Yoga de um lado, reunião de outro: como os 'sabáticos de bem-estar' viraram a tendência do momento

Marcela De Mingo
·5 minuto de leitura
Businessman Working Summer Beach Relaxation Concept
Os 'sabáticos de bem-estar' são uma tendência crescente no mundo todo (Foto: Getty Creative)

Falar em viajar em pleno 2020 parece uma loucura. Porém, é curioso pensar que mesmo em um ano tão complexo como esse, marcado por uma pandemia de um vírus incurável, as pessoas buscaram o que hoje é chamado de uma nova tendência em viagens: o wellness sabbatical ou "sabático do bem-estar" na tradução em português.

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Você deve ter esbarrado com isso pela redes sociais, ou você mesmo praticou o sabático do bem-estar nos últimos meses: uma viagem para um lugar tranquilo, como a praia ou uma casa no campo, com infraestrutura para trabalhar mas que, ao mesmo tempo, oferece a oportunidade de relaxar. Se você fizer parte do time de pessoas com dinheiro para isso, talvez tenha ido para um resort ou um spa que oferece essas mesmas facilidades.

A ideia parece ter funcionado para aqueles que não conseguem ou não podem parar de trabalhar completamente, mas ainda assim precisam de um respiro por conta de toda situação global, que envolveram períodos de quarentena ou lockdown completo (em alguns lugares do mundo), o home office, crianças estudando de casa e o (dês)equilíbrio entre tarefas domésticas e profissionais.

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Nos Estados Unidos, mais especificamente na Carolina do Sul, o resort Hilton Head Health percebeu esse movimento e passou a oferecer, em agosto deste ano, um programa específico voltado para pessoas que precisam relaxar e manter a rotina de trabalho ao mesmo tempo.

Chamado de WorkWell, os hóspedes ficam alocados em vilas particulares, com internet de alta velocidade, impressoras wifi e contam com uma agenda flexível, em que podem equilibrar os momentos de trabalho com tratamentos no spa, aulas de yoga e até palestras motivacionais.

Não é uma surpresa que o programa tenha feito sucesso. Afinal, assim como para muita gente no Brasil, o trabalho passou a ser de casa e a carga aumentou - e muito. Ainda mais considerando cortes de funcionários em muitas empresas, reestruturações e adaptações para o online.

O crescimento dos 'hiperlocais' e das viagens de carro

Essa movimentação política, economia e social motivada pela pandemia acabou refletindo na forma como as pessoas encaram a rotina e, claro, as viagens: "O turismo está diferente na retomada das viagens, porque os viajantes estão se comportando de forma diferente, com novas prioridades. Os destinos domésticos, mais perto de casa, para viagens de carro, têm sido os mais procurados. Locais com menor fluxo de pessoas têm ganhado a preferência dos hóspedes, longe de multidões ou alta rotatividade. E aspectos de limpeza e higienização ganharam uma relevância ainda maior na decisão do hóspede em relação à estadia", explica a divisão brasileira do Airbnb, famoso site de aluguel de acomodações ao redor do mundo.

Segundo a empresa, os destinos hiperlocais, muito próximos aos centros urbanos, também ganharam uma relevância grande nos últimos tempos, já que ajudam a manter o deslocamento mínimo ao mesmo tempo que oferecem o descanso e a merecida pausa da bagunça que pode ser a vida na cidade, ainda mais se você passou os últimos meses fechado em um apartamento.

Young beautiful woman lying in a hammock with laptop in a tropical resort
Levar o trabalho para perto da natureza oferece um descanso para quem não consegue pausas completas (Foto: Getty Creative)

"No Brasil, isso tem refletido em um aumento de reservas de casas inteiras no campo e em cidades menores de praia, a até 300 km dos centros urbanos, para ir de carro com a família, sem abrir mão do isolamento. Em muitos casos, são famílias em busca de um refúgio fora da cidade grande, mais perto da natureza, e, ao mesmo tempo, com boa infraestrutura (como conexão à internet, etc), para conciliar férias com a família e trabalho em home office", explica o Airbnb.

Para quem mora em São Paulo capital, destinos como São José dos Campos, Ilhabela, Sorocaba e Campos do Jordão viram um crescimento nas buscas e reservas de acomodações em agosto deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a plataforma, houve até mesmo uma atualização para que ela deixasse mais fácil a busca por esses hiperlocais, mostrando, inclusive, lugares que não costumam estar nos roteiros comuns, mas são próximos das grandes cidades e oferecem esse mesmo propósito e estrutura.

Viagem muito bem higienizada

Ainda de acordo com o Airbnb, o que antes poderia até passar batido, agora virou uma prioridade máxima: os protocolos de higienização. Foram estabelecidos novos padrões e um protocolo avançado, lançado no fim de abril deste ano (um mês depois do início da quarentena por aqui), com um guia padronizado e abrangente sobre o assunto.

"O protocolo, em vigor desde junho e que inclui especificações sobre como higienizar todos os cômodos de uma casa e um selo para as acomodações, passou a ser solicitado a todos os anfitriões. Além disso, em agosto, a plataforma reduziu a 16 o número máximo permitido de pessoas por acomodação, para evitar aglomerações e contribuir para estadias responsáveis", explica a empresa ao Yahoo. "E, agora em outubro, lançou orientações e boas práticas também para hóspedes, disponíveis no site e com as quais eles devem se comprometer no momento da reserva. As recomendações incluem uso de máscaras e prática de distanciamento social por anfitriões e hóspedes ao interagirem."

Desconectar, mas nem tanto assim

Seja indo a um spa, ou passando uma temporada em uma casa alugada no litoral mais próximo, a ideia de muitas pessoas têm sido escapar de um cenário que elas viam todos os dias (e que muitas vezes era sufocante) para combinar momentos de autocuidado e bem-estar com a rotina de trabalho. Se desconectar totalmente não é possível, mas trabalhar de qualquer lugar é, então nada melhor do que unir o útil ao agradável e, no mínimo, equilibrar uma manhã na piscina com uma tarde de expediente normal.

Segundo o Ministério do Turismo, a perspectiva, quando se fala em viagens, é que o mercado doméstico se recupere antes que os demais. E uma passada rápida pelo feed do Instagram mostra que, como diz o Airbnb, os hiperlocais estão em alta e entrar em contato com a natureza e respirar um pouco de ar puro, mesmo que isso signifique levar o trabalho junto, parece uma boa ideia depois de tanto tempo no mesmo lugar.