Velório de Dinamite atrai jogadores, ex-jogadores e ídolos da seleção

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Familiares, amigos, companheiros de time, rivais, atletas da atualidade, vascaínos, além de torcedores de Flamengo, Fluminense e Botafogo, reuniram-se nesta segunda-feira (9), no estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, para o último adeus a Roberto Dinamite.

No centro do gramado do estádio do Vasco, o ídolo cruzmaltino foi velado um dia depois de ter morrido aos 68 anos, por consequência de um câncer no intestino. A doença foi diagnosticada no final de 2021.

O velório foi aberto ao público pouco depois das 10h e se estendeu até por volta das 19h30. Nem o mau tempo no Rio, em dia de céu fechado e chuva, impediu que o ídolo vascaíno recebesse as homenagens.

Enquanto uma longa fila de torcedores se formou no entorno de São Januário, pessoas mais próximas do maior artilheiro da história do Vasco (622 gols) tiveram um acesso reservado, como Edmundo, Zico, Júnior, Joel Santana, Branco, Zinho, Mauro Galvão, Fernando Prass e Fred, além de dirigentes e ex-cartolas de clubes cariocas.

Edmundo era um dos mais emocionados. Ele deu um abraço em Luciana e Rodrigo, filhos de Dinamite, e conversou com outros familiares. Ao se aproximar do corpo do amigo, não conteve as lágrimas.

"Eu estou muito próximo ao corpo, mas não gosto de olhar. A imagem que tenho dele é de sorriso aberto, bonito, sincero e generoso", disse. "Só quando o meu pai faleceu eu senti a dor que estou sentindo desde ontem", acrescentou o ex-atacante.

Ídolo do Flamengo, Zico exaltou a amizade de quase 50 anos com Dinamite. "Nós atuamos pelo juvenil na mesma época e depois estreamos como profissionais no mesmo ano: 1971", lembrou o Galinho.

"Juntos na seleção [brasileira] nós nunca perdemos. Através dos clubes que a gente defendeu nós sempre conseguimos levar mais de 100 mil torcedores para o Maracanã sem precisar falar nenhuma besteira um para o outro", destacou.

Diferentemente do que ocorreu durante o velório de Pelé, no início da semana passada, em Santos, desta vez vários jogadores da atualidade e múltiplos campeões mundiais com a seleção brasileira marcaram presença na cerimônia.

O ex-lateral Cafu, que atuou nos dois últimos títulos da seleção brasileira em Copas do Mundo, capitão do penta em 2002, foi um deles. Afirmou que ídolos como Dinamite e Pelé são, sim, valorizados por sua geração, mas questionou a cobrança que ele e outros receberam pela ausência no velório de Pelé.

"Tem tanta coisa que poderia ser cobrada de um atleta além de ir a um velório", reclamou. "O importante é que esses jogadores vão ser eternos nas nossas vidas. O Pelé é eterno, o Carlos Alberto Torres, também, o Félix e o Roberto são eternos também."

Na despedida do Rei, porém, entre os vencedores das Copas de 1994 e 2002 e os integrantes do time que jogou o torneio do Qatar, há dois meses, apenas Mauro Silva, vencedor nos Estados Unidos, compareceu.

Maior artilheiro do Campeonato Brasileiro (190 gols), Roberto Dinamite defendeu a seleção brasileira em duas Copas do Mundo (1978 e 1982), conquistando admiradores além de torcedores da equipe da Colina, pelo qual se eternizou.

Um dos momentos mais emocionantes da despedida ocorreu quando o atual elenco vascaíno entrou no gramado.

Atletas, membros da comissão e dirigentes do clube vestiram uma camisa com homenagem para o antigo camisa 10. Nela, havia a frase: "Dinamite, o maior de todos".