Vinte anos depois e com agravante da pandemia, futebol segue direção oposta em crise hídrica

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**ARQUIVO** 17.mai.01: Corinthians e Atlético-PR se enfrentaram às 15h, para um público de 10.964 pagantes. (Foto: Caio Guatelli/Folhapress)
**ARQUIVO** 17.mai.01: Corinthians e Atlético-PR se enfrentaram às 15h, para um público de 10.964 pagantes. (Foto: Caio Guatelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - No dia 17 de maio de 2001, Corinthians e Atlético Paranaense (então sem o h no nome) empataram por 0 a 0 no Pacaembu, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Inicialmente marcado para as 20h30, o jogo foi antecipado para as 15h como uma das primeiras medidas do racionamento de energia que afetaria os brasileiros até fevereiro do ano seguinte.

A partida ocorreu dois dias após o anúncio do primeiro pacote de medidas para enfrentar a crise hídrica, que proibiu também shows e festas em ambientes abertos, parques de diversões, exposições, rodeios e circos. O governo determinou ainda que um terço da iluminação pública fosse apagada.

O veto afetou jogos nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Livre do racionamento, o Sul ainda tinha jogos noturnos, como a partida de volta entre Corinthians e Atlético Paranaense, na qual o clube paulista se classificou às semifinais com vitória por 1 a 0 na Arena da Baixada, em Curitiba.

A proibição virou alvo de embate entre os clubes e a Rede Globo, que tiveram que alterar a tabela de todas as competições em curso. "É o caos", disse à Folha na época o então presidente do Clube dos 13, Fábio Koff. "Não há o que fazer. Temos que cumprir a determinação do governo sem reclamar."

Autores de "Curto Circuito -- Quando o Brasil Quase Ficou às Escuras", os jornalistas Roberto Rockmann e Lúcio Mattos lembram que o veto a jogos noturnos foi justificado menos pela economia de energia em si, mas principalmente pelo efeito psicológico sobre os brasileiros.

"O impacto econômico não era grande, mas o apelo midiático estava garantido. Envolviam a maior paixão brasileira: o futebol", escrevem. A decisão, segundo eles, afetou 129 partidas de diversos campeonatos, 65 delas em estádios com capacidade superior a 40 mil pessoas.

Governado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o Brasil havia entrado 2001 com os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, principal caixa d'água do sistema elétrico brasileiro, pouco acima dos 30%, situação semelhante à vivida atualmente. Hoje, especialistas veem sinais de atenção, mas um racionamento ainda é descartado.

O governo de Jair Bolsonaro (sem partido) vem buscando novas fontes de geração para ampliar a capacidade e diz que a situação está sob controle. Embora exista desde o fim do ano uma campanha de conscientização na TV e em redes sociais, ainda não houve grande mobilização de autoridades pelo consumo mais consciente durante a crise hídrica atual.

Nesta segunda-feira (31), o Brasil foi anunciado como sede emergencial da Copa América, que terá início em duas semanas. Como tem ocorrido nas partidas locais, não há previsão de restrições aos jogos noturnos.

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