Reforço do Inter, Wesley tem perna mais curta que a outra e foi comparado a Lukaku

RS - Caxias do Sul - 12/02/2022 - GAUCHAO 2022, CAXIAS X INTERNACIONAL. Rafael Dumas, jogador do Caxias, e Wesley Moraes, jogador do Internacional, em lance da partida  disputada no Estadio Centenario, pelo Campeonato Gaucho 2022. Foto: Luiz Erbes/AGIF
RS - Caxias do Sul - 12/02/2022 - GAUCHAO 2022, CAXIAS X INTERNACIONAL. Rafael Dumas, jogador do Caxias, e Wesley Moraes, jogador do Internacional, em lance da partida disputada no Estadio Centenario, pelo Campeonato Gaucho 2022. Foto: Luiz Erbes/AGIF

LISBOA (PORTUGAL) - Foram três expulsões em sequência pelo Club Brugge.

Na primeira, os belgas assumiram que Wesley Moraes iria amadurecer e aprender a lição. Na segunda, veio um papo com o técnico. E, enfim, na terceira, o alerta de que algo poderia estar acontecendo: a decisão foi mandar o centroavante para o psicólogo e recorrer a uma solução inusitada em campo. A partir daquele momento, o garoto brasileiro passaria a jogar com fita branca nas mãos. Assim, quando erguesse os braços, ficaria mais atento para não acertar o adversário.

A alternativa durou apenas um jogo. Logo depois, Wesley largou de lado e passou a empilhar gols, sendo eleito a revelação do país e comparado até mesmo à estrela local Romelu Lukaku.

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Depois de um início complicado no futebol, o mineiro de Juiz de Fora que deixou o Brasil como mais um desconhecido, enfim, sedimentava o seu espaço para chegar à Premier League, ser convocado para a Seleção e agora, na esperança de fisgar uma vaga na Copa do Mundo, fechar por empréstimo com o Inter.

Não é pouco para quem passou por tantas provações.

Algumas delas mais aparentes que outras, mas todas igualmente desafiadoras.

À primeira vista, em um olhar mais profundo, um detalhe chama logo a atenção: Wesley tem a perna esquerda maior que a direita. Algo em torno de três centímetros. Uma diferença que faz com que ele às vezes pareça estar mancando, mas que, durante a sua carreira, ele jurou jamais tê-lo atrapalhado. Ela nunca foi impedimento também para que crescesse dentro do futebol e balançasse as redes.

O jogador de 25 anos, inclusive, costuma levar o assunto na esportiva e, sempre que indagado a respeito, menciona o craque Garrincha, bicampeão do mundo nas Copas de 1958 e 1962.

No Brugge, a princípio, houve quem franzisse a testa para o detalhe com o receio de que ele pudesse dificultar sua rotina de treinos e resultar em mais lesões do que o comum. Mesmo tendo sofrido um problema grave no joelho que o afastou por 14 meses no Aston Villa, ele não enfrentou qualquer contratempo similar em gramados belgas.

“A gente havia feito uma bateria de exames detalhados, então, sabíamos de tudo. Esse nunca foi, na verdade, um ponto de grande discussão entre a gente”, afirma o supervisor do Brugge, Dévy Rigaux.

O maior foco de preocupação dos europeus passava por outra área: a pressão familiar natural que vinha do Brasil. Os dirigentes tinham conhecimento da sua história de vida, da perda do pai ainda novo, da sua paternidade também precoce, com apenas 15 anos, mas foi uma foto vista de forma aleatória que deu a eles a dimensão da situação. Nela, estavam mais de 20 pessoas ao redor de uma mesa de cozinha, todas elas dependente dos esforços de Wesley do outro lado do oceano.

Uma responsabilidade gigante para um garoto que ainda tentava domar os seus instintos em campo para evitar mais expulsões.

“Foi algo que tivemos que abordar com a família e explicar para eles o peso nos ombros que Wesley carregava em seu dia a dia. Estava claro que ele era um menino que tinha de correr não só por sua mãe e irmãos, mas também para dar o melhor para seus filhos e ainda para os amigos e parentes mais próximos. Era muita gente e cada um, ao seu modo, pedindo ajuda”, explica Rigaux.

Wesley, ainda assim, superou tudo isso e, em 2019, se tornou o reforço até então mais caro da história do Aston Villa, que pagou R$ 105 milhões por seus direitos.

De uma hora para outra, o atacante que penou para conseguir se firmar no futebol estava marcando gols e embalando as comemorações do Príncipe William, torcedor ferrenho dos ingleses, na arquibancada.

No Beira Rio, não haverá ninguém da família real, mas os seus objetivos seguem tão nobres quanto: voltar para a seleção no Mundial do Catar.