Yamaha faz dos limões limonada e deixa Rossi livre para escolher destino

JULIANA TESSER
Grande Prêmio

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A Yamaha foi rápida em definir o futuro. Um dia depois de anunciar a renovação do contrato de Maverick Viñales até a temporada 2022 da MotoGP, o time dos três diapasões anunciou Fabio Quartararo como parceiro do #12 nos próximos anos e deixou Valentino Rossi livre para decidir seu próprio destino.

Antecipando cada vez mais as decisões de contratos e transferências, a solução precoce da Yamaha tem razão de ser: era sabido que Viñales e Quartararo eram alvos do interesse da concorrência. Especialmente da Ducati. 

Apesar de o momento da YZR-M1 não ser nada grandioso, a Yamaha precisava se antecipar para assegurar o futuro enquanto tenta devolver a competitividade ao protótipo dos três diapasões. Assim, é mais do que compreensível que os japoneses tenham se antecipado para prender Viñales e Quartararo. 

Valentino Rossi e Fabio Quartararo (Foto: Divulgação/MotoGP)


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Indo para o quarto ano a bordo da M1, Viñales por vezes deixou a desejar, mas tem um talento reconhecido, e a Yamaha, claramente, confia na capacidade do piloto de Figueres de liderar o projeto.

Quartararo, por sua vez, é uma aposta para o futuro. Prestes a iniciar a segunda temporada na MotoGP, o #20 foi o grande destaque de 2019 ― ignorando o sempre destacado Marc Márquez, claro ― e, inclusive, forçou os titulares da Yamaha a se empenharem um pouco mais para conseguirem um desempenho similar. 

Assim, razoável entender a preocupação da Yamaha. Apesar de todo o histórico e de estar profundamente ligado à marca dos diapasões, Rossi está perto de completar 41 anos e, assim, está mais próximo do fim do que do início da carreira. É natural que a fábrica de Iwata se preocupe em ter e/ou manter sucessores.

Ao mesmo tempo, não seria a Yamaha a fechar a porta na cara do #46. No comunicado divulgado nesta quarta-feira, Rossi contou que a fábrica nipônica perguntou qual era sua decisão, mas, diante do desejo dele de esperar para ver a competitividade, a equipe seguiu com as negociações.

No fim, a Yamaha fez uma limonada com os limões que tinha à disposição. Com três pilotos para duas vagas, alguém teria de ficar com a SIC. E, no cenário atual, deixar essa vaga para Quartararo era abrir a porta para a concorrência.

Além disso, Rossi já tinha dado indícios de que poderia ir para a equipe malaia. É claro que é estranho ver um piloto do porte dele numa estrutura satélite, mas, no fim, não faz tanta diferença se a fábrica respalda o competidor. E foi justamente isso que a Yamaha prometeu.

O que é certo, porém, é que, se ficar na MotoGP, será com a Yamaha. Rossi já fez suas andanças em outros terrenos ― Honda e Ducati ―, mas sua história é profundamente ligada à marca dos três diapasões. A Yamaha é a casa dele. A YZR-M1 é o lar de Valentino Rossi. 

Com o anúncio desta quarta-feira, o futuro de Rossi ainda fica pendente, mas, de certa forma, já marca o fim de um capítulo. O fim de uma vitoriosa e bem sucedida parceria de 15 anos.

Se, lá atrás, foi Rossi quem resgatou a Yamaha ao apostar num projeto que não oferecia garantias competitivas, os japoneses retribuíram o favor em 2013, quando acolherem o #46 de volta depois do fracasso com a Ducati. 

Agora, a Yamaha dá a ele a chance de seguir no leme de seu próprio barco. Se escolher parar, não será por falta de alternativas. Se escolher ficar, será nos braços de sua amada M1, ainda que com um novo endereço. E, de certa forma, é até poético que Valentino tenha a chance de correr lado a lado com um de seus pupilos ― considerando que Franco Morbidelli tenha o contrato renovado ou que, como apontam alguns rumores, Luca Marini seja promovido para a classe rainha pela equipe apoiada pela Petronas.

Ao fim e ao cabo, a Yamaha fez o melhor que pôde dadas as circunstâncias. Agora, cabe a Rossi decidir o que é melhor para ele.


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