Vídeo de reunião citada por Moro contra Bolsonaro estaria com Wajngarten

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Vídeo da reunião estaria com Fábio Wajngarten, da Secom. (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
Vídeo da reunião estaria com Fábio Wajngarten, da Secom. (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)

O vídeo da reunião ministerial na qual o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria pressionado o ex-ministro da Justiça Sergio Moro para a troca da Superintendência da PF (Polícia Federal) do Rio de Janeiro está sob a responsabilidade do secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten.

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Em seu depoimento à PF, concedido no sábado (2), Moro citou a gravação da reunião do dia 22 de abril - três dias antes de seu pedido de demissão - como uma das possíveis provas de tentativa de interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal.

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Em despacho expedido na noite de terça-feira, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um prazo de 72 horas para a apresentação de uma cópia dos “registros audiovisuais” de uma reunião.

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Celso de Mello também ordenou que o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, o secretário especial de Comunicação, Fabio Wajngarten, e o assessor-chefe da Assessoria Especial do presidente da República, Célio Faria Júnior, sejam oficiados com urgência. O despacho prevê ainda que o governo é obrigado a preservar a integridade do vídeo e evitar que seja modificado.

O cartão de memória que continha a gravação, segundo o jornal O Estado de São Paulo, já estaria sem nenhum dado. O site O Antagonista apontou Célio Faria Júnior como responsável, mas ao Estado de S. Paulo o chefe da assessoria especial da Presidência negou que estivesse com o cartão e que não apagou nenhum dado.

Foi Faria Júnior quem confirmou ao Estadão que Wajngarten estaria com a gravação.

O QUE QUER O STF?

A intenção de Celso de Mello ao solicitar o vídeo é confirmar a afirmação do ex-ministro Sergio Moro de que Bolsonaro teria cobrado, nesse encontro, a substituição do diretor-geral da PF e do superintendente da corporação no Rio de Janeiro, além de relatórios de inteligência e informação da Polícia Federal.

O ministro do STF já havia autorizado que a Polícia Federal interrogue dez pessoas no inquérito que investiga as acusações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro ao presidente Bolsonaro. Entre os depoimentos a serem prestados, três são de ministros do governo: Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo; Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional; e Braga Netto, da Casa Civil. Moro acusa Bolsonaro de ter tentado interferir indevidamente nas atividades da PF.

Também prestarão depoimento a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e seis delegados da PF - entre eles, Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da corporação, e Alexandre Ramagem Rodrigues, que foi indicado para o lugar de Valeixo, mas foi vetado por decisão do STF.

As oitivas foram pedidas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, e devem ser realizadas em até 20 dias.Segundo o procurador-geral, as pessoas precisam prestar depoimento sobre “eventual patrocínio, direto ou indireto, de interesses privados do Presidente da República perante o Departamento de Polícia Federal, visando ao provimento de cargos em comissão e a exoneração de seus ocupantes”.

Celso de Mello ainda autorizou que seja determinada a apresentação dos "comprovantes de autoria e integridade" das assinaturas no ato que exonerou o ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo. Inicialmente, o decreto foi publicado no Diário Oficial da União com as assinaturas digitais de Bolsonaro e Moro. Em coletiva, horas depois, Moro negou que tivesse assinado o documento, indicando possível fraude na publicação.

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