Wilsinho critica engenharia atual da F1: “A eletrônica faz tudo”

A temporada de 2017 da Fórmula 1 está prestes a começar, com o Grande Prêmio de Melbourne ocorrendo neste final de semana. E para comentar sobre a categoria nos tempos atuais, o ex-piloto brasileiro Wilsinho Fittipaldi, que integrou a Fórmula 1 nas década de 1970, demonstrou olhar crítico sobre as normas e regras de motor que regem a disputa atual do campeonato.

Em contato com a Gazeta Esportiva, Fittipaldi comentou sobre as mudanças que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) promoveu para a atual temporada, a fim de dar mais liberdade aos pilotos nas corridas, aprovando as alterações feitas, no entanto, pedindo por mais delas, já que que a configuração atual dos carros impede que a qualidade do piloto se sobressaia.

“É uma forma do piloto mostrar talento, as mudanças para 2017. Penso que os carros deveriam ter menos eletrônica. Hoje a eletrônica faz tudo. Você faz uma curva, a eletrônica corrige. A sua freada, a eletrônica regula. Você chega nos boxes e o engenheiro já sabe tudo porque a eletrônica já mostrou, ele vai lá e corrige. Para que precisa do piloto assim? A FIA fez alterações de médias para boas, mas deveria ter feito mudanças ainda mais drásticas”, opinou Wilsinho.

O irmão de Emerson Fittipaldi ainda comentou a situação atual do Brasil na Fórmula 1. O país correu o risco de ficar em um representante na categoria este ano, não fosse Felipe Massa desistir de sua aposentadoria para voltar a correr pela Williams.

Apesar de a situação ter chegado a um ponto desagradável para o país, Wilsinho acredita que será possível ter nomes brasileiros fortes na Fórmula 1 novamente.

“Acho que sim. Passaram-se anos e ninguém se mexeu para fazer nada e deixaram chegar nesta situação. Ao meu ver, a Confederação Brasileira de Automobilismo deveria ter evitado isso, criado um sistema ou uma fórmula para que sempre ao menos um brasileiro estivesse na Fórmula 1”, alertou, comentando na sequência sobre a categoria que ele mesmo administra para revelar novos pilotos no país, a FVee.

“Organizamos a FVee para melhorar essa situação, é uma categoria por onde passaram eu, José Carlos Pace, Emerson (Fittipaldi), Piquet, antes de chegarem até a Fórmula 1”, lembrou.

Especial para a Gazeta Esportiva*