamor chamou atenção, inclusive pelo fato de Zé Roberto, dois meses antes, ter conduzido a seleção brasileira feminina de vôlei à medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio. Um resultado bastante comemorado para uma seleção que, ao longo do ciclo olímpico, perdeu atletas por questões médicas diversas (como lesões e gravidez).

Logo os torcedores repercutiram o desabafo do técnico nas redes sociais, com a hashtag #PatrocineOBarueriVolei.

"Isso [acerto com patrocinadores] é fruto dos torcedores, de quem se preocupou com a gente. Da mídia, as reportagens que saíram na Folha, na Globo", diz o treinador. "Estamos felizes, com a sensação de orgulho também e vamos dar o melhor para que esta parceria seja duradoura."

O vínculo do Barueri com a Veloe e a Pede Pronto terá duração de uma temporada. A equipe também continuará com a Hummel, fornecedora de material esportivo, e a Prevent Senior. Esta última oferece assistência médica para toda a equipe.

"A ideia de entrar nesse projeto surgiu quando soubemos que o clube precisava de apoio e acreditamos que poderíamos somar esforços para fortalecer o desenvolvimento de jovens e atletas de alta performance", diz André Turquetto, diretor da Veloe.

"Além disso, é uma oportunidade de estreitar ainda mais a relação com a cidade de Barueri, onde fica nossa sede."

Uma das preocupações da família Guimarães, além da crise econômica do país, é o fato de o Barueri ter como vocação revelar e lapidar jovens talentos, em vez de contar com atletas experientes e consagradas, fator que pode atrapalhar na hora de atrair os patrocinadores.

"Tem patrocinador que, quando entra, quer ganhar o campeonato e contratar jogadoras de seleção. Eu acho que a gente encontrou o nosso DNA, que é o da formação. Temos todas as categorias de base, 17, 19, 21 anos e adulto", disse Zé Roberto ao jornal Folha de S.Paulo, em outubro.

"Procuramos jogadoras no Brasil inteiro, não só que sejam talentosas e talvez cheguem à seleção, mas para que elas joguem voleibol, tenham chances. É importante a inclusão social, dar oportunidades para essas meninas", completou o treinador.

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