Pé esquerdo - Vélez 2 x 3 Flamengo

Mauro Beting
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Arrascaeta marca o golaço da vitória rubro-negra na Argentina - FOTO Juan Mabromata - Pool/Getty Images

Ganhar na Argentina sempre vai ser difícil. Bom lembrar para quem minimiza. Foi a segunda vitória apenas do Flamengo no país na história da Libertadores. Vencer o bom time do Vélez não é fácil. Ganhar de virada é sempre mais complicado. Mas fica menos complicado quando você tem um Gerson pra passar a bola do primeiro empate pro Arão. Menos ainda quando você tem o Gabigol para fazer a jogada em que foi derrubado, e para bater com muita categoria e frieza o pênalti que empatou de novo o jogo.

Fica tudo mais fácil e mais lindo quando se tem Arrascaeta para fazer de fora da área o golaço da grande vitória do Flamengo.

De um time que ainda não está pronto. Como ninguém está no ponto pra começo de conversa e ainda mais numa temporada insana durante a pandemia. Mas mais maluco será quem cobrar muito mais futebol do Flamengo neste momento. O que é diferente de cobrar o trabalho de Rogério Ceni. Ele mesmo sabe que ainda pode fazer mais com o time, com o elenco e com investimento que tem.

Mas discutir a saída dele é diferente.

Como um time que tem Arrascaeta e Gabriel Barbosa e outros tantos quilos de alcatra e Kobe beef vai ser sempre acima da média - ainda que esteja muito abaixo da excelente média Everton Ribeiro, e ainda que Bruno Henrique não seja o de 2019.

Com uma meiuca muito talentosa que sabe o que fazer com a bola mais do que qualquer outra equipe na América do Sul. Mas que sem ela, sofre como sofreu o primeiro gol. E sofre ainda mais quando a zaga e não apenas Gustavo Henrique bobeia como lesou no segundo gol depois de bola parada.

Serve para este Flamengo e para qualquer equipe na história do futebol usar o que tem de melhor. E na América do Sul não tem ninguém com tanta qualidade do meio pra frente como o Flamengo de categoria exacerbada, aditivada e muito bem explorada por Rogério quando faz o meio-campo ainda mais leve com Diego (que tem jogado com físico de garoto e categoria de veterano) e ainda tem Gerson. O time fica mais exposto. É da natureza dele ficar mais aberto como o jogo. É do DNA de cada um desses jogadores, do Rogério e da própria história vitoriosa do Flamengo na Libertadores.

Jogar bonito e pra frente como foi em 1981 e como foi em 2019.

O treinador apenas está extraindo de suas escolhas um jeito de jogar que ainda não é totalmente eficiente e equilibrado. Corre riscos. Mas é uma escolha que não é descabida. É um estilo que foi bicampeão com dois grandes Flamengos: o melhor time que eu vi na vida no Brasil foi o de 1981; o melhor que eu vi neste século foi o bi de 2019.

Correr risco é da própria essência do jogo. Em um mata-mata, porém, a conta pode pesar. Isso fica mais evidente quanto fica mais exposto. Mas ainda a chance de dar certo é maior do que de dar errado.

Este Flamengo é de correr riscos. Vai correr riscos.

O trabalho de Rogério é tentar minimizar esses riscos.

Algo que pode sim acontecer mesmo com Diego e Gerson na cabeça da área. Para isso, os volantes do Flamengo terão que continuar sendo o que são, mas as laterais e o miolo da zaga, terão que dar algo mais.

Quando surgir o equilíbrio com a bola e sem a bola, não vai ser fácil segurar esse Flamengo. Como é sempre difícil segurar a empolgação desmedida. Já é fácil imaginar partidas sempre com muitos gols. Para os dois lados.