'Vote em Trump ou vamos atrás de você': eleitores da Flórida recebem e-mails ameaçadores

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Eleitores fazem fila para votar antecipadamente na prefeitura de Miami Beach, Flórida, 20 de outubro de 2020
Eleitores fazem fila para votar antecipadamente na prefeitura de Miami Beach, Flórida, 20 de outubro de 2020

Autoridades da Flórida investigam a origem de uma série de e-mails enviados a eleitores registrados como democratas, supostamente mandados pelo grupo extremista "Proud Boys", que exigem, em tom de ameaça, o voto no presidente Donald Trump nas eleições presidenciais de 3 de novembro.

O conteúdo da mensagem, divulgada pela imprensa local, diz, após identificar o destinatário com nome e endereço: "Temos todas as suas informações. Você está registrado como democrata (...) Vai votar em Trump no dia das eleições ou vamos atrás de você".

E conclui: "Saberemos em qual candidato você votou. Eu, no seu lugar, levaria isto muito a sério".

A polícia do condado de Alachua, no norte da Flórida, afirmou estar a par de um e-mail "supostamente dos Proud Boys" e que está investigando, juntamente com a autoridade eleitoral da Flórida e o FBI, polícia federal americana.

"Este e-mail parece ser uma fraude e vamos iniciar uma investigação sobre sua origem com a assistência de nossos parceiros em nível federal", escreveu a polícia no Facebook.

O jornal local Miami Herald reportou que estudantes da Universidade da Flórida receberam as mensagens, enviadas pelo remetente info@officialproudboys.com.

Os Proud Boys, identificados como um grupo de ódio extremista pela organização Southern Poverty Law Center (SPLC) - que mantém um registro nacional de grupos de ódio - ganhou as manchetes do país recentemente quando Trump, candidato à reeleição, se negou a condená-los durante o debate com o seu adversário, o democrata Joe Biden.

O presidente pediu-lhes, ao contrário, para "recuar e esperar".

Enrique Tarrio, líder dos Proud Boys e diretor na Flórida do Latinos por Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) ao jornal The Wasghinton Post que seu grupo não está envolvido no envio destes e-mails.

Um porta-voz do Partido Republicano disse à AFP que o grupo Latinos por Trump não é o mesmo filiado ao partido e negou qualquer vínculo com os Proud Boys.

De acordo com o The Wasghinton Post, também foi reportada a recepção de mensagens similares em Pensilvânia (nordeste), Arizona (sudoeste) e Alasca.

Excepto este último, onde o presidente tem a vitória quase garantida, os demais estados, assim como a Flórida (sudeste), são estados-chave nos quais Biden mantém uma pequena vantagem e que Trump espera virar a seu favor a menos de duas semanas para as eleições.

Segundo a SPLC, os Proud Boys são um grupo de ultradireita que apoia o nacionalismo branco - embora Tarrio se identifique como afro-cubano - e que é conhecido por sua retórica antimuçulmana e misógina.

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