Você conhece a história do Rocky Balboa da vida real?

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Wepner em cerimônia de indução para o Hall da Fama de Nova Jersey (Bobby Bank/Getty Images)
Wepner em cerimônia de indução para o Hall da Fama de Nova Jersey (Bobby Bank/Getty Images)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Os amantes de boxe e cinema certamente conhecem o lendário Rocky Balboa. As lutas, as vitórias e o drama vivido pelo lutador nos filmes atraíram fãs, prêmios e bilheterias milionárias ao redor do mundo. Mas o sucesso não se limita somente à ficção. Em agosto deste ano, o Conselho Mundial de Boxe (WBC) concedeu o cinturão honorário ao personagem interpretado por Sylvester Stallone por seu impacto na popularização do esporte nas últimas décadas. Antes disso, em 2010, o ator já havia entrado para o Hall da Fama do boxe.

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Rocky chegou aos cinemas em 1976. Nesse ano, foi exibido o primeiro filme da série e deu início à popular trajetória do personagem. Em sua carreira fictícia, o boxeador teve 57 vitórias (54 por nocaute), um empate e 24 derrotas, e foi campeão mundial dos pesos-pesados em 1979 e 1982. A história rendeu sete longas — o oitavo capítulo será lançado em novembro –, mais de US$ 1 bilhão na arrecadação de bilheterias e o Oscar de melhor filme para o primeiro da sequência.

Diante de tudo isso, o sucesso do protagonista vivido por Sylvester Stallone é inegável. O que muita gente não sabe é que o personagem surgiu ao ser inspirado pela história de um pugilista real: o americano Chuck Wepner.

Perto de Rocky Balboa, trata-se de um nome bem menos popular. Nascido em 1939 na cidade de Bayonne, em Nova Jersey, Wepner começou a praticar boxe aos 13 anos e se profissionalizou em 1964, aos 25. Com um cartel modesto de 51 lutas ao longo da carreira — 35 vitórias (17 por nocaute), dois empates e 14 derrotas –, ele inicialmente ficou conhecido pelo apelido de “The Bayonne Bleeder” (O sangrador de Bayonne, em inglês) por conta da quantidade de sangue que derramava nos ringues, nas vitórias ou derrotas. Após uma luta, inclusive, ele precisou de 72 pontos no rosto. O boxeador nunca atingiu a glória de um título mundial, mas uma luta transformou a vida de Chuck (e também de Sylvester Stallone).

A luta em questão aconteceu em 24 de março de 1975, quando ele teve a chance de disputar o cinturão dos pesos-pesados contra o campeão Muhammad Ali no Richfield Coliseum, em Ohio. Embora Wepner já tivesse enfrentado oponentes de prestígio, como George Foreman e Sonny Liston (derrotado contra ambos), a oportunidade foi recebida pela maioria com enorme surpresa e a luta foi chamada de “Give the White Guy a Break” (Dê uma chance ao cara branco). Com Chuck sendo considerado um grande azarão, a expectativa era de que Ali vencesse o adversário com facilidade. Todos aguardavam por um nocaute logo nos primeiros rounds.

Em cima do ringue, no entanto, a luta foi diferente. Wepner surpreendeu ao resistir 15 rounds diante de Ali, sendo derrotado por nocaute técnico somente a 19 segundos do fim. No nono round, inclusive, ele chegou a derrubar o campeão mundial. Para se ter noção do tamanho do feito, Muhammad Ali sofreu apenas quatro knockdowns nas 61 lutas que disputou na carreira. A bravura e resistência de um lutador que se mantinha de pé mesmo após ser dominado e sofrer vários golpes serviram de inspiração para Sylvester Stallone no roteiro de “Rocky”, no Brasil com o título de “Rocky: um lutador”.

Posteriormente, Stallone negou que essa fosse a origem para Rocky, mas Chuck entrou na Justiça pedindo parte dos lucros do filme e os dois chegaram a um acordo em 2003, com um valor não divulgado. Briga judicial à parte, a semelhança entre a história de Balboa e Wepner é evidente.

No cinema, Rocky é um pugilista americano desconhecido que ganha a oportunidade de enfrentar o campeão mundial Apollo Creed. Mesmo desacreditado, Balboa resiste até o fim do combate contra o oponente e, apesar de derrotado em uma difícil decisão dos árbitros, por muito pouco não se torna o novo detentor do cinturão — o que acontece em uma revanche no segundo filme da série. Na sequência da franquia, o personagem interpretado por Stallone precisa superar dramas pessoais e adversários como Clubber Lang, Ivan Drago, Tommy Gunn e Mason Dixon.

Outro detalhe também aproxima a história dos boxeadores. Nos filmes, Rocky encerrava os treinamentos para as grandes lutas com uma cena marcante ao subir correndo os 72 degraus do Museu de Arte de Filadélfia. Coincidência ou não, Wepner percorreu os 42 degraus de um parque em Bayonne na preparação para enfrentar Ali.

A trajetória de Chuck Wepner no boxe chegou ao fim em 2 de maio de 1978, quando perdeu por pontos para o novato Scott Frank. Ao longo da carreira, ele se envolveu em diversas polêmicas, além de problemas com drogas e álcool. O ex-pugilista, porém, garante estar limpo há mais de três décadas.

Nos últimos anos, Wepner passou finalmente a ser reconhecido como a inspiração para a criação do personagem Rocky Balboa. Em 2011, o documentário “The Real Rocky” (em tradução, O Verdadeiro Rocky) foi lançado. Seis anos depois, “Chuck” (no Brasil, “Punhos de Sangue”) chegou aos cinemas contando um pouco da história de Wepner, a luta contra Ali, e o surgimento da saga criada por Stallone.

Em novembro deste ano, Sylvester Stallone volta aos cinemas como Rocky em “Creed 2”, o oitavo filme da série. No longa, o ex-campeão mundial acompanha o boxeador Adonis (Michael B. Jordan), filho de seu antigo amigo Apollo Creed, e revê o rival Ivan Drago (Dolph Lundgren).

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