Victor celebra 9 anos no Galo com títulos, profissionalismo e busca o único troféu que lhe falta: o Brasileiro

Anderson Gonçalves e Rodrigo da Costa-Valinor Conteúdo
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Victor Leandro Bagy está no Atlético-MG desde 29 de junho de 2012, sendo contratado junto ao Grêmio pelo ex-presidente Alexandre Kalil, que em um dos seus tradicionais rompantes verbais, postou no Twitter uma celebração à chegada do arqueiro: “Torcida mais chata do Brasil, se o problema era goleiro não é mais. Victor é do #Galo!”, escreveu à época.

Essa frase não seria em vão, pois Victor, que completará 38 anos no próximo dia 21 de janeiro, solidificou uma carreira vencedora e com muita identificação com o clube, entrando em campo 423 vezes, se tornando um ídolo da Massa Alvinegra e, um dos maiores goleiros da história do Atlético, com trajetória comparável somente a Kafunga e João Leite.

As conquistas dentro de campo, aliadas com uma postura sempre profissional, vide a aceitação cordial e sensata da reserva no time, sempre se mostrando atento e pronto para auxiliar os companheiros Everson e Rafael, que tem entrado em campo mais vezes desde a chegada de Jorge Sampaoli ao Galo.

No currículo, quase tudo que o torcedor atleticano sonhou em ver sua equipe ganhar, teve pelo menos uma mão, ou um pé salvador de Victor. Libertadores de 2013, Copa do Brasil e Recopa Sul-Americana, em 2014, Flórida Cup, em 2016, além de quatro Campeonatos Mineiros(2013, 2015, 2017 e 2018), e dois vice-campeonatos Brasileiros(2012 e 2015).

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Balanço da trajetória e amor pelo Galo

Em 2021, Victor completa nove anos vestindo a camisa alvinegra. E, mesmo perto do fim do seu contrato, que vence em fevereiro, demonstra gratidão e sentimentos de afeto e amor pelo Atlético, tendo reciprocidade do torcedor, que sempre o teve como ídolo e exemplo dentro e fora de campo.

-Eu vejo minha trajetória no Atlético como um período muito feliz, muito produtivo, muito marcante da minha vida, da minha carreira. E também penso que na história do clube também. Então, o balanço é muito positivo, um legado muito forte e com grandes conquistas, tendo uma grande identificação pelo clube que eu aprendi a amar, conforme o tempo que eu fui passando, fui ficando aqui no clube. Então todo respeito a essa camisa-disse em entrevista exclusiva à reportagem Valinor Conteúdo/LANCE!.

Respeito com os companheiros de clube e boa relação com os goleiros

Nesses quase nove anos de Victor no Galo, era raro ouvir alguma declaração mais forte do goleiro alvinegro. Esse temperamento mais ponderado permeou sua passagem pelo alvinegro, assim como foi com as camisas de Paulista, Grêmio e da Seleção Brasileira.

Em 2019 ficou um longo período parado por um problema físico, voltando à ativa plenamente somente em 2020. Entretanto, com a saída de Dudamel e a contratação de Jorge Sampaoli, Victor perdeu espaço com o treinador argentino, que pediu dois jogadores da posição para reforçar o elenco. Chegaram Rafael, vindo do rival Cruzeiro, e Everson, que deixou o Santos para ser o titular do gol atleticano.

E, ao invés de demonstrar insatisfação de ter virado o terceiro goleiro do time, com chances remotas de jogar, Victor usou seus anos de Galo, mais a experiência no futebol, para driblar a situação e se tornar um “mentor” dos arqueiros mais jovens da equipe.

O ambiente entre o trio é saudável, com apoio mútuo e isso tem sido um dos pilares da boa campanha atleticana no Campeonato Brasileiro, em que ainda briga pelo título e tem 95% de chances de jogar a Libertadores de 2021, segundo o departamento de Matemática da UFMG. O “Santo do Galo” comentou essa nova fase de conselheiro com os colegas de time.

-Em relação à postura com os demais goleiros sempre levo essa máxima comigo: “faça aos outros, o que eu gostaria que fizessem comigo também”. Então respeito, profissionalismo, e companheirismo, eu acho que são coisas básicas dentro do esporte coletivo. Dentro de uma coletividade. Não somente com goleiros, mas com todos os atletas. Se você tem um bom nível de companheirismo, de profissionalismo, e você tem isso presente em outros atletas, isso já é um grande passo para buscar grandes conquistas-comentou Victor.

Pensamentos para o agora e o pós-carreira

Com quase 38 anos de idade, Victor está caminhando para o término de sua trajetória dentro dos gramados. Porém, o jogador, que é formado em Educação Física, desde 2005, tem planos ainda para conquistas em campo e iniciar projetos fora dele, como revelou no bate-papo com a reportagem.

O seu maior desejo é conseguir vencer um Campeonato Brasileiro. Título que lhe escapou três vezes, sendo uma com o Grêmio, em 2008, e duas vezes com o Galo, nos anos de 2012 e 2015.

-Olhando no retrovisor do tempo, da minha carreira, tenho muitas coisas legais a comemorar. Carreira sólida, com um grande conquistas, sejam coletivas, individuais, tendo grandes feitos. Isso me enche de orgulho e hoje talvez a única coisa que me falta na carreira realmente, chegando aos 38 anos é conquistar um título brasileiro. É algo que busco incessantemente desde o início da minha carreira. Já para quando encerrar a carreira, que sim trabalhar com alguma coisa relacionada ao futebol. Pretendo aproveitar essa experiência, essa vivência que eu tenho dentro do futebol para tentar ajudar as novas gerações. Poder transmitir aquilo que eu tenho de conhecimento do futebol, para que possa participar de elencos vitoriosos, como eu tive a possibilidade como atleta e também dentro de outras áreas fora do campo-concluiu.

Confira seis fatos que fizeram de Victor o “Santo do Galo”

-Defesa com o pé esquerdo nas quartas de final da Libertadores, contra o Tijuana, no dia 30 de maio de 2013;

-A data é celebrada pela torcida do Galo como o dia de “São Victor”, com reverência ao arqueiro;

-Pênalti defendido na disputa com o Olímpia, na decisão da Libertadores de 2013;

-Classificou o Atlético para a final da Libertadores de 2013, ao defender um pènalti na semifinal contra o Newell's Old Boys;

-Com três defesas de pênaltis no duelo com o Unión La Calera, fato inédito na carreira, classifica o Galo para às oitavas de final da Sul-Americana;

-É o terceiro goleiro que mais jogou pelo Galo, com 423 jogos, sendo o nono mais atuante na história do clube;

Conquistas pelo alvinegro de Minas

-Campeonato Mineiro: 2013, 2015, 2017, 2020
-Copa Libertadores: 2013
-Recopa Sul-Americana: 2014
-Copa do Brasil: 2014
-Florida Cup: 2016