Velocista que levou prata nos 200m em Tóquio foi excluída dos 400m por nível de testosterona; entenda

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Christine Mboma, da Namíbia, foi prata nos 200m rasos dos Jogos Olímpicos de Tóquio (Foto: REUTERS/Lucy Nicholson)
Christine Mboma, da Namíbia, foi prata nos 200m rasos dos Jogos Olímpicos de Tóquio (Foto: REUTERS/Lucy Nicholson)

Christine Mboma, da Namíbia, é a segunda mulher mais rápida do mundo nos 200 metros rasos feminino. A atleta conquistou na última terça-feira (3) a prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, atrás somente da jamaicana Elaine Thompson-Herah.

Parece algo extraordinário, mas o feito de Mboma reacende um debate polêmico. Isso porque a velocista foi impedida de disputar a prova dos 400m, sua especialidade, nas Olimpíadas por apresentar níveis naturais elevados de testosterona.

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A exclusão veio às vésperas da Olimpíada. Em julho, a World Athletics (Federação Internacional de Atletismo) retirou da lista de classificadas dos 400m rasos as namibianas Christine Mboma e Beatrice Masilingi. Elas eram favoritas ao pódio da prova em Tóquio – Mboma é dona do recorde mundial nos 400m, enquanto Beatrice tinha o terceiro melhor tempo do ano.

À época, o Comitê Olímpico da Namíbia classificou a decisão como "invasão inaceitável da privacidade" das atletas. As duas atletas de 18 anos precisaram passar no ano passado por uma avaliação da Federação Internacional de Atletismo para determinar se elas são "biologicamente mulheres". Além disso, elas foram submetidas a um exame posterior para analisar seus níveis de testosterona.

"Essas mulheres têm cromossomos XX, são mulheres e atendem a todos os requisitos biológicos femininos. A Namíbia buscará se aliar a nações cujas atletas foram marginalizadas pela World Athletics por motivos semelhantes para contestar a proibição", disse Abner Xoagub, presidente do Comitê Olímpico da Namíbia.

Entenda a proibição

A Federação Internacional de Atletismo impôs, em abril de 2018, uma regra que determina que atletas que apresentam "diferenças de desenvolvimento sexual" devem reduzir a taxa natural de testosterona por meio de medicamentos para estarem aptas a competir em provas entre 400m e 1.500m. De acordo com a entidade, os níveis de testosterona influenciam nessas distâncias por aumentar a explosão muscular. A regra não vale para outras abaixo de 400m ou acima de 1.500m.

Christine Mboma e Beatrice Masilingi não são as primeiras a sofrer com isso. O caso mais famoso é a da sul-africana Caster Semenya, bicampeã olímpica dos 800m, que não pôde competir em Tóquio por conta da regra.

Semenya, de 30 anos, nasceu com traços intersexuais. Ou seja, seu corpo produz níveis atípicos de testosterona. Essa condição significa que ela teria que tomar inibidores de testosterona se quisesse competir em provas mais curtas.

Na última quarta-feira, a Corte Arbitral do Esporte afirmou que a proibição é "discriminatória, mas necessária".

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