#Verificamos: É falso que Doria disse que pessoas precisam escolher entre confinamento e comida

Yahoo Notícias
(Miguel Schincariol/Getty Images)
(Miguel Schincariol/Getty Images)

Circula nas redes sociais que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), teria dito que as pessoas precisam escolher entre o confinamento ou a comida. Essa frase teria sido dita em uma entrevista do governador ao jornalista José Luiz Datena, no programa Brasil Urgente, da Band, sobre medidas adotadas para desacelerar o contágio do novo coronavírus, causador da Covid-19. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

Reprodução
Reprodução
Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

“Datena, a pessoa vai ter que escolher entre o confinamento ou a comida. As pessoas vão ter que escolher, mesmo pq morto não come”
Frase atribuída ao governador João Doria que, até às 18h do dia 20 de maio de 2020, tinha sido compartilhado por mais de 17 mil pessoas no Facebook

FALSO

O governador de São Paulo, João Doria, não disse, em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, que as pessoas precisam escolher entre o confinamento ou a comida. Ele disse, na verdade, que é preciso escolher “entre a vida e a morte”, e que a opção por desrespeitar o confinamento seria optar pela morte.

No dia 11 de maio, o apresentador conversou com o ex-prefeito em seu programa Brasil Urgente, da Band. Durante a conversa, Datena apontou que o trabalhador brasileiro não tem uma reserva para ficar “dois, três meses em casa”. Com isso, Doria respondeu o seguinte: “Datena, desculpe falar uma frase dura, mas ela é verdadeira. É melhor ficar confinado do que enterrado. Entre a vida e a morte, a opção da pessoa deve ser pela vida e não pela morte. Qualquer circunstância que afrouxe nesse momento o isolamento, seja em São Paulo ou em qualquer outra área do Brasil, significa aumentar drasticamente o efeito da pandemia, a infecção e a morte. Entre viver, ainda que confinadamente, com toda a circunstância negativa disso, a dor, a dificuldade, a limitação, seja principalmente dos mais pobres e dos mais humildes, mas seja qual for a classe social, ele sair e se expor desnecessariamente para correr o risco de ser infectado e morrer, a opção deve ser pela vida e não pela morte”. 

Logo após essa resposta, Datena voltou a pressionar o governador, afirmando que “deve ser duro ver um filho morrendo de fome”. Com isso, Doria disse que o governo de São Paulo está disponibilizando cestas de alimentos, que seriam capazes de alimentar quatro pessoas durante 30 dias. Além disso, Doria também ressaltou a importância do auxílio emergencial de R$ 600 concedidos pelo governo federal. Ele afirma que espera que esse benefício continue sendo entregue às famílias. 

Procurada, a assessoria de imprensa de Doria afirmou, em nota, que “ lamenta que mentes que trabalham apenas pela disseminação do ódio se deem ao trabalho de distorcer falas, que estão registradas em gravações e, portanto, fáceis de ser desmentidas. Tudo com o objetivo de politizar uma questão séria de saúde pública como a necessidade do isolamento social para a redução de mortes pelo novo coronavírus.” A assessoria reforçou ainda que o governo está seguindo as recomendações da ciência, da medicina e da saúde para combater o vírus e as “fake news”.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes e Chico Marés

Leia também