Vulnerabilidade e coragem caminham juntas, dizem pesquisadores

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Foto: Getty Images
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Por Anna Martins

Pode parecer controverso, mas para ser uma pessoa corajosa é necessário ser vulnerável. É o que afirma Brené Brown, pesquisadora da Universidade de Houston, nos EUA, que estuda coragem, vulnerabilidade, vergonha e empatia há 20 anos.

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“Vulnerabilidade não é sobre ganhar ou perder. É ter a coragem de se expor mesmo sem poder controlar o resultado”, afirma Brown no especial “The Call To Courage”, lançada pelo Netflix em abril deste ano.

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Autora de cinco livros sobre o assunto, que figuraram no topo da lista dos mais vendidos do jornal “The New York Times”, Brown popularizou o conceito em uma palestra no TEDTalks há oito anos. O vídeo viralizou e hoje tem mais 11 milhões de visualizações no YouTube.

Em “The Call To Courage”, a pesquisadora destaca que não é fácil ser vulnerável e explica as dificuldades de CEOs e outros líderes empresariais para entender o conceito.

“Eles dizem que agora estão dispostos a fracassar, mas de tudo o que eu digo, a única palavra que eles absorvem é ‘fracasso’. O correto é estar disposto a se arriscar a fracassar. Viver corajosamente é conhecer o fracasso”, afirma.

Para Brown, a vergonha que as pessoas sentem de si mesmas as impedem de aceitar riscos e, por consequência, críticas.

“Imagine sair de um lugar com pessoas conhecidas e todos começam a falar tão mal de você, que você não teria mais coragem de olhar para nenhuma daquelas pessoas. Isso é vergonha”, diz a pesquisadora.

A temática da vulnerabilidade e autoestima já é alvo de estudos acadêmicos há pelo menos 20 anos, com outros autores como Manfred Kets de Vries, da Universidade de Harvard, explica Solange Mazza, professora de desenvolvimento de lideranças e cultura organizacional da Business School São Paulo.

Para Mazza, os estudos mostram que a vulnerabilidade é uma ferramenta valiosa para o crescimento pessoal, profissional e para um ambiente de trabalho criativo. “A vulnerabilidade é poder mostrar-se como humano. Como me relaciono com as pessoas? Como são as reuniões? Devo só obedecer ou estou aqui para discutir ideias?”, questiona.

Embora o tema seja tratado de forma às vezes simplificada demais, na avaliação de Sigmar Malvezzi, doutor em psicologia organizacional pela Universidade de Lancaster e professor da USP (Universidade de São Paulo), ele ressalta que vulnerabilidade não é defeito, mas parte da natureza humana.

Para Malvezzi, a vergonha é sim um dos principais inibidores para as pessoas serem mais corajosas. Para combater esse medo, é vital se colocar em situações de desconforto. Mesmo que aos poucos.

“A vergonha é o não reconhecimento de aspectos vulneráveis que a pessoa tem. Não pode ter medo de reconhecer a vergonha. Tem que enfrentar isso. Já a coragem é o oposto. É ter certeza de que se consegue superar a limitação ou vulnerabilidade, e se arriscar a enfrentar isso”, completa.

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