Verstappen tenta desafiar Hamilton, que busca inédito 8º título da F1

LUCIANO TRINDADE
·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A segunda temporada da F-1 disputada em meio à pandemia do coronavírus começa nesta sexta-feira (26), com os treinos livres do GP do Bahrein, e promete ser mais acirrada que as dos últimos anos. Além de ter quatro campeões mundiais no grid, a categoria vê a hegemonia da Mercedes sob ameaça pela primeira vez desde 2014. Ao menos foi essa a impressão que ficou da pré-temporada, realizada há 15 dias no mesmo palco do GP deste fim de semana. Enquanto Lewis Hamilton, 36, e Valtteri Bottas, 31, sofreram com a unidade de motor de seus carros, a Red Bull de Max Verstappen, 23, e Sergio Pérez, 31, foi mais rápida e consistente. Os desempenhos do holandês e do mexicano não chegaram a surpreender, pela evolução que a equipe já demonstrava na temporada passada. Mas as dificuldades encontradas pela Mercedes não estavam no roteiro, uma vez que o regulamento deste ano obriga os times a usarem os mesmos carros de 2020. No ano em que Hamilton busca seu oitavo título para se isolar como maior vencedor da F-1, Verstappen é quem desponta como favorito a largar com uma vitória na pista de Sakhir. A classificação será no sábado (27), às 12h, com transmissão da Band e da plataforma de streaming F-1 TV Pro, assim como a corrida, às 12h de domingo. Se no ano em que igualou o número de títulos de Michael Schumacher Hamilton não teve rivais à altura, agora o holandês aparece no retrovisor, como mostra da expectativa que há no paddock de que ele seja o próximo grande protagonista da F-1. "Eu ainda apostaria em Lewis, porque não é possível imaginar alguém o vencendo na temporada. Mas Max Verstappen, em particular, esteve mais perto do que nunca na pré-temporada, em termos de chances. Não acho que alguém tenha estado tão perto há muitos, muitos anos", disse Nico Rosberg, campeão em 2016 e ex-companheiro de Hamilton na Mercedes. "Sabemos que a Mercedes não ganhou por engano nos últimos sete anos", ponderou Christian Horner, chefe da Red Bull. "É uma equipa de qualidade e de classe." Os coadjuvantes também querem ocupar mais espaço. A briga no pelotão logo atrás de Mercedes e Red Bull deverá ser ainda mais competitiva, sobretudo entre os carros da McLaren e da Alpine (ex-Renault). A primeira trouxe Daniel Ricciardo, 31. O australiano tem sete vitórias na carreira e é visto como alguém que pode, além de brigar por pódios, ajudar na evolução do jovem inglês Lando Norris, 21, outra promessa do grid. A pré-temporada da McLaren foi animadora. Ricciardo liderou a parte da manhã em 2 dos 3 dias de testes, e a equipe não teve problemas de confiabilidade, consolidando-se como força logo atrás de Mercedes e Red Bull. O papel hoje desempenhado pela escuderia inglesa é cobiçado pela Alpine. O time estruturou seu projeto tendo como pilar alguém acostumado a atrair holofotes: o espanhol Fernando Alonso. Aos 39 anos e de volta à categoria após um hiato de duas temporadas, o bicampeão acredita que pode ajudar no desenvolvimento da escuderia para que ela possa se tornar competitiva e lutar por pódios. "Estou ansioso. Temos alguns talentosos jovens que já mostraram bom rendimento. Temos os campeões Lewis [Hamilton], Sebastian [Vettel] e Kimi [Raikkonen]. Temos um grid competitivo e vai ser um desafio encontrar todo mundo na pista", disse Alonso, antes de dizer quem, na opinião dele, é o melhor piloto entre os que citou: "Sou o melhor". Nos testes realizados no Bahrein, Alonso mostrou boa forma. Com 206 voltas, foi o quinto piloto que mais completou o trajeto na soma dos três dias de testes e foi o mais rápido de uma das baterias. Ainda que não esteja à altura das equipes de ponta, a Haas não deverá apenas fazer figuração neste ano, como foi em 2020, quando terminou em nono no Mundial de Construtores. A chegada de Mick Schumacher, filho do heptacampeão Michael, fez os olhos da F-1 se voltarem para o time americano. Campeão da F-2 no ano passado, o alemão se orgulha de carregar o sobrenome de peso, mas almeja construir a própria identidade. Só não vai ser fácil fugir das comparações com o heptacampeão. "Ele me lembra muito seu pai, estou feliz por ele", disse Raikkonen, da Alfa Romeo. "Mas ele não está na F-1 pelo sobrenome." A estreia de Mick porém, não poderá ser vista justamente por seu pai, que se recupera de um gravíssimo acidente sofrido em 2013, enquanto esquiava nos Alpes Franceses. Quase nada se sabe oficialmente sobre seu estado de saúde, pois a família praticamente não emite declarações sobre o tema. Além de trazer o sobrenome Schumacher de volta, Mick o levará a lugares há tempos não visitados pela categoria, como a Holanda, de volta ao campeonato após 35 anos. Também novidade, o GP da Arábia Saudita entrará no calendário pela primeira vez na história. O país ultraconservador, onde mulheres não podiam dirigir até 2018, quer usar grandes eventos esportivos para mudar sua imagem global. Como reação, 50 entidades ligadas a direitos humanos enviaram uma carta a Hamilton para pedir a ele que boicote a corrida, marcada para dezembro. Engajado na luta contra o racismo e por mais inclusão na F-1, o inglês foi cauteloso ao falar do tema. "Eu acho importante saber exatamente qual é o problema antes de comentá-lo." A temporada 2021 será a mais longa da história, com 23 grandes prêmios. Depois do Bahrein, a F-1 desembarcará na Itália, em 18 de abril. COMO VER O GP DO BAHREIN Sexta-feira (26), 8h30 - 1º Treino livre - BandSports e F1 TV Pro* Sexta-feira (26), 12h - 2º Treino livre - BandSports e F1 TV Pro* Sábado (27), 9h - 3º Treino livre - BandSports e F1 TV Pro* Sábado (27), 12h - Treino classificatório - Band, BandSports e F1 TV Pro* Domingo (28), 12h - Corrida - Band e F1 TV Pro* *A assinatura da plataforma de streaming F1 TV Pro custa R$ 28,90 por mês