Vice em 1977, irmão de Zé Maria vê Majestoso como trunfo por título

A edição de 1977 do Campeonato Paulista colocou dois irmãos em lados opostos. Superado por Zé Maria há 40 anos, o ex-ponta esquerda Tuta vê o Majestoso como principal trunfo da Ponte Preta na tentativa de conseguir o primeiro título de sua história justamente sobre o Corinthians.

Os três jogos pela decisão do torneio estadual de 1977 foram realizados no Morumbi, com maciça presença de corintianos. Às 16 horas (de Brasília) deste domingo, diferentemente do que ocorreu há 40 anos, a Ponte Preta terá a chance de enfrentar o antigo algoz diante de sua torcida.

“Naquela época, disputamos todas as partidas fora de casa, com muita pressão. Agora, a Ponte Preta tem a oportunidade de fazer a diferença jogando em Campinas. Se conseguir levar uma vantagem para a arena de Itaquera, a chance (de título) é grande”, afirmou Tuta à Gazeta Esportiva.

Ao falar sobre as chances de seu ex-time diante do Corinthians, o irmão de Zé Maria lembrou o recente confronto com o Palmeiras. Depois de ganhar por 3 a 0 no Moisés Lucarelli, a Ponte Preta avançou à final com uma derrota por 1 a 0 no Palestra Itália, sem nem mesmo correr grandes riscos.

“A Ponte montou um time competitivo e entrosado, bem postado. Em 1977, o Corinthians tinha uma equipe superior a essa, mas havia muita cobrança. Se a Ponte Preta fizer a lição de casa jogando no Moisés Lucarelli, a chance é maior do que na minha época”, afirmou Tuta.

Formado nas categorias de base do Corinthians, José Margarido Torres Alves disputou apenas uma partida entre os profissionais. Em 1977, além de enfrentar o ex-clube, o ponta esquerda encarou o lateral direito José Maria Rodrigues Alves, responsável por marcá-lo.

“Foi difícil. Com meu irmão, não tinha brincadeira. Ele sempre jogou sério. Dava carrinho em mim como dava nos outros. Então, era só um ‘oi’ no começo do jogo e depois, um Deus nos acuda, porque ele chegava duro e a gente tinha que se virar”, contou Tuta.

Quarenta anos depois, Zé Maria foi elogioso ao falar sobre o ponte-pretano. “Jogar contra irmão é complicado. Tínhamos grande amizade em casa, mas, dentro de campo, éramos adversários. O Tuta era um grande ponta esquerda, habilidoso, veloz, e formava uma boa dupla com o Odirlei. Tanto é que o (técnico Oswaldo) Brandão teve que mudar o nosso time, fazendo a opção de cercar esse lado que nos complicava”, lembrou.

Os dois irmãos praticamente não se falaram durante os dias que marcaram os três jogos decisivos do Campeonato Paulista 1977. Além de duelar com Zé Maria dentro de campo, Tuta lembra ter precisado enfrentar todo o resto da família, ávida pelo final da longa fila.

“Praticamente a família inteira torceu pelo Corinthians, porque eles já eram torcedores do clube. Na final, um corintiano vai torcer pelo Corinthians, ainda mais com a possibilidade de sair do jejum. Então, minha mãe e meu pai torceram pelo Corinthians mesmo”, contou Tuta.

Já Zé Maria tem uma tese diferente. “Graças a Deus, a maioria da família é corintiana porque teve uma educação seleta do meu pai. Mas a minha mãe, o Marco Antônio e o Modesto (outros dois irmãos) torceram pelo Tuta, porque ele ainda estava começando. Foi uma guerra em casa, mas que acabou superada. Chegamos a um consenso: que vencesse o melhor”, recordou.

Radicado em Campinas, Tuta mantém contato constante com os antigos companheiros de 1977 por meio de um aplicativo de troca de mensagens por celular. Recordando o vice-campeonato alcançado há 40 anos diante do Corinthians, ele transparece certa decepção.

“Ficou um pouco de frustração, porque, pelo que fizemos no campeonato, poderíamos ser campeões. Mas só de participar daquela situação que movimentou o Brasil inteiro… Acredito que, além da frustração, levo também orgulho e gratidão”, disse Tuta, crente na lisura da decisão, a despeito da polêmica expulsão de Rui Rei pelo árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia logo no início do terceiro jogo.

“O Rui era genioso e, por causa daquele lance, a culpa recaiu sobre ele. Foi uma jogada infantil e uma expulsão que trouxe prejuízo ao time, mas é coisa que acontece no futebol. O cartão vermelho atrapalhou, mas não acredito que teve alguma coisa por baixo do pano”, declarou.

Quarenta anos depois de decidirem o Campeonato Paulista, os dois irmãos se encontram com frequência, já que Zé Maria trata seus dentes com a filha de Tuta, sua sobrinha. Quando conversou com a reportagem, o ex-ponta esquerda ainda estava à espera de um convite da Ponte Preta para ver a primeira partida da final.

“Todos que participamos daquela época estamos torcendo, porque o momento surgiu outra vez. As oportunidades vêm aparecendo e já escaparam em algumas ocasiões. Acho que já está na hora de a Ponte conseguir um título”, afirmou Tuta, novamente contrariando seu irmão mais velho.

“Fizemos uma história muito bonita lá atrás e estamos torcendo para que se repita, apesar de ser tudo novo, diferente. O Fábio (Carille) está buscando um equilíbrio, e o Corinthians tem tudo para obter um bom resultado lá e garantir esse título na arena”, rebateu Zé Maria.