“Não entendi metade”: hoje no Corinthians, Vitor Pereira viu inglês “fraco” adiar sonho da Premier League

Vitor Pereira no comando do Corinthians na Libertadores (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Vitor Pereira no comando do Corinthians na Libertadores (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - Foram duas temporadas no comando do Porto, dois títulos da Liga Portuguesa e apenas uma derrota pelo caminho.

Na metade da segunda delas, no entanto, Vitor Pereira chegou à conclusão de que era preciso alçar outros voos. A despeito da forma imbatível de sua equipe, o técnico de 53 anos se via obrigado a conviver com uma situação que custava a compreender: a falta de apoio no Estádio do Dragão. Ele sofria com as críticas implacáveis sobre o seu estilo de jogo, considerado por uma parcela significativa da torcida como aborrecido e longe de encantar.

Acabou sendo, então, em meio a essa crise de confiança que Pereira concluiu que havia cumprido o seu ciclo no norte do país e que era a hora de se arriscar em outros campeonatos, mais especificamente, na Premier League, que sempre permeou os seus sonhos.

A chance veio logo em seguida, no meio de 2013, através do Everton.

O atual comandante do Corinthians viajou até Liverpool, se reuniu com os dirigentes do time, porém, terminou esbarrando em um fator que não considerou ao deixar o Porto: o nível do seu inglês.

“Havia essa perspectiva de ida para o Everton, mas, no fim das contas, não fechei porque, na altura, o meu inglês era fraco, muito fraco, eu tinha dificuldades. Fui a uma reunião, por exemplo, e não entendi metade do que me disseram”, afirmo Pereira em entrevista ao Canal 11.

A chance para assumir a equipe principal do Porto surgiu antes, em 2011, depois que o Chelsea aceitou pagar uma fortuna para levar André Villas-Boas. Naquele momento, havia, contudo, o consenso de parte da imprensa portuguesa de que era o então auxiliar Pereira, na verdade, o grande responsável pelo sucesso dos Dragões e o encarregado por sua preparação.

Não por acaso, quando indagado na época sobre os treinadores que mais gostava, o presidente portista Pinto da Costa citou os nomes de Leonardo Jardim e, curiosamente, Pereira. Villas-Boas foi ignorado.

Nada mais natural, portanto, que, a exemplo de seu antecessor, o português de Espinho acabasse também entrando na mira da Premier League.

Se o seu inglês atrapalhou na primeira oportunidade, outras vieram mais adiante, tendo sido a última delas no começo deste ano, novamente com o Everton à sua procura. A falta de fluência no idioma não era mais problema. O problema agora era outro: a rejeição entre os torcedores provocada por sua ligação ao agente Kia Joorabchian, ex-homem forte da MSI no Corinthians.

Mais à vontade na língua, Pereira adotou, inclusive, uma estratégia inusitada para se defender da repercussão negativa ao entrar ao vivo na emissora Sky Sports para falar sobre o seu trabalho e o processo de entrevistas em que estava envolvido para o cargo. A decisão surpreendeu a todos e não se mostrou suficiente, no entanto, para alterar a percepção ao redor de suas credenciais. O escolhido acabou sendo Frank Lampard, ex-Chelsea e Derby County.

O sonho mais uma vez adiado da Premier League pôs o treinador na rota do Brasil ao lado dos compatriotas Abel Ferreira, Paulo Sousa e Luis Castro.

Ele não desiste, ainda assim, de provar o seu valor na maior liga do mundo. “É para onde quero ir. Já estive quase lá por duas ou três vezes. Ainda não foi o momento certo, mas ele virá”, concluiu.

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