Vermífugo apresentado pelo governo reduz carga viral, mas não reduz número de mortes por coronavírus

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Jair Bolsonaro acompanhado de Marcos Pontes e intérprete de libras em live (Reprodução)
Jair Bolsonaro acompanhado do ministro da Ciência, Marcos Pontes (Foto: Reprodução)

O vermífugo nitazoxanida, sobre o qual o ministério da Saúde fez uma apresentação no início da semana, reduz a carga viral, mas não diminui a quantidade de mortes por Covid-19. É o que mostra o estudo ao qual o governo federal se referia, que foi publicado nesta sexta-feira, 23.

O levantamento foi publicado na plataforma medRxiv e está em avaliação por uma revista científica. Os resultados mostram que o medicamento nitazoxanida reduz a carga viram nos pacientes que têm sintomas leves da Covid-19.

O estudo foi coordenado pela pesquisadora Patricia Rieken Macedo Rocco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ao G1, o epidemiologista Paulo Lotufo explicou que o objetivo principal da pesquisa era verificar se o vermífugo seria efetivo na redução de mortes, e não foi. “Foi apresentado apenas um objetivo secundário, de que o medicamento é capaz de reduzir a carga viral. Isso, na prática, não resolve o problema do coronavírus", disse.

Também ouvido pelo G1, o infectologista Alberto Chebabo comparou o vermífugo com a cloroquina. “A título de comparação, é muito melhor que cloroquina, que é cara e não tem efeito. Ou, então, podemos comparar com o remdesivir, que tem algum efeito, mas não tem impacto nos casos graves e em diminuição de mortes”, colocou o especialista.

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Na última segunda-feira, 19, ao falar sobre o estudo, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, mostrou um gráfico genérico para dizer que os resultados da pesquisa eram positivos.

Depois de apontarem que o gráfico não era específico dos resultados sobre o uso da nitazoxanida, o ministro afirmou que não poderia dar os dados, porque o estudo ainda não estava publicado.